Óperas envenenadas

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Indubitavelmente é a tragédia um dos elementos de maior atrativo em qualquer ópera. O que não se sabia é que, logo a seguir à espada e ao punhal, é o veneno o responsável por mais mortes nas óperas. João Paulo André, professor do Departamento de Química da Universidade do Minho (UMinho), analisou 100 obras desde o século XVII e chegou à conclusão de que 20% dos heróis e vilões morrem envenenados em cima do palco.

O investigador vai apresentar o tema na conferência “Ópera, veneno e outros químicos”, esta sexta-feira, dia 18, às 21h, no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, no encerramento da “II Festa da Ciência”, da Escola de Ciências da UMinho.

João Paulo André iniciou a investigação com o livro “100 Grandes Óperas e as suas Histórias”, de Henry W. Simon, e identificou 64 das histórias com mortes. “As mortes criam um forte impacto em palco e as suas maiores causas devem-se, por ordem, a ‘cenas de capa e espada’, ao veneno de origem mineral, vegetal ou animal e a motivos sobrenaturais”, explica João Paulo André, que procura analisar de forma divertida a ciência das poções, venenos e paixões numa viagem teatral e musical.

A título de exemplo, Cleópatra morreu com uma picada de serpente, como mostra a ópera de Samuel Barber; uma das óperas de Rimsky-Korsakov alude ao boato que Salieri envenenou Mozart por inveja; e a escrava indiana Selika envenenou-se pelo amor não correspondido do navegador Vasco da Gama, na obra de Meyerbeer. “O veneno sempre fez parte das histórias operáticas, quer para atingir objetivos políticos quer por razões amorosas e, neste caso, o maior exemplo será o de Julieta, que afinal poderia conhecer o conteúdo da poção que tomou para parecer como morta”, diz João Paulo André. E acrescenta: “Na essência, tudo pode ser veneno, depende é da dose”.

[Foto: Universidade do Minho]

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