Muita farra e pouca chuva

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Muita farra e uma ajudinha do São Pedro é o que se pede nesta altura em que o país de lés a lés festeja o fim de mais um ano académico. A guitarra portuguesa dá os acordes e os muitos ‘capas negras’ emprestam as suas vozes ao fado no arranque dos festejos.

Serenata cantada, saem à rua os cortejos. As cidades enchem-se de finalistas e os curiosos juntam-se à festa. Carros alegóricos, cartolas cintilantes, cartazes e faixas com mensagens de sátira política e social compõem o cenário do espetáculo em que os finalistas são as verdadeiras vedetas. Em Coimbra, cidade mãe de toda a tradição, 30 mil estudantes saíram à rua o ano passado, num cortejo que contou com cem mil pessoas a assistir. Depois do Cortejo, a Queima!

Isto de se queimar as fitas tem muito que se lhe diga. A tradição remonta à década de 50 do século passado e já na altura marcava o fim de um ciclo para os finalistas e a emancipação dos caloiros. O que esta cerimónia quer e eternizar o “corte da ligação umbilical do estudante finalista à universidade e ao ardor da vida de estudante”.

Mas mais do que uma cerimónia, a Queima é, hoje, um verdadeiro arraial. É certo que nem em todas as localidades a cerimónia coincide com os dias de ‘festa da grossa’, mas isto é o que acontece na maior parte das cidades. Desde finais de março até ao fim do mês de maio, Lisboa, Braga, Coimbra, Porto, Faro e outras cidades de estudantes recebem muita folia, muita música e algum álcool à mistura (mas, atenção, excessos só estragam a festa!).

Se há muitos que davam tudo para estar em todas as Semanas Académicas, o nome dado ao arraial na maior parte das cidades, a verdade é que isso é quase impossível. Mas se tu não o consegues há quem consiga!

Ele está em todas e a sua fórmula parece resultar. De acordeão nas mãos e com recurso a rimas poucos inocentes e cheias de graça ele leva os estudantes ao delírio. Finalistas de norte a sul cantam as suas músicas de trás para a frente e ainda dão ‘um pezinho’.

“Garagem da Vizinha”, “Cabritinha” e o mais antigo “Mestre da Culinária” são os ‘hits’ que, confessa, pelo menos sabes trautear. Sabes de quem é que estamos a falar? Quim Barreiros, claro! Por mais rendido que estejas a outros estilos musicais, sabes bem que festa académica que se preze tem a música popular portuguesa de Quim Barreiros.

Emoção e muita festa
Isabel Nunes, aluna do 3º ano de Contabilidade e Finanças da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), está “ansiosa” para que a Queima chegue. Diz que os pais estão babados e emocionados com esta sua conquista mas confessa: “acho que sou eu que vou ter mais que uma lágrima ao canto do olho”.

“Sentir na pele que chegou ao fim uma maratona da minha vida, que com tanto esforço me vejo a rasgar a meta, acho que vai ser inesquecível e é um momento que vou guardar para sempre na minha memória”, acredita a jovem. E nesta altura de festa, Setúbal não brinca em serviço. “Aqui vive-se completamente esta época! Passamos o ano à espera por esta semana, não só pela Queima mas também pela Semana Académica, claro!”, diz Isabel.

Mas, afinal, o que têm estas noite de festa de tão especial? A finalista responde: “a Semana Académica de Setúbal tem sempre um cartaz extraordinário que alicia qualquer estudante. Isso misturado com o ambiente excelente, a companhia dos grandes amigos e um pouco de álcool, fazem destas as melhores noites desta vida académica que passa num instante”.

A menina dança?
É tradição e, pelos vistos, vai continuar a sê-lo. Se para uns os bailes de gala já fazem parte do passado, em Coimbra aprumam-se os fraques, passa-se graxa nos sapatos, escolhem-se as joias e os vestidos mais vistosos. É verdade! Não há queima em Coimbra sem Baile de Gala e, este ano, é o nobre e místico Convento de Santa Clara-a-Nova que vai servir de salão de baile aos jovens finalistas. Esta tradição coimbrã não é para todos os bolsos mas também é só uma vez na vida.

É tempo de largarem a xuxa
Os caloiros também entram na festa. Em muitas cidades, como no Porto, por exemplo, os ‘vermes’, ‘bichos’, ‘bestas’ ou como os queiram chamar, entram no desfile que sai às ruas. Esta é a última oportunidade que os novatos têm de desfilar de xuxa, de penico na cabeça, com a chamada ‘roupa de combate’ e com a cara toda pintada.

[Foto: © Secção de Fotografia AAC]

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