Até as espinhas se aproveitam!

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Avizinham-se os santos populares e com eles a corrida à sardinha assada. Sabe-se agora que este concorrido peixe (mais propriamente as suas escamas, espinhas e a água da sua cozedura) também pode ser útil, por exemplo, para a produção de implantes ósseos, próteses dentárias ou até, a outro nível, no tratamento de águas residuais.

O que a Escola Superior de Biotecnologia da Católica do Porto quis com o projeto “Valor Peixe” foi estudar novas aplicações para valorizar os subprodutos da indústria de conservas de peixe. Tendo em conta que esta indústria produz desperdícios que correspondem a mais de 50% do peixe processado, o estudo vem agora dizer que estes subprodutos constituintes de elevado valor, como hidroxiapatite, colagénio ou gelatina, têm aplicação a nível biomédico, ambiental e nas áreas da cosmética e alimentar.

Manuela Pintado, coordenadora do projeto, explica-nos que a hidroxiapatite “um fosfato de cálcio que é o componente principal dos ossos humanos e animais, possui uma alta biocompatibilidade”, o que torna o resíduo útil para implantes ósseos e implantes dentários.
Ao nível do tratamento de águas residuais, este pode ser utilizado para a remoção de metais pesados como chumbo, cádmio, zinco, na água através da troca iónica entre o cálcio (encontrado nos resíduos) e os metais.
Já na área alimentar, é possível extrair gelatina dos resíduos que depois “é aplicada com o objetivo de melhorar a textura dos alimentos, com vantagem de substituição de parte da gordura, gerando um produto de perfil nutricional melhorado”, explica Manuela Pintado.

Este projeto, liderado pela fábrica de conservas A Poveira, inclui a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), também como co-promotor. A investigação contou também com o apoio da Associação Nacional dos Industriais das Conservas de Peixe (ANICP), da PortugalFoods e da Oceanus XXI – Associação para o Conhecimento e Economia do Mar.

[Foto: andrewmalone @ Flickr]

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