Futuro abençoado

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Normalmente, o espaço é pequeno para receber tantos finalistas. Na igreja ou noutro lugar acontece a Benção das Pastas, a mais cristã das celebrações da Queima.

Um momento que tem tanto de solene como de simbólico. Entre os muitos trajes negros sobressaem as cores das fitas. Os sorrisos de alegria disfarçam as lágrimas de despedida e a emoção de ter os pais presentes neste momento tão especial.

O que significa, afinal, a benção da pasta?

Nós explicamos: ao benzer a pasta, o sacerdote benze-te, simbolicamente, a ti. Mesmo para os menos religiosos este ritual tem grande significado. E porquê? Benzida a pasta está abençoada a tua passagem dos tempos de faculdade para a vida adulta ‘a sério’.

Um momento especial
“A benção é um momento inesquecível”, começa por dizer Marta Rodrigues que terminou a Licenciatura em Comunicação e Jornalismo na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT), em Lisboa, há dois anos.

“Desde os momentos que antecedem a benção, como o coser dos últimos emblemas, a correria das fitas, o pensar que tudo passou tão rápido até ao momento em que nos encontramos no recinto e olhamos em volta e vemos centenas de outros ‘iguais’ a nós com o mesmo sentimento e alegria espelhada no rosto!” diz Marta que tudo se resume ao “orgulho de pensar, consegui!”.

Uma experiência que, vivida com os colegas e amigos mais chegados, “cria laços eternos”, orgulha-se Marta. A jovem licenciada em comunicação diz que, para a sua família materna, esta conquista teve um significado muito especial: “da parte da minha mãe nem os meus avós, nem a minha mãe, nem o meu tio e nem os meus primos são licenciados, ou seja, fui a primeira e toda a família quis fazer parte”.

Marta confessa que vai guardar, para sempre, cada pequeno pedaço desta época: “O colar as fitas, o partilhar com os amigos o que estava nelas escrito e aquela sensação de ‘será que escrevi algo de jeito?’ ‘Será que não deu muitas gargalhadas?”.

Há um momento especial que resume uma etapa e que marcou as jovem e o amigos que, com ela, partilharam este episódio da vida académica: “Ficaram-me os gritos enquanto chamavam pelas universidades e o momento em que todos os estudantes erguem as pastas no ar e num éfe- erre-á marcam o início de uma nova vida!”.

Para ti que te aproximas do grande momento que te vais ver a braços com a complicada tarefa de ter que encaixar todas as fitas numa só pasta, a jovem aconselha: “a fita cola dupla é, sem dúvida, a nossa melhor amiga”.

“Éfe-erre-áaaaaaaaaa!”
À pergunta “então e para os finalistas, não vai nada, nada, nada, nada?” respondem eles em uníssono “Tudo!”. “Com toda a pujança e do fundo do coração aqui vai um F-R-A (finalistas “Frá!”), F-R-E (finalistas “Fré!”), F-R-I (finalistas “Fri!”), F-R-O (finalistas “Fró!”), F-R-U (finalistas “Frú!”)”. E todos numa só voz “Frá-fré-fri-fró-frú… Áli-quá-li-quá-li-quá! (bis), Chiribiribi -tá-tá-tá!(bis) Hurra! Hurra! Hurra!”. É este o grito, que rouba as iniciais à Frente Revolucionária Académica, que encerra as celebrações. Não há forma mais perfeita de todo o grupo manifestar a sua alegria. Preparado? Mais do que por à prova o teu amor pelo academismo, põe à prova os teus pulmões.

[Foto: © Secção de Fotografia AAC]

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