IV Jornadas de Cultura e Medicina Tradicional Chinesa (reportagem)

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No passado fim de semana, o Instituto de Medicina Tradicional (IMT) organizou as IV Jornadas de Cultura e Medicina Tradicional Chinesa, com o objetivo de discutir os principais temas da atualidade destas práticas terapêuticas. A Mais Superior faz aqui o resumo das intervenções e as principais conclusões do evento.

Dia 1
No primeiro dia do evento, Shu Jianping, Conselheiro Cultural da embaixada da República Popular da China, abordou a importância da divulgação para a Medicina Tradicional Chinesa. Na sua opinião, “a existência de conhecimento é a melhor forma de eliminar o receio de algumas pessoas em relação a esta prática” e “a melhor definição das normas e procedimentos que a regulam, algo que está a acontecer dentro do círculo destes profissionais na Europa e na própria China, contribui para a diminuição de alguma eventual desconfiança”, uma vez que, quando ela surge, tem “muitas vezes origem em más práticas”, sustenta.
É por isso que eventos como estas Jornadas vêm “contribuir para o objetivo de promover maior divulgação e debate e contribuir para a clarificação de dúvidas”, de acordo com Shu Jianping.

Outra das oradoras deste primeiro dia foi Fernanda Ilhéu, Presidente da Associação dos Amigos da Nova Rota da Seda, que ressalvou o “papel de grande destaque do setor da saúde no investimento da China em Portugal, que representa 6 por cento do total do investimento chinês na Europa”. Do lado do investimento português na Medicina Tradicional Chinesa, mais concretamente ao nível da formação, está Helena Caria, Coordenadora da Licenciatura em Acupunctura da Escola Superior de Saúde de Setúbal, que falou na “aposta de futuro desta escola para desenvolver e implementar a formação e a investigação nesta área”, reforçando que a instituição tem “porta aberta para as parcerias que puderem ser criadas, na área da saúde em geral, e na área da acupunctura em participar”.

A terminar o primeiro dia de atividades nas IV Jornadas de Cultura e Medicina Tradicional Chinesa, o Diretor Executivo do IMT Frederico Carvalho reforçou a ideia da “aposta na mobilidade” por parte do IMT, com o anúncio da celebração de “um protocolo com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa”, como forma de “adequar o conhecimento tradicional ao conhecimento científico e da medicina baseada na evidência, respeitando o edifício teórico e científico da Medicina Tradicional Chinesa, procurando uma adequação mútua e dinâmica”.

Dia 2
No segundo e último dia destas jornadas, o Secretário de Assuntos de Ciência e Tecnologia da Embaixada da República Popular da China, Gao Chuan, apontou a assinatura por parte do governo chinês de “86 protocolos de cooperação internacional para promover a Medicina Tradicional Chinesa” e do “novo modelo de abordagem e das novas modalidades de cooperação” promovidas pela iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. Para além disso, Gao Chuan referiu-se a Portugal como “um dos países que conhece a Medicina Tradicional Chinesa há mais tempo e um dos poucos a ter legislação sobre a matéria”, contando já com “mais de 30 mil pessoas a trabalhar em acupunctura” e com “25 por cento da população a já ter experimentado estes métodos”.

Em seguida, o Prof. Federico Marmori da Fundacion Europea da Medicina Tradicional China salientou que a Medicina Tradicional Chinesa oferece “um apoio paliativo ao doente muito considerável” e que a prática clínica “é fundamental para perceber os sintomas e diagnosticar”, salientando que, por vezes, a tecnologia “tem tendência a livrar-se da clínica”.
E para falar sobre a prática clínica, o Coordenador do Departamento de Cursos Profissionais de Medicina Tradicional Chinesa do IMT Luís Lavado falou da sua experiência de dois meses num hospital dedicado a estes métodos. Segundo este profissional, na China os doentes “são mais participativos e colaborantes no tratamento”, e relativamente aos profissionais chineses há “disponibilidade para partilhar conhecimentos e interesse por Portugal e pela forma como está a ser desenvolvida a Medicina Tradicional Chinesa no nosso país”.

Por fim, a Prof. Olga Silva, do Departamento de Ciências Farmacológicas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, abordou o tema do uso das Plantas Medicinais Chinesas no Ocidente, dizendo que existem hoje “66 plantas chinesas usadas na Medicina Tradicional Chinesa na farmacopeia europeia, cujos critérios de utilização estão perfeitamente regulamentados”, e que “a Europa quer conhecer mais destas plantas”. Por esse motivo, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e o IMT são “parceiros num projeto que visa o desenvolvimento investigação em fitoterapia na Medicina Tradicional Chinesa”.

Em jeito de conclusão, o Diretor Executivo do IMT Frederico Carvalho abordou ainda a implementação da Medicina Tradicional Chinesa no mundo ocidental, dizendo que os grandes desafios são, por um lado, “adaptar os produtos às regras e ao mercado europeus, garantindo o controlo de qualidade e a segurança necessários”, e por outro “garantir que o corpo teórico que sustenta a medicina chinesa não é desvirtuado”.
Finalmente, a aprovação no Parlamento da prorrogação do prazo de atribuição de cédulas profissionais a todos os que iniciaram a sua atividade depois de 2013 também mereceu um comentário do responsável máximo pelo IMT, falando em “reposição da justiça perante um grupo de profissionais que foram entrando gradualmente no mercado depois de terminarem os seus cursos, e que se viram impedidos de exercer a sua profissão de forma legal”, reforçando que para a população há também claros benefícios ao nível “da segurança no trabalho realizado por profissionais capazes, podendo assim ser separado o trigo do joio”.

[Foto: Instituto de Medicina Tradicional]

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