As quatro faces do artista

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Homem de muitos talentos, Afonso Cruz escreve, ilustra, realiza filmes de animação e ainda consegue ter tempo para ter uma banda de música. Afinal, qual é o segredo para o sucesso do criativo polivalente que é o nosso entrevistado? Descobre aqui.

Escritor, Ilustrador, Músico, Cineasta… Como te iniciaste em cada área e o que te apaixonou em cada uma?
À excepção do desenho e da ilustração, que sempre foi algo que me acompanhou desde criança. Fui parar às outras áreas um pouco por acaso. Comecei a trabalhar em animação porque quis comprar uma mota e os meus pais, evidentemente, não me dariam uma. Nunca comprei a mota, nem sequer tenho carta. O primeiro emprego que surgiu na altura foi numa produtora de animação. A escrita também surgiu por acaso, não foi algo que tivesse planeado. Sempre gostei de ler e de livros e um dia comecei a escrever, para mim, sem qualquer ambição, mas a certa altura, percebi que tinha já alguns textos que, juntos, poderiam ser um livro. Enviei para uma editora e tive a sorte de ser publicado. Na música, o processo foi mais doloroso: sempre me disseram que era duro de ouvido e, ao contrário do desenho, nunca fui incentivado. Mas porque a ideia de tocar um instrumento sempre me fascinou, decidi comprar uma guitarra. Tinha dezoito anos. Aprendi a tocá-la imitando os meus guitarristas favoritos. Foi um processo mimético. Horas e horas em frente à aparelhagem até conseguir tocar qualquer coisa.

Sentes que és mais escritor do que as restantes “profissões”?
Talvez. Neste momento é a actividade que me consome mais tempo. Mas a ilustração anda a par, até porque quase todos os meus livros são ilustrados, incluindo os romances.

Dizemos “profissões” entre aspas porque gostávamos de levantar a questão – para quem, como tu, faz da escrita uma parte tão grande da sua vida, escrever é uma “ profissão”? Ou é muito mais do que isso?
É uma profissão, mas como todas as profissões, se tivermos por ela alguma paixão, terá para nós um significado, um sentido, que vai para além das oito horas diárias de trabalho. Gosto de escrever e escreveria quer ganhasse dinheiro com isso ou não. Acontece o mesmo com a música e com o desenho. Na verdade, o meu tempo de ócio e de lazer confunde-se com o trabalho, não tenho fronteiras entre uma coisa e outra.

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Até hoje, qual foi o trabalho que mais prazer te deu fazer? E o que mais custou a trazer à luz do dia? Porquê?
Todos. Coloco o máximo que sei e posso em cada projecto, o que significa um esforço total, que, por consequência, terá uma gratificação equivalente à dedicação empregue.

Tens algum conselho para os nossos jovens leitores que queiram dedicar-se àquilo que os apaixona mas tenham dúvidas em relação a como começar? Jovens escritores ou ilustradores, por exemplo?
Fazer. Parece evidente, mas muita gente acaba por se perder em desculpas, numa procrastinação eterna. De resto, acho que é essencial ter matéria-prima com que trabalhar: se queremos escrever, devemos ler, ler muito, mas também aprender de outras maneiras, viajando, observando, ouvindo.

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[Fotos: Patrícia Fernandes ]

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