Há muitas formas de educar

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Temeu-se que a Escola Superior de Educação (ESE) do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) viesse abaixo, tal o rebuliço que por lá se instalou quando a câmara de filmar do LipDub tentava a aproximação. Das varandas eram os alunos de Serviço Social de mãos ao alto, do bar ouviam-se os cânticos do grupo de capoeira de Beja e, da rua, havia quem não se deixasse intimidar pelas temperaturas acima dos 30º.

O Grupo de Capoeira Gingarte nasceu em Beja há 11 anos. “Bonitinho” e “Tigela” explicam o prazer por esta arte. “A particularidade da capoeira é que toda a gente, quando experimenta, gosta”, começa Tigela. “Para além da arte marcial, mete instrumentos, mete expressão corporal, ao ponto de algumas pessoas a imaginarem como uma dança. É uma arte completa”. Mas Bonitinho não esquece outros fundamentos – “o objetivo é sempre o golpe final. Até a roda que vocês aprendem na primária, aqui é usada para acertar no adversário”.

Capoeira LipDub
"Tigela" enfrenta um dos praticantes mais novos

Bonitinho é instrutor do Gingarte, dá aulas na ESE e foi daí que surgiu a oportunidade de colaborar no LipDub: “achei que era engraçado até para os rapazes, porque nós temos um projeto social com a Casa Pia de Beja. A malta gosta, anima-se e é um espetáculo”. Tigela não fica atrás no entusiasmo – “o que me disseram foi que era uma tentativa de dinamizar a comunidade escolar. E se eu puder contribuir para isso, é claro que digo sim”.

Capoeira LipDub Meninas
As meninas também entram e não se deixam intimidar

As alcunhas nascem “normalmente de características fisionómicas” e são dadas porque “a capoeira nasceu no tempo da escravatura, numa altura em que os escravos não se podiam defender e, por isso, eram proibidos de aprender a lutar. Então disfarçavam-no de dança e inventavam nomes”. João Pinto é “Bonitinho” porque “tinha a mania de garanhão, sempre a ver-me ao espelho e a ajeitar o cabelo”e, também por causa de assuntos capilares, Francisco Silva ficou “Tigela”.

Artes Plásticas e Multimédia LipDub
Tiago Brito prepara o painel que aparecerá no LipDub

Corredor adentro, a Mais Superior deu de caras com Tiago Brito, aluno de Artes Plásticas e Multimédia da ESE do IPBeja e responsável por coordenar os colegas para o LipDub. “Preparámos uma performance artística, vamos dançar e também vamos expor um dos trabalhos que fizemos agora (o painel pintado de fresco, na foto)”. A dar quase tanta cor ao cenário como o próprio painel, estava uma estátua humana, “uma colega nossa que faz esse tipo de performance”.

Estátua Humana LipDub
Pelos vistos, há quem resiste ao calor do Alentejo

Isto tudo do lado de fora, já que na sala estavam expostos “retratos de nus, dos alunos do primeiro ano e trabalhos de escultura”. Tiago Brito não tem dúvidas – “acho que isto é do melhor que se pode fazer em Beja, porque às vezes é um sítio muito parado. É uma boa iniciativa, tanto para promover a escola, como para incentivar as pessoas a vir cá, à nossa cidade”.

E daqui, seguiram para a Escola Superior Agrária do IPBeja

[Fotos: João Diogo Correia e Bruna Pereira]

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