Emoções olímpicas

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Os Jogos Olímpicos de Londres já lá vão, mas não deixam de ser uma oportunidade irrecusável para perceber comportamentos humanos. O Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Universidade Fernando Pessoa (FEELab/UFP) concluiu que a alegria foi a emoção mais vezes exibida pelos participantes. Tristeza, cólera e surpresa foram as que se seguiram. Os resultados mostram que a cultura é uma das variáveis que influenciam a expressão dos atletas.

Dada a grandeza da competição, não é de admirar. A alegria de uma medalha e da subida ao pedestal olímpico é eterna e foi, na edição de 2012 dos Jogos Olímpicos, a emoção mais exibida pelos participantes. A incidência é, aliás, de sete em 10. Logo de seguida, surge a tristeza – os Jogos são sempre pródigos em histórias mais ou menos dramáticas -, a cólera, onde os homens se revelam mais exuberantes, a surpresa – resultados inesperados também é coisa que não costuma faltar -, a aversão e o medo – provavelmente vindo do peso da responsabilidade.

As conclusões foram retiradas a partir da análise de 10223 fotografias e são da autoria do FEELab, do qual já te temos vindo a dar conta noutras ocasiões. Para o seu diretor, Prof. Doutor Freitas-Magalhães, os Jogos oferecem todos os instrumentos para fazer deles “um excelente laboratório” no estudo desta área – “está lá tudo”, remata.

As emoções exprimidas por homens e mulheres não variam substancialmente, ao contrário da forma como são exibidas: “os resultados revelam um padrão semelhante na exibição da expressão facial quer em mulheres quer em homens, com diferenças ao nível da intensidade, amplitude e duração: as mulheres foram mais intensas na alegria e tristeza e os homens na cólera”, revela o diretor do FEELab.

Já a cultura permite distinguir padrões de comportamento – “a cultura é uma variável moderadora da expressão facial da emoção, com evidentes diferenças entre atletas ocidentais e atletas orientais, principalmente em cerimónias protocolares”. O objetivo do estudo é mesmo chegar a essas diferenças e “mapear os vestígios faciais da felicidade e da dor humanas”, através de comparações culturais. O Prof. Doutor Freitas-Magalhães conclui: “os Jogos Olímpicos revelaram a face como o grande atlas das emoções humanas”.

O estudo é pioneiro a nível mundial e teve a capacidade de perceber a frequência, a amplitude e a intensidade da expressão facial em atletas provenientes de países e grupos étnicos distintos em contexto de competição. O FEELab existe desde 2003 e acaba de lançar o único curso universitário do mundo em expressão facial da emoção.

[Foto: marcopako  @ flickr.com]

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