Piadas que batem à porta

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A televisão disse-lhes que não e nós – portugueses, deprimidos do outro lado do Atlântico – agradecemos muito terem-se instalado na Internet. Duas vezes por semana, rimos, choramos a rir e voltamos a largar risadas ao partilhar os vídeos do Porta dos Fundos em tudo o que é site, blogue ou rede social.

O projeto, idealizado por Antonio Tabet, Fabio Porchat, Gregório Duvivier (que gentilmente nos cedeu esta entrevista), Ian SBF e João Vicente de Castro, tem um dos canais YouTube mais vistos de sempre e já venceu o prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA ) de “Melhor Programa de Humor Para TV”… Por tudo isto, quem não viu ainda os sketches desta semana (em www.portadosfundos.com.br, www.facebook.com/PortaDosFundos ou www.youtube.com/user/portadosfundos) é uma batata podre!

Porquê o nome Porta dos Fundos?

É uma piada interna, referente a uma brincadeira nossa. Mas além da piada, há também aquele sentido de que a porta principal é (ou era?) a Televisão. E nós usamos a porta alternativa.

E então porquê a Internet e não a Televisão?

Inicialmente, porque a TV não nos quis. Em seguida, percebemos que a Internet, além de nos querer, era um meio muito mais interessante. O espetador escolheu ver-te: ele é soberano e ninguém lhe está a empurrar nada pela goela abaixo. É uma outra relação conteúdo/espetador, na minha opinião muito mais interessante.

Há algum segredo para se ter graça ou a piada está também na pessoa que assiste à piada?

Não acho que haja segredo, mas uma coisa que tentamos seguir à risca: o princípio de não fazer as mesmas piadas de sempre. O humor antigo tinha uma tendência de rir do mais fraco: o pobre, o negro, o gay, o caipira (habitante do interior)… O Porta dos Fundos raramente ri da minoria. Em geral, o riso recai sobre o mais forte, o que, além de mais responsável politicamente, é também mais engraçado, visto que é mais inesperado.

Com mais de 1,5 milhões de seguidores no Facebook, o Porta dos Fundos é também um dos canais de humor mais vistos no YouTube. Quando passou este projeto a ser ‘viral’?

Não houve nenhum momento chave. O processo foi bastante gradual. A cada vídeo crescemos um pouco.

PortaFacebook

Uma curiosidade: como é o vosso processo criativo?

Somos quatro autores fixos. A cada semana, escrevemos dois textos cada um. Desses oito textos, escolhemos só dois para filmar por semana. Os outros são deitados fora ou reescritos. Na hora da gravação, o diretor Ian SBF gosta de deixar os atores bem soltos. Os nossos atores são, em geral, ótimos improvisadores e acrescentam cacos (é assim que chamamos aos textos acrescentados pelos atores, no Brasil), que são preciosos.

Uma das coisas mais espetaculares do Porta dos Fundos é que não se inibem de dizer palavrões. Acreditam que piada a sério não tem este tipo de limites?

Acho que palavrão não é ofensivo quando é bem dito e bem colocado. O que é ofensivo é o riso preconceituoso, óbvio, do qual fugimos a todo custo.

Do feedback que têm recebido, há alguma mensagem mais insólita, tocante ou surpreendente que possam partilhar connosco?

Foi bastante engraçado quando um grupo evangélico liderado pelo pastor Marco Feliciano tentou satirizar-nos, criando o grupo Porta da Frente. Está no YouTube.

Têm medo de um dia deixarem de ter ideias para vídeos… Ou de perderem a graça?

Sim! Muito medo. Por isso temos muito cuidado de não aprovarmos nenhum texto que não adoramos.

Tem-se falado num filme Porta dos Fundos, é verdade? Para quando?

É verdade, mas ainda vai demorar. Acho que só ano que vem.

Querem deixar uma mensagem especial para os vossos seguidores portugueses?

Sim: quero muito conhecer-vos. Adoro a literatura, o cinema e o humor português (sou fã especialmente do Gato Fedorento e do Bruno Aleixo). Adoro a maneira como vocês se riem de si mesmos e do mundo. Somos meros aprendizes, ainda em processo civilizacional. Colonizemo-nos!

BonequinhoPorta

[Foto: Porta dos Fundos]

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