‘Mi casa es tu casa’

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Home4Students, isto é, casa para estudantes. Em quatro passos. Vamos lá outra vez: Home4Students. Isso mesmo, um projeto empreendedor criado por três recém-licenciados do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) e que permite aos estudantes encontrar casa de uma forma mais fácil e rápida. A grande inovação? Promover o intercâmbio entre jovens de diferentes zonas do país, numa versão portuguesa da máxima ‘mi casa es tu casa’.

Fábio Agapito tem 21 anos e, juntamente com Cristiano Santos, de 22, e André Gonçalves, de 23, criou uma empresa – a AroundExtreme Informática – depois de concorrer a um concurso de ideias de negócio, o Poliempreende 2010/2011, criado pelo IPCB. A empresa funciona agora nas instalações da Escola Superior de Tecnologia (EST) da instituição, onde os três colegas fizeram a licenciatura em Engenharia Informática.

E é através da empresa, garante Fábio, que o Home4Students ganha alguma sustentabilidade em termos financeiros. O projeto pretende ajudar as famílias portuguesas num momento especialmente difícil. Para isso, além de criar um espaço priveligiado de arrendamento de casa, permite a um estudante deslocado encontrar uma forma de poupar muito dinheiro, trocando de morada com outro estudante.

“Evitar o abandono escolar”

Em situações limite, é isso que acontece. O agravar da situação financeira dos portugueses, já de si pobre, pode aumentar o número de jovens a abandonar os estudos por falta de posses. Foi por isso que o sogro de Fábio Agapito lançou o desafio: por que não criar uma forma de pôr os estudantes a trocar de casa entre si?

Fábio e os colegas não pensaram duas vezes. O Home4Students foi a solução que encontraram. “Em vez de alugarem um quarto, os estudantes ficarão a morar na casa um do outro, como se fossem para uma casa alugada, só que com a vantagem de não terem de pagar renda da casa, água, luz, etc.”, explica Fábio.

A ideia tem algumas semelhanças com outras implementadas para viajar ou passar férias, como é o caso do couchsurfing, mas é inovadora no que toca a estudar cá dentro. Por isso mesmo, reconhece Fábio, pode gerar alguma desconfiança por parte de pais mais conservadores – “o nosso receio é um pouco esse, do qual estamos cientes, uma vez que choca um pouco com a cultura portuguesa”. No entanto, nem os velhos costumes fazem esquecer a principal preocupação por esta altura do ano: poupar. “Tendo em conta a atual crise e as medidas de austeridade impostas à população, pensamos que a vontade dos pais de continuarem a querer oferecer um futuro melhor aos filhos falará mais alto, levando-os a aceitar e a aderir ao intercâmbio”, conclui.

Por enquanto, ainda não há estudantes a servir de ‘cobaia’ para o projeto, “em primeiro lugar devido ao facto de só agora o ano letivo se estar a iniciar e, ainda, por o Home4Students ser relativamente recente e não muito conhecido”. O objetivo é, por isso mesmo, divulgar, divulgar, divulgar.

H4S IPCB
No Home4Students, quatro passos são quanto baste.

Um, dois, três, quatro, já está

Se o intercâmbio é mesmo a grande inovação, o Home4Students não deixa de oferecer espaço para um aluguer de casa mais tradicional. Em quatro passos, qualquer estudante pode encontrar a sua – “a pessoa deve registar-se [passo 1], efetuar login [2], introduzir a localidade pretendida [3] e, por último, fazer um pedido ao anunciante ou contactá-lo diretamente [4]”.

Para quem quer alugar, também não há grandes dificuldades, já que o serviço é gratuito e o público que visita o site é maioritariamente jovem, o que pode facilitar a procura por um interessado. O Home4Students, segundo Fábio Agapito, tem ainda outra funcionalidade que pode ajudar tanto os que procuram casa como os anunciantes – um conjunto de informação que dão outro valor qualitativo aos imóveis, como “a proximidade e acesso a serviços públicos, bares, cafés, papelarias”, tudo locais habitualmente frequentados por quem procura casa nesta faixa etária. Fábio garante que a equipa está a desenvolver uma ferramenta que melhorará esta capacidade, avaliando o meio envolvente de cada casa, segundo critérios como o lazer, o acesso a serviços de saúde e educação ou as acessibilidades.

A internacionalização já está a ser pensada – “o site está a ser desenvolvido também em inglês, apesar de essa versão ainda não se encontrar disponível” -, já que é objetivo dos três jovens empreendedores “cooperar com os atuais planos de Erasmus e outros de intercâmbio”, ajudando tanto as os alunos que vêm do estrangeiro, como os portugueses que se preparam para uma aventura fora de portas.

[Fotos: Home4Students]

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