Quando aprender não tem idade

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2012 é o “Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações” e, por isso, a Feira Internacional de Lisboa (FIL) abre as portas do Pavilhão 2 para acolher, entre 5 e 9 de dezembro, o evento Portugal Maior – Encontro Internacional para o Envelhecimento Ativo. A Agência Nacional PROALV (Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida) não quis faltar à chamada e aproveitou para apresentar um dos seus programas, o Grundtvig.

Erasmus, Leonardo da Vinci, Comenius e Grundtvig. Dos quatro programas europeus geridos pela PROALV, é provável que seja o primeiro a soar-te mais familiar, mas a verdade é que todos têm objetivos em comum: colocar o conhecimento no topo das prioridades e criar um verdadeiro espírito europeu são só alguns exemplos.

Todos os anos, a PROALV organiza o Dia Aberto Grundtvig, uma oportunidade para dar a conhecer as especificidades de um programa que nos lembra a importância da educação para adultos. E foi por aí que a conferência do Dia Aberto de 2012 começou.

Ao início da tarde de ontem, a PROALV chamou boa parte dos visitantes do Portugal Maior, a decorrer na FIL até ao próximo domingo, para uma conferência que juntou Maria do Céu Crespo, diretora da Agência Nacional PROALV, António Nunes, responsável pela coordenação do Grundtvig, Luís Jacob, presidente da Rede de Universidades de Terceira Idade (RUTIS), Anabela Mesquita, docente do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) e Maria Joaquina Madeira, coordenadora nacional do “Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações”.

Luís Jacob começou por referir que “a aprendizagem ao longo da vida é fundamental para o desenvolvimento do país”. Pegando no exemplo da Dinamarca – nação de origem do padre, poeta e político que dá nome ao programa, Grundtvig -, o presidente da RUTIS apresentou alguns factos que explicam o sucesso que o programa pode trazer, como o de “a Dinamarca não ter analfabetos há mais de cem anos”.

O crescimento das Universidades Séniores (atualmente Portugal conta com 210) pode servir de pretexto para uma colaboração cada vez mais eficaz entre os mais velhos e os jovens. Três destas universidades funcionam, inclusive, numa C+S, o que prova o quão intergeracional pode ser o programa Grundtvig: “ao início as escolas perguntavam ‘o que temos nós a ver com os velhos’?”. “Hoje são elas que os querem lá, até porque concluíram que os alunos se portam melhor, dizem menos asneiras e correm menos nos corredores”graças à presença de colegas mais velhos.

Luís Jacob
Luís Jacob deu a conhecer o conceito e as práticas nas Universidades Séniores.

Anabela Mesquita foi o nome que se seguiu na programação da conferência, apresentando um caso prático. Uma avó que queria muito aprender a usar computadores e que tinha dois netos ansiosos por conhecer a história da infância da ‘segunda mãe’. O projeto Intergenerational ICT Skills ajudou-os a concretizar os respetivos desejos, proporcionando a avó e netos uma viagem à Polónia, que acabou por resultar num livro – “Uma vida que é a minha”.

A intervenção que se seguiu, da autoria de Maria Joaquina Madeira, pautou-se pelo elogio aos mais velhos, que não devem ser vistos como menos capazes: “Conhecer, saber, inovar, criar é o que dá valor às sociedades e isso não tem idade”. Desapontada com aquilo que considera a “desumanização das sociedades”, a coordenadora do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações em Portugal citou Simone de Beauvoir, afirmando que “não é por ser velho que se deixa de ser pessoa”.

O fecho da conferência ficou a cargo de Maria do Céu Crespo que fez um apanhado geral do que tem sido o Grundtvig e lembrou um tema que tem feito correr muita tinta em relação a outro dos programas geridos pela Agência Nacional PROALV: “tem sido dito que o Erasmus vai deixar de ter apoio e isso não corresponde à verdade. Há 15 dias, foram disponibilizados 150 milhões de euros para todas as Agências Nacionais”. Uma boa notícia para os universitários que pensam lançar-se numa aventura de estudos pela Europa.

À margem da conferência, a Agência Nacional PROALV ocupa mais um espaço do Pavilhão 2 da FIL, no Portugal Maior. Até dia 9, podes visitar o stand, com toda a informação disponível acerca dos quatro programas.

[Fotos: João Diogo Correia]

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