Alvim à procura de mentiras

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É um romance? É um policial? Um livro de aventuras? De crónicas?
Nada disto. É novo livro de Fernando Alvim e chama-se “Mente-me só se for verdade”.

É uma compilação de reflexões que, um bocadinho em cada semana, foram escritas ao longo de dois anos, explica o autor em entrevista. O amor continua a ser um tema central, que desta vez se rodeia de temáticas tão variadas como a ‘arte’ de perder coisas e a situação do nosso país.

Depois de tantos meses ‘ao lume’, este livro viu finalmente a luz do dia no final deste ano, pelas mãos da editora Cego Surdo e Mudo.

Em primeiro lugar, explica-nos este título. O que podemos encontrar ao virar da página?
É um bom título para vender livros que é, como se sabe, 50% das razões pelas quais as pessoas compram um livro. E “Mente-me só se for verdade” tem tudo para ser um romance daqueles tórridos e sofridos daqueles romancistas russos, mas não é. É, isso sim, um conjunto de reflexões do seu autor, sobre coisas mundanas como a arte de perder objetos, sobre o amor, sobre o nosso país e sobre si mesmo. São reflexões que só serão devidamente valorizadas daqui a muitíssimos anos, mas não tenho qualquer dúvida que serão entendidas como um avanço para o universo.
Como começaste a escrever este livro?
Há dois anos, não mais do que isso. Fui escrevendo semanalmente durante este tempo e, chegada a esta altura, escolhi o que havia feito. Como só havia boas ou muito boas reflexões – também havia excelentes – optei pelas últimas e penúltimas.

A quem se destina?
A todos, mesmo às pessoas que não sabem ler, a miúdos ranhosos que não dão uma para a caixa, a intelectuais de esquerda, a pescadores de Caxinas e a estudantes que ainda estão a ressacar da noite anterior e ainda estão a ler isto.

Como te descreverias enquanto escritor?
Não sou escritor, sou alguém que escreve livros. São duas coisas diferentes. E como pessoa que escreve livros, acho que sou imaginativo e uso a criatividade para cortar pelo caminho, para ir por outro, o que nem sempre é fácil.

Há algo que não queiras deixar de dizer?
Sim. Se me considero um génio? Sim, considero, mas como todos bons génios nunca serei compreendido em vida. Aliás os melhores, os grandes génios mesmo, nem mortos serão compreendidos. Tenho quase a certeza que é para aí que caminho.

“Mente-me só se for verdade”
Fernando Alvim
Prefácio: Joana Amaral Dias
Páginas: 136
Edição: 2013
PVP: 11,50 euros

“O grande problema do amor é que dá muito trabalho e há muitas pessoas que querem antes um emprego.
O grande problema da minha vida não é a minha vida em si mas justamente a vida que perco à procura de coisas, a tal ponto que ainda na passada semana fui buscar o meu candeeiro de quarto à rotunda do Areeiro.
As pessoas dizem que se pode mudar de mulher, de carro, de casa, mas nunca se deve mudar de clube. Pois bem, eu acrescento: nem de país.
Não há nada pior para dizer a uma mulher do que “És fácil”. E não deveria ser assim. Uma mulher só é fácil para quem quer. Se foi, é porque queria mesmo muito.
Não há nada mais prioritário do que o amor, mesmo que se apresente à direita. O amor tem isso, é prioritário sempre quando a prioridade é à direita; ele é a direita, quando a prioridade é à esquerda; ele é a esquerda, quando a prioridade é ao centro… Bem, aí não tenho a certeza.”

[Foto: Cego Surdo e Mudo ]

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