Até São Bento abana!

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Da Esquerda à Direita, parece que os deputados da Assembleia da República ‘andam com sangue na guelra’, isto porque, segundo um estudo da Universidade do Minho (UMinho), o discurso parlamentar está mais agressivo.

Passar a pente fino tudo o que acontece em São Bento não é novo para Aldina Marques. A professora do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho (ILCH-UMinho) analisa os debates da Assembleia da República há 20 anos. Agora conclui que estes “são alvo de uma espiral de agressividade verbal, quer no tipo quer na frequência, o que é transversal a todas as bancadas”.

Aldina Marques adianta que “alguns deputados chegam a cultivar essa agressividade com insultos ad hominem, acusando o adversário de “mentiroso”, por exemplo”. A investigadora diz que Assunção Esteves “permite bastante tolerância” e acredita que “as consequências são intervenções mais agressivas, embora não transgressoras dos códigos parlamentares”.

Aldina Marques considera que alguns líderes da oposição têm adotado esta prática mais “musculada” de confrontar o adversário, a que não será alheia a tensão política criada pelo contexto de crise. “É também por aqui que se constrói a anti-imagem dos políticos, a descredibilização da classe política tem origem, também (mas não só), nos discursos que eles próprios constroem”, refere a docente da UMinho.

“Há uma crescente espetacularização do político, como se fosse vedeta do cinema ou da canção; é preciso não perder espaços de visibilidade, ser visto primeiro para depois ser ouvido”, conclui Aldina Marques, acerca da aproximação afetiva dos políticos ao povo, como, por exemplo, em programas de televisão. Falando em mass media, a linguista aponta ainda o dedo ao número excessivo de programas diários com comentadores políticos que comentam outros comentadores: “Dir-se-ia que estamos perante uma nova classe ‘política’”.

[Foto: UMinho]

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