Os meus óculos de sol

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1827

Quase nem era preciso escrever introdução a este texto, bastaria recordar a música da Natércia Barreto: “já arranjei muito bem tudo quanto convém p’rá praia levar… O pente, o espelho, o baton e o creme muito bom p’ra me bronzear. Tenho o meu rádio portátil e o bikini encarnado também está no meu rol… E como é bom de ver, não podia esquecer os meus óculos de sol”.

A História fala, pela primeira vez, de óculos de sol por alturas do filósofo chinês Confúcio (500 a.C.). Nesta época, os óculos escuros serviam apenas como adorno pessoal (privilégio dos mais ricos), já que as lentes de vidro não possuíam qualquer graduação (os primeiros graus óticos apareceriam só 900 anos d.C.).
A moda dos óculos de sol passou depois por Roma, onde o Imperador Nero (século I a.C.) se protegia dos raios solares com recurso a uma lâmina de vidro verde sobre os olhos, enquanto apreciava os espetáculos nas míticas arenas romanas.
Os mestres vidreiros de Veneza passaram a usar, mais tarde, pedras semipreciosas cortadas em finas camadas para aumentar o tamanho das letras dos textos, mas o primeiro par de ferros com aros grandes, unidos por rebite (o que permitia um ajustamento ao nariz), foi encontrado na Alemanha, em 1270. Nesse mesmo século, os italianos passavam a ser conhecidos como os inventores dos óculos escuros, por venderem (com sucesso) um modelo muito parecido com o seu antecessor alemão.
No século XV, os ‘pince-nez’ (ajustáveis na ponta do nariz e sem haste) e os ‘lornhons’ (com uma haste lateral) eram moda: mais leves e mais confortáveis. No século XVII, foram criados os primeiros modelos com hastes fixas sobre as orelhas – os mais parecidos ao que conhecemos hoje – cujo sucesso só foi garantido na década de 20 do século passado.
O resto da História tu já sabes: nos anos 30, chegaram os óculos estilo aviador; os ‘cat eye’ marcaram os fifties; e foi nas décadas de 60 e de 70 que o plástico e as cores viraram tendência, apostando em força nas lentes gigantes (capazes de cobrir quase a cara inteira).

Arco- íris às rodelas
Se a vida estiver cinzenta, nada como umas lentes coloridas para ajudar ao verão! John Lennon, Janis Joplin ou Ozzy Osbourne são exemplos de personalidades a quem se associa o amarelo, o roxo, o azul ou o rosa nas lentes.

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Olhar felino? Miau…
Rihanna, Marilyn Monroe, Dita Von Teese, Scarlett Johansson são algumas das ‘ladies’ apologistas de óculos estilo ‘cat eye’, popularizados no anos 50 pela sua sensualidade animal.

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Massa com fartura…
E não é no prato. Dos óculos de massa diz-se que dão estilo e um certo arzinho intelectual. Roy Orbison, Audry Hepburn, Brigitte Bardot ou Twiggie não deixaram escapar a moda e fizeram destes óculos os seus preferidos.

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Só falta o avião
Comercializados nos anos 30 pela Ray Ban, estes óculos ganharam fama ao serem usados pelo General Douglas MacArthur, quando este desembarcou numa praia das Filipinas, durante a II Guerra Mundial, e foi fotografado pela imprensa mundial com um modelo idêntico. Figuras públicas como Michael Jackson, Freddy Mercury ou Jonny Depp também ‘dão asas’ a este modelo.

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Formatos para todos os gostos
O filme de Kubrick imortalizou os corações vermelhos de Lolita, usados agora numa versão mais pop por Lana del Rey. Mas tens ainda o filme “Man in Black”, Pedro Abrunhosa, o Martini Man, a excêntrica Lady Gaga ou Elton John – o homem com uma das melhores coleções de óculos de sol do universo! O importante é que cuides da tua vista e aproveites o verão. O resto, quem decide és tu!

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[Foto: retronaut.com]

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