Há um ‘super’ refrigerante a caminho de Marte

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Mas não falamos duma bebida, calma! Do que se trata é da descoberta de Bruno Silva, investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro (UA), que sonha pisar, pela primeira vez, o planeta vermelho. Chegar a Marte é uma visão cada vez mais próxima, pois para controlar as altas temperaturas na descolagem (e as enormes oscilações térmicas que o vaivém sofrerá durante os meses de viagem) já está a ser desenvolvido um nanofluído verdadeiramente milagroso.

O fluído já ganhou o adjetivo de inovador, já que em relação a outros líquidos que alimentam os atuais sistemas de refrigeração, permite melhorias enormes na performance dos equipamentos. “Já provámos que o fluído consegue sobreviver e manter-se estável ao longo da descolagem do vaivém”, desvenda o investigador, antigo aluno de mestrado no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UA, local onde agora arregaça as mangas num doutoramento em Sistemas Energéticos e Alterações Climáticas.

Com pormenores irreveláveis ainda fechados no segredo do laboratório, Bruno Silva explica que o fluído tem um material base constituído por água e etilenoglicol, usados em qualquer sistema de refrigeração. A essa mistura são adicionadas nanopartículas, constituídas por nanotubos de carbono. O aspeto final da mistura tem como resultado, pelo menos o visível a olho nu, um líquido escuro ao qual, carinhosamente, a equipa de investigadores chama “a nossa tinta preta”.

O cientista garante que as caraterísticas do nanofluído permitem, quando comparado com os líquidos usados nos atuais sistemas de refrigeração, melhorar em mais de 20% a sua eficácia. Assim, se se pensar, não só nos sistemas de refrigeração convencionais (seja o normal ar condicionado ou o que garante que o nosso computador pessoal não expluda), mas também nos que regulam as temperaturas dos super computadores e servidores (das enormes máquinas de diagnóstico da medicina nuclear, das centrais nucleares ou das naves espaciais), uma poupança energética em 20% assume proporções multimilionárias.

Testes em laboratório garantem que a equipa do Bruno está no caminho certo. “Sabemos que o nanofluído funciona, só não sabemos o quão bem funciona”, explica. Saber a quantidade certa de nanopartículas a utilizar para que “a nossa tinta preta” obtenha ainda melhores resultados e perceber exatamente que reações químicas e físicas estão na base dos resultados “fabulosos” que a equipa tem alcançado são as prioridades da equipa de investigadores do DEM. Depois de respondias estas perguntas, Marte estará, então, mais perto.

[Foto: Universidade de Aveiro]

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