Quem tem medo da Prova Oral?

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Faz 11 anos, mas festeja os 10, é o programa mais ouvido da Antena 3 e, para além da participação de um sem-fim de ilustres convidados, tem o cunho pessoal de um dos maiores comunicadores da língua portuguesa. Na festa de lançamento do CD, DVD e livro “Prova Oral – 10º aniversário”, no Ritz Clube, Fernando Alvim garantiu que o programa “já dura há demasiado tempo” e deixou a pergunta: “não há uma autoridade, não há ninguém que acabe com isto?”.

“É a prova de que ninguém ouve rádio”. É assim que Fernando Alvim começa por explicar a longevidade do programa radiofónico que dirige na Antena 3, a Prova Oral. Ao longo da última década, Alvim foi contando com diferentes companhias na apresentação – Nuno Calado, Raquel Bulha, Rita Mendes, Cátia Simão e Rita Moreira -, sendo atualmente Xana Alves a responsável por esse papel.

À margem da apresentação do pacote que inclui CD, DVD e livro da Prova Oral, no Ritz Clube, Xana garante que o programa não tem fim à vista – “só vai acabar quando formos fazer o Oceano Pacífico”. Confessando temer pela saúde da própria mente (“é impossível trabalhar diariamente com o Fernando Alvim e manter uma certa sanidade mental”), Xana Alves aponta a resistência e a capacidade de improviso como as ferramentas necessárias para continuar o programa: “eu não sou nenhuma maníaca da organização, mas às vezes é difícil corresponder a tanto imprevisto”.

Fernando Alvim diz que essa é a chave do sucesso, nunca estagnar. “Se daqui a 10 anos quero estar aqui? No Ritz propriamente, não. Mas vou continuar o programa enquanto perceber que ele não está resignado, enquanto continuarmos a ser criativos”. Lembra a primeira emissão, com Álvaro Costa e Francisco Penim, e a decisão tomada na mesma altura, de abandonar o Curto Circuito e a Rádio Comercial. “Alguns amigos meus disseram que era um ato de absoluta loucura, alguns mandaram a mensagens a dizer ‘mas estás bem?’”. Passada uma década, ou um pouco mais, gosta de dizer que estava no caminho certo e que correr o risco foi uma boa decisão – “nem todas as pessoas têm essa possibilidade”.

O evento no Ritz Clube contou com a presença de algumas figuras associadas à Prova Oral, não só os antigos apresentadores, como Gimba, autor dos famosos jingles, ou Rosinha, uma das muitas convidadas sui generis. Para além da música, houve espaço para performances humorísticas.

Alvim apresentando
Ontem à noite no Ritz Clube, Fernando Alvim lembrou programas míticos, como o do Senhor do Adeus.

“O mundo é um bocado isto”

Xana Alves sente igualmente o privilégio: “imagina o que é a oportunidade de começares a fazer rádio na estação que ouves desde sempre, junto de pessoas que admiras desde sempre? Para mim, a Prova Oral é isto”. Agora que o improviso e a descontração já lhe estão no corpo e na mente, ri-se das ‘partidas’ que o companheiro na apresentação lhe pregou: “na emissão da Paula Rego eu estava apavorada. Vinha de Leiria todos os dias, fazia aqueles quilómetros todos para vir gravar e ele ligou-me e disse ‘afinal já não gravamos às seis, gravamos às três’”. Pegou nos sapatos e esbaforida disparou em direção a Cascais, de onde iria ser emitido o programa com Paula Rego. “Cheguei lá e não estava lá ninguém, o Alvim ainda não tinha chegado, nada estava montado. Sentei-me na sala de chá com a Paula Rego e tentei um desbloqueador de conversa”. Não resultou e a conversa só começou a fluir quando Xana se apresentou como um fã interessada em saber o que move a artista – “percebi que se te colocares sempre na perspetiva do curioso pode haver um bom programa”.

O resto vem com a cumplicidade que mantém com Fernando Alvim: “estamos como aqueles casais que chegam a um nível da relação em que lidam muito com as manias um do outro. Ainda não chegámos àquele em que tudo nos irrita”. Instigada a referir os temas mais recorrentes ao longo de centenas de emissões da Prova Oral, Xana responde com “sexo, amor também (o Alvim é um romântico assumido), crise, dilema homens versus mulheres e mitos sobre as relações”. E conclui: “no fundo, o mundo é um bocado isto”.

[Fotos: João Diogo Correia]

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