Verão agitado entre artistas portugueses

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Agosto aproxima-se vertiginosamente do fim, a maioria dos festivais de verão já lá vai e o tempo é de rescaldo. Mas esta parece ser uma das silly season mais agitadas dos últimos tempos. O cantor alentejano Vitorino abriu as hostilidades, vários artistas deram resposta imediata nas redes sociais. Agora, em jeito de piada, B Fachada sugeriu fazer o mesmo que os Ornatos Violeta e as reações não se fizeram esperar.

Primeiro, o eterno debate, reaceso por Vitorino, dias antes de atuar no Festival Bons Sons, que levou milhares de pessoas a Cem Soldos, aldeia nas imediações de Tomar. O cantor disse em entrevista ao Jornal de Leiria que “quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”. David Fonseca, cuja carreira tem sido feita em inglês, colocou a entrevista na sua página pessoal do Facebook, deixando apenas o comentário “tristemente ridículo”. Já Paulo Furtado, que atuou no mesmo festival sob o pseudónimo Legendary Tigerman (e em inglês), escreveu na mesma rede social que “verdadeiramente ridículo é quando um Português canta em Inglês só porque uma marca lhe põe dinheirinho no Bolso”, numa clara alusão à campanha da Optimus “Duetos Improváveis”, em que Vitorino cantou, em inglês claro, uma versão de All Together Now, dos Beatles.

As críticas não ficaram por aí e houve logo quem lembrasse o repertório de Vitorino, que inclui músicas cantadas em castelhano. Hélio Morais, que mantém dois projetos em português – os Linda Martini e os PAUS – garante que sempre lhe fez “confusão” a ideia de “subitamente se achar que é obrigação cantar em português”. Para o baterista, cantar em português nunca foi um princípio por si só: “deve-se cantar na língua em que uma pessoa se sinta confortável”.

Bernardo já não quer ser Fachada

Enquanto a discussão continuava sobre a língua dos cantantes, B Fachada avançava em entrevista à Time Out que o próximo ano será, para ele, sabático e que pensa deixar cair o nome que lhe trouxe reconhecimento. “B Fachada agora é só para quando precisar de fazer dinheiro, daqui a uns anos, a la Ornatos”.

Tenha sido uma farpa à ‘ex-banda’ portuense ou tenha sido apenas uma piada, a verdade é que os comentários que se seguiram não abonam a favor do autor de Criôlo. Recorde-se que os Ornatos Violeta terminaram o seu percurso em 2002, mas decidiram voltar a juntar-se, dez anos depois, para três concertos de celebração. O primeiro foi há menos de uma semana no Festival Paredes de Coura e os outros dois serão nos coliseus de Lisboa e Porto, em outubro. A prova de que o regresso dos Ornatos ao palco era desejo ardente de milhares de pessoas é que os dois concertos dos coliseus acabaram por se transformar em quatro (duas datas para cada um dos espaços), dada a velocidade com que os bilhetes esgotaram.

A carreira dos autores de Cão (1997) e de O Monstro Precisa de Amigos (1999) e a marca que deixaram no panorama do rock nacional são os motivos alegados pelos fãs para afastar a comparação com um eventual regresso de B Fachada.

O dos Ornatos, em Paredes de Coura, foi um pouco isto.

[Foto: JB Mondino in facebook.com/legendary.tigerman]

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