A liberdade criativa mora aqui!

0
492

Enquanto o talento dos jovens universitários sobe ao palco em mais uma edição do FATAL – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa, que já começou e que vai até 25 de maio, fomos falar com uma das organizadoras.

Marisa Costa fala-nos das novidades deste ano e guia-nos pela história deste festival que já conquistou um público fiel e que é como que uma injeção de estímulo para muitos jovens a quem o teatro corre nas veias.

O FATAL é a prova de que o teatro universitário está vivo e de boa saúde…

É uma das ‘provas’. As outras ‘provas’ acontecem por esse país fora, em cada espaço de teatro universitário, cada vez que um grupo de teatro sobe ao palco. Obviamente sujeito às flutuações próprias da cultura, das universidades e do país, o teatro universitário continua a ser uma das manifestações artísticas mais importantes no contexto do Ensino Superior e uma das atividades extracurriculares mais apetecidas.

E este ano tem a maior programação de sempre…

É verdade. Depois de treze edições com uma programação principal a rondar a dezena e meia de espetáculos, sensivelmente, este ano pareceu-nos oportuno, já que o espaço do Teatro da Politécnica o permitia, abrir o festival à participação de grupos cujos trabalhos apesar de não entrarem na categoria de competição, têm, em maio, a possibilidade de mostrar os seus trabalhos no contexto do Festival. O objectivo principal do FATAL é divulgar o teatro universitário, pensamos que a criação desta nova categoria Mais FATAL será um espaço de divulgação dos grupos e um incentivo aos seus trabalhos. Todos os grupos de teatro universitário nos merecem consideração e é importante apoiá-los da melhor forma possível. Por outro lado, mantemos o propósito de cruzar, tanto quanto possível, o teatro universitário com outros “teatros” e com outras experiências trazendo espetáculos estrangeiros e apresentando trabalhos de grupos convidados que se integram na categoria FATAL Convida. É o caso do Grupo de Teatro de Funcionários da Universidade de Lisboa (UL) ou das leituras Teatro sem Cortes, realizadas em parceria com a Casa da Esquina, de Coimbra.

Quais as principais novidades deste ano?

Para além da criação de três categorias distintas na programação de espetáculos (competição, Mais FATAL e FATAL Convida), teremos lançamento do recém-criado Concurso para Novas Dramaturgias e Encenações no dia 18 de maio, com presença dos encenadores Diogo Bento, Susana Vidal, Adriana Aboim e Tiago Vieira e do escritor Tiago Patrício. No mesmo dia, a Aula de Teatro Maricastaña, participante regular do festival, apresenta, pela primeira vez, uma performance criada especificamente para o espaço circundante do Teatro Politécnica.

Como é que o festival tem crescido em termos de adesão de espetadores?

O festival conquistou já um público fiel, regular e heterogéneo que gosta de teatro e gosta de teatro universitário em particular. Não nos queixamos com falta de público, aliás, têm sido muitas as sessões esgotadas ao longo dos anos o que, apesar de não estamos a falar de salas com lotações elevadas, nos deixa bastante satisfeitos.

Como correu esta segunda edição da Residência Artística?

Correu muito bem. A proposta da Susana Vidal e o trabalho do Miguel Manso, uma encenadora e um escritor que admiramos, foi muito bem aceite pelo público que aderiu de forma muito positiva. Estamos muito entusiasmados com aquilo que foi criado pela Susana e pelo Miguel, com os 13 participantes da residência e ansiosos pela estreia. “Procuram-se princesas e super-heróis” foi um dos motes desta Residência. O teatro universitário é também isto: a possibilidade de trazer à luz do contributo de cada um, aquilo que lhes vai “lá dentro”, para a criação, em grupo, de um trabalho artístico único, em condições muito particulares. É um espaço de liberdade criativa muito especial.

E estas Residências são oportunidades única para estes jovens…

As Residências têm sido espaços únicos de criação num contexto de liberdade e expressão que não se encontra no meio profissional. São, por isso, oportunidades únicas, de facto. A própria universidade é um tempo único. Hoje em dia, com os cursos de licenciatura a durar 3 anos, apercebemo-nos de que são muitos os estudantes que não têm possibilidade de fazer nenhuma atividade extracurricular, sobretudo, cultural, para além das aulas. Isso preocupa-nos. A passagem pela universidade deveria ser também marcada pela participação em projectos culturais ou socioculturais. A experiência de desenvolvimento de um projeto, quer seja cultural ou não, num coletivo é de enorme riqueza para a formação do indivíduo. As Residências Artísticas, mesmo sendo de curta duração, acabam por colmatar, um pouco, essa lacuna, oferecem um pouco dessa experiência, rica, da criação artística e do trabalho em coletivo num contexto universitário.

Acredito que seja um grande orgulho para a UL fazer acontecer
um evento como este, quando tão pouco se investe e fala nesta área…

Este é o único festival de teatro organizado por uma Reitoria de uma Universidade Pública. A Reitoria da UL continua, tal como em 1999, ano de criação do FATAL, a acreditar na importância de divulgar o teatro universitário, de apoiar, na medida do possível, os grupos que o fazem e, sobretudo, num contexto de asfixia como o que vivem as estruturas culturais nacionais, a pretender dar cada vez mais espaço, palco e voz aos grupos de teatro universitário. É um grande orgulho perceber que os grupos acarinham o festival, que continuam a acreditar no projeto e que, como nós, não baixam os braços perante as dificuldades. É feito um projeto com a generosidade de parceiros e com a dedicação de muitas pessoas que veem o FATAL como festival único que é.

Não queres perder a oportunidade de assistir aos espetáculos do FATAL 2013?
A pensar em ti, a Mais Superior e o FATAL têm 2 convites duplos para a peça “Suicídio de Amor Por Um Defunto Desconhecido”. Habilita-te, também, aos 5 convites duplos para a grande final.

Participa aqui!

100

 

Mais informações:

Datas: de 7 a 25 maio;
Local: Teatro da Politécnica, em Lisboa;
Preços: 5 euros (público em geral) e 3 euros (estudantes e profissionais das Artes do Espetáculo)

 

 

 

[Foto: Cedida pela entrevistada]

Partilhar

Comente este artigo

Please enter your comment!
Please enter your name here

*