Do teu lado… Do outro lado da linha

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Desabafar os problemas que nos afligem com as pessoas que nos são mais próximas, os amigos, a mãe, o pai ou os colegas de turma, nem sempre é fácil.

Falar de sexualidade ou de relacionamentos amorosos que não correram como esperávamos e que nos partiram o coração é sempre constrangedor. E a ideia de que os outros nos vão julgar ou que então não nos vão perceber também não nos larga. Mas se alguns problemas parecem mais simples de resolver, outros como a perda de um familiar, são difíceis de ultrapassar…

São muitos os jovens que entram em desespero pelas mais variadas situações. Pequenos episódios que, muitas vezes, tomam grandes proporções na cabeça de um jovem, pelo facto de estar deslocado da sua cidade, do seu ambiente, da família, dos amigos de infância e do seu próprio quarto que, sabemos bem, é muitas vezes o nosso porto de abrigo. E é nesses casos que desabafar com alguém que, mesmo não te conhecendo, disponibiliza o seu tempo apenas para te ouvir, é uma solução.

telefone

“Boa noite, estou a ligar porque preciso mesmo de alguém que me ajude”. Este poderia ser o início de uma das muitas chamadas que chegam à SOS Estudante. Do outro lado, as palavras não são sempre as mesmas, a missão é que não muda: escutar o outro de forma anónima e confidencial, e dar-lhe o tempo e atenção de que precisa para expressar livremente os seus sentimentos.

Foi a consciência de que existe um grande número de jovens, e em particular de estudantes, que precisa do apoio de uma voz amiga, que levou um grupo de estudantes a fundar este serviço. Mas isto aconteceu há 15 anos atrás. Será que hoje os jovens também precisam dessa ajuda? Joana Paiva, presidente da Linha SOS Estudante, integrada na Associação Académica de Coimbra (AAC), não tem dúvidas: “Essa necessidade continua a existir e, quem sabe, até em maior escala. A imagem que passa do ambiente universitário onde estamos inseridos esconde, muitas vezes, os casos de desespero e solidão de jovens que se sentem deslocados e desintegrados na nossa sociedade”.

Uma ajuda para todos

Aquele que foi um serviço pensado para ajudar os estudantes, com o passar do tempo, foi chegando a mais pessoas. Hoje são muitas as mulheres e muitos os homens mais velhos que também procuram ajuda nesta linha. “Adotámos a regra de sempre atender e apoiar todos os que a nós recorrem, independentemente de tudo, da idade, da profissão…”, diz-nos Joana.

Vozes com bom coração

Mas, afinal, quem é que está do outro lado da linha? Respondemos com outra pergunta: Num serviço dirigido a jovens, quem melhor do que os pares para melhor entenderem os seus problemas, as suas angústias e as suas frustrações? Do outro lado da linha estão estudantes do Ensino Superior de Coimbra, de várias áreas de formação académica, que disponibilizam cerca de 15 horas mensais em horário noturno para estarem verdadeiramente ao serviço do outro. Mas para tão importante função não basta ter bom coração. Todos eles recebem formação específica em diversas áreas como, por exemplo, estratégias de comunicação e escuta ativa, suicídio e sexualidade.

Os nomes não sabemos e é suposto que assim seja. O que sabemos é que, para além do sentimento de missão cumprida quando conseguem ajudar quem está do outro lado, mais nenhuma recompensa recebem. Os 20 jovens que aqui trabalham fazem-no de forma ‘invisível’ e em regime de voluntariado.

Tem sido assim ao longo dos 15 aos de vida e é desta forma que querem continuar. “É reconfortante pensar que existirá sempre alguém disponível para escutar quem precisa, à distância de um telefone”, confessa-nos a presidente da AAC.

Uma sociedade atenta aos jovens

O trabalho da SOS Estudante não se esgota nesta linha de apoio. O serviço tem ainda cinco voluntários que trabalham no terreno, como nos explica Joana: “O nosso trabalho passa também por sensibilizar a comunidade para esta realidade, muitas vezes oculta, através de diversas atividades culturais, como exposições, debates ou conferências, subordinados aos temas que merecem maior destaque dentro da nossa esfera de atuação, como a solidão, o luto, a morte, o suicídio ou a sexualidade”.

Homens e rapazes pedem mais ajuda

De acordo com os dados mais recentes da SOS Estudante, onde foram consideradas as chamadas recebidas entre outubro de 2011 e setembro de 2012, 90% dos que recorrem a esta linha são do sexo masculino e têm entre 18 e 35 anos. Segundo nos revelam os números, 34% das chamadas dizem respeito a questões relacionadas com relacionamentos. A sexualidade é também motivo de preocupação por parte destes homens e foram o motivo de 25% pedidos de ajuda. As chamadas onde o principal tema é o suicídio corresponderam a menos de 3% das chamadas atendidas nesse período.

À distância de uma chamada
Em caso de necessidade ou de ajuda, podes ligar o 808 200 204 (número azul)
ou então o 96 955 45 45, de segunda a sexta-feira, das 20h à 1h (exceto no período de férias escolares). Sabe mais em facebook.com/pages/Linha-Sos-Estudante.

[Foto: facebook.com/sos.estudante]

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