Não tens o emprego perfeito?

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Não ter um frigorífico na empresa ou trabalhar aos fins-de-semana não é o fim do mundo. Lembra-te que há casos bem piores onde se verificam verdadeiramente condições de trabalho precárias. Essas situações vão estar em discussão no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), na conferência “O operador de call-centre”.

O mundo do trabalho sofreu profundas alterações nos últimos 50 anos, e os call centers contribuíram bastante para isso. É verdade que estes mecanismos são uma parte importante do quotidiano das empresas e dos negócios e dão emprego a milhões de pessoas. Mas também é verdade que os call centers vieram romper com o estatuto do trabalhador. Muitos destes sítios só têm para oferecer contratos a prazo, recibos-verdes e não empregos, e apenas contribuem para a efemeridade, intermitência e precariedade do mercado de trabalho.

Para além disso, as mudanças tecnológicas incutidas ao longo do tempo e o desenvolvimento das atividades de call center têm motivado a rotinização do processo de trabalho, a capitalização do conhecimento, a estipulação de novas estratégias produtivas assentes em graus elevados de flexibilidade e a exploração do indivíduo nas suas capacidades comunicacionais e cognitivas. Tudo isto, em conjunto com a globalização dos mercados, o eclodir do capitalismo financeiro ou a implementação de normas que contribuem para a desregulação do setor laboral, tem modificado a forma como o empregado se relaciona com o trabalho.

A conferência vai retratar duas visões diferentes. “Entre uma narrativa que analisa o novo a partir do velho, encarando a flexibilização laboral como uma espécie de deturpação evolutiva da ordem fordista, e uma outra que ignora o papel do velho na construção do novo, elevando o trabalhador qualificado à condição de empresário de si mesmo”.

Passando por áreas como a História, a Sociologia ou a Antropologia, a palestra “Operador de call-centre” vai procurar responder a estas e outras, questões: Será o trabalho imaterial um fenómeno recente e circunscrito a um segmento específico? Deverá a precariedade ser abordada apenas de uma perspetiva geracional? O que é, e o que não é trabalho? As classes sociais desapareceram com os operários?.

O colóquio, inserido no ciclo de conferências “Trabalho, Profissões e Ocupações”, vai decorrer na quarta-feira (24 de abril), pelas 15:30h, na Sala 2 do ICS-UL. Organizada pelos investigadores José Luís Garcia e José Nuno Matos, a palestra vai ser moderada por João Carlos Louçã, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL).

[Foto: charmingman @ Flickr]

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