O 2 em 1 das Universidades

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Talvez seja surpreendente, tem alguns riscos, mas também parece ter tudo para ser uma aposta ganha: a Universidade Técnica de Lisboa (UTL) e a Universidade de Lisboa (UL) vão tornar-se uma só. Garantem que é uma resposta às necessidades do país e dos estudantes universitários. Lá para o início da próxima Primavera, se tudo correr bem, temos uma nova Universidade em Lisboa. A Mais Superior foi ouvir o que têm para dizer os responsáveis pela fusão.

“Até aqui fizemos o impossível. Agora temos de fazer o difícil, o que é extremamente complicado”. Adriano Alves Moreira é Presidente do Conselho Geral da UTL e refere-se à ideia de unir duas universidades e de concretizar o processo. É uma das vozes que explica este projeto, ao lado do Reitor da mesma Universidade, António Cruz Serra, e dos representantes da outra parte envolvida, a UL: António Sampaio da Nóvoa, Reitor, e Henrique Granadeiro, Presidente do Conselho Geral.

Estamos no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, um local cercado de espaços verdes, que se misturam com a brisa fresca, perfeito para a Conferência de Imprensa porque, segundo António Sampaio da Nóvoa, para além de reunir instalações das duas Universidades, é de onde melhor se pode ver o céu, o que mostra a ambição que as trouxe até aqui. A vontade é criar “uma grande Universidade da língua portuguesa”, é “competir com as melhores do mundo”, é “conseguir a internacionalização”. O processo é difícil e desgastante. Depois desta apresentação, e durante três meses, começam as negociações com o Governo. António Cruz Serra espera que este tempo seja suficiente: “é um cenário realista, mas por mim bastava uma semana”, acrescenta. O seu homólogo da UL conclui: “é preciso encontrar o timing certo, nem ser precipitado, nem entrar num processo de paralisia que às vezes acontece em Portugal. Com demasiadas comissões de trabalho, demasiados estudos, os processos ficam tão demorados que, às tantas, morrem as pessoas e morrem as ideias. Não queremos ser mais uns”. É a seguir às conversas com o Governo que vem o processo de criação – espera-se que na primeira metade de 2013, já haja uma nova Universidade em Lisboa, a ser falada no mundo.

O que se quer realmente mudar

A prioridade é melhorar a investigação e é ter capacidade de concorrer e ganhar fundos europeus: “Portugal ainda se está a afirmar em termos científicos, ainda contribui com mais dinheiro para a ciência europeia do que aquele que recebe”, garante António Cruz Serra.

Conferencia de Imprensa NOVAExiste a perceção, que provavelmente também tens ou da qual já ouviste falar, de que “estão a ser atribuídos diplomas sem préstimo ou valor no mercado de trabalho” e que isso “afeta gravemente o prestígio e a credibilidade das instituições”. É isso que sentem estes quatro responsáveis e é este o contributo que querem dar: “é a nossa resposta à interpelação feita pelo país quanto à oferta formativa das nossas Universidades, que é completamente desadequada”. Adriano Moreira define assim a hierarquia de uma Universidade: “gerir, investigar e ensinar, por esta ordem”. A base de gestão serve para “racionalizar recursos”, “reduzir os níveis de burocracia”, “ter autonomia” e aproveitar a “complementaridade entre as duas universidades”. Em tempos de uma malfadada crise, não é fácil contratar os melhores quadros, mas “só dessa maneira conseguimos mudar a Universidade Portuguesa”, remata António Cruz Serra.

Lê o documento de fusão e fica a saber que…

  • A nova Universidade promoverá formas ambiciosas de recrutamento de professores e investigadores, com total abertura internacional.
  • São necessários modelos que promovam a aprendizagem autónoma, a individualização dos percursos, a valorização do estudo, a ligação do formal e do informal, o recurso às redes de comunicação e a novos espaços de aprendizagem.
  • Uma atenção especial será concedida ao enquadramento dos jovens investigadores, criando condições que permitam o desenvolvimento das suas carreiras. Em grande parte, o sucesso da nova Universidade dependerá do que vier a ser realizado neste domínio.
  • A fusão permitirá à nova Universidade uma presença mais ativa na vida da cidade de Lisboa e o fomento de atividades culturais, museológicas, artísticas e desportivas, bem como a melhoria da ação social.

[Fotos: João Diogo Correia]

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