Erasmus, a mudar mentalidades desde 1987

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O início de um novo ano letivo é para muitos jovens bem mais do que isso – é o arranque de uma experiência que jamais poderão esquecer. Há 25 anos que o programa Erasmus se encarrega de oferecer aos estudantes universitários a possibilidade de se sentirem verdadeiros cidadãos europeus. Hoje, as boas vindas a 2012/2013 são dadas no Dia Aberto Erasmus, no Hotel Sana Lisboa. Dos debates sobre objetivos e boas práticas até às sessões de esclarecimento, abertas a quem nelas se quiser aventurar.

No início eram menos de 30. Hoje são quase seis mil. Falamos do número de estudantes portugueses que todos os anos se lançam na aventura de estudar no estrangeiro e o conceito já se confunde com um nome – Erasmus é uma experiência para toda a vida, diz quem já experimentou.

A celebrar 25 anos, os objetivos vão mudando. No Dia Aberto Erasmus, no Hotel Sana Lisboa, Maria do Céu Crespo, diretora da Agência Nacional Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (AN PROALV), foi a primeira a tomar a palavra e a falar sobre as novas metas. Chamou à atenção para a dimensão social do Programa, pedindo um Erasmus que ajude a incluir jovens com dificuldades financeiras ou deficiências de ordem física ou intelectual. Assim sendo, na atribuição de bolsas “a estratégia é dar primazia a alunos carenciados e não premiar o mérito por desempenho”. A recomendação está feita mas, garante Maria do Céu Crespo, não se pode impor às universidades que a implementem.

Ainda durante o debate sobre as bolsas atribuídas aos alunos, a diretora da AN PROALV lamentou o baixo valor disponível para os Erasmus portugueses. “Há uma grande discrepância de valores entre países, é uma coisa que não faz sentido”.

Diretora PROALV
A diretora da Agência Nacional PROALV pede consciência social na atribuição de bolsas de mobilidade.

Quem de sete faz um

Quem sabe se não será essa uma das mudanças a fazer caso seja aprovada a proposta da Comissão Europeia, em discussão no Parlamento Europeu, de criação de um Erasmus For All. O Programa, que deve ter início em 2014, mantém os objetivos mas pretende melhorar a sua eficiência, fazendo uma espécie de ‘sete em um’. O Erasmus For All será uma junção do PROALV – que inclui os programas Erasmus, Leornado da Vinci, Comenius e Grundtvig -, do Youth in Action e de cinco outro programas de cooperação internacional (Erasmus Mundus, Tempus, Alfa, Edulink e o programa de cooperação com países industrializados). A escolha do nome, que mantém a homenagem ao humanista, filósofo e teólogo Erasmo de Roterdão, deve-se à enorme associação entre o conceito de estudar no estrangeiro e a palavra Erasmus.

Outra das grandes apostas da Comissão Europeia, que Maria do Céu Crespo não deixou de referir, é a campanha We Mean Business, cuja apresentação em Portugal teve direito a destaque na Mais Superior, e que pretende convencer as empresas de que vale a pena contratar estagiários. Na opinião de Maria do Céu Crespo, estes estágios europeus serão fundamentais para facilitar a transição dos jovens da universidade para o mercado de trabalho.

A Agência Nacional PROALV é a responsável em Portugal pelos programas Leonardo da Vinci, Comenius e Grundtvig, para além do supracitado Erasmus, e Maria do Céu Crespo adiantou que a imagem e os logótipos vão sofrer alterações, tornando-os mais atrativos. A diretora da AN PROALV finalizou apelando às universidades e aos agentes envolvidos nos programas de mobilidade que façam os possíveis para haver colaboração, e nunca competição.

Museu da Electricidade
O Museu da Electricidade foi o local escolhido para apresentar a campanha da Comissão Europeia “We Mean Business” em Portugal.

Sair e deixar entrar

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e a CEIFA foram os exemplos de boas práticas no que a mobilidade diz respeito.

Gil Gonçalves, do Gabinete de Relações Internacionais do IPB, apresentou a cidade e o campus universitário, que descreveu como acolhedores e simpáticos, destacando a gastronomia bragantina. A mobilidade em Bragança é um caso de sucesso, de tal forma que “há mobilidades que têm acabado em casamento”. O IPB tem feito os possíveis para evitar a criação de “gangues”, o termo utilizado por Gil Gonçalves para descrever as situações em que os jovens se separam por nacionalidades. Para que nada falte aos estudantes estrangeiros que decidiram incluir Bragança nos seus mapas pessoais, o IPB oferece – literalmente – um curso de Língua e Literatura Portuguesa.

Já Suhita Osório-Peters, da CEIFA, uma “pequena empresa que faz o que as outras pequenas empresas não fazem: investigação e mobilidade”, destacou a importância de se ser empreendedor. “Mas ser empreendedor não é abrir uma empresa, é perceber as chances que existem dentro de um grupo”. Destacou que na sua micro-empresa não são precisas pessoas com média superior a 14, “são precisas pessoas motivadas e com vontade de trabalhar”.

A CEIFA está envolvida no projeto EduCamp – Education for Sustainable Development beyond the Campus, uma iniciativa que pretende melhorar as condições de aprendizagem das crianças e jovens no Egito, seguindo a estratégia da Comissão Europeia para o desenvolvimento sustentável.

Da parte da tarde, o Dia Aberto Erasmus foi entregue à prática, com sessões de esclarecimento sobre as diversas áreas do programa, desde o processo de candidatura aos Cursos Intensivos de Línguas Erasmus.

Painel Dia Aberto
Gil Gonçalves, à esquerda, e Suhita Osório-Peters, segunda da direita, apresentaram casos de sucesso e boas práticas.

[Fotos: João Diogo Correia]

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