Lisboa chama por Woody Allen

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Woody Allen
Woody Allen não promete, mas abre a porta a Lisboa.

Ainda nem uma semana passou e já o número de likes no facebook ultrapassa os 1600. O movimento “Woody Allen, queremos ver-te a filmar em Lisboa” ganha força e sentido se pensarmos que o cineasta natural de Brooklyn anda num périplo pela Europa, que ainda não incluiu Portugal. Londres, Barcelona, Paris e agora Roma. Para quando Lisboa?

Em 2005 o realizador norte-americano Woody Allen deixou a sua Nova Iorque natal, aterrando em Londres para lá filmar Match Point. Era o começo de uma ronda pela Europa. Passados três anos, juntou em Barcelona Javier Bardem a Penélope Cruz e Scarlett Johansson, numa arrojada e dramática relação a três. Vicky Cristina Barcelona dividiu os críticos, mas deu à cidade uma luz inconfundível. Seguiu-se Midnight in Paris, em 2011, com os improváveis Owen Wilson e Rachel McAdams como protagonistas, numa viagem à boémia Paris dos anos 20 e com um papel muito especial reservado ao universo literário. Este ano, To Rome with Love não deixa de tornar claro o carinho de Allen pela capital italiana, mas num registo mais leve que os antecessores. O elenco é de qualidade e inclui o próprio Allen, que volta a colocar-se de frente para as câmaras.

De referir que em todos eles, o realizador fez questão de chamar atores e atrizes nativos para papéis de destaque – respetivamente, o inglês Matthew Goode, o espanhol Javier Bardem (já para não falar na própria Penélope Cruz, que repete a presença em To Rome with Love), a francesa Marion Cottilard e o desconcertante italiano Roberto Benigni.

Javier Bardem e Penélope Cruz
Javier Bardem e Penélope Cruz, dois espanhóis em Vicky Cristina Barcelona.

Para um filme em Lisboa, não seria de admirar que fizesse o mesmo e o sonho de muitos cinéfilos do nosso país pode não estar tão longe quanto isso. Em entrevista à Cine Box da TVI24, Woody Allen garantiu que essa possibilidade poderia ser estudada caso o convidassem e dissessem que “avançariam com o dinheiro”. “E depois eu teria de dizer: só um momento, para ver se eu tenho alguma ideia que seja boa para Lisboa”, rematou o realizador, afirmando que na capital portuguesa só imagina um filme romântico ou sobre espiões, que é o que lhe vem à cabeça quando pensa em Lisboa. “Uma vez que não sei boas histórias de espiões, provavelmente seria um filme romântico… Lisboa teria de ter essa qualidade romântica”, conclui.

Woody Allen não promete, mas abre a porta a Lisboa.

A página na rede social facebook “Woody Allen, queremos ver-te a filmar em Lisboa” só quer aproveitar esta onda de disponibilidade do nova-iorquino para o render finalmente aos encantos lisboetas. As ideias para encontrar financiamento surgiram como cogumelos logo nas primeiras horas, com os utilizadores a sugerirem fazer uma espécie de ‘vaquinha’ (ou, num termo mais técnico, recorrer ao crowdfunding), pedir um patrocínio de uma marca ou empresa com capital para investir ou tentar o apoio da Câmara Municipal de Lisboa ou do Turismo de Portugal. Nestes casos, será mais difícil, dada a delicada situação financeira que atravessa o país, pelo que o apoio estatal dificilmente poderia incluir verbas suficientes para avançar com o filme, diz o mentor da página, Bruno Reis, em entrevista ao Briefing.

“Há que encontrar uma maneira!” escreve Bruno Reis. Estará Woody Allen perto de ficar convencido?

[Fotos: boston.com, moonballs.blogspot.com e Turismo de Lisboa]

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