A visão de Simon

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Começou, a semana passada, mais um IndieLisboa – Festival de Cinema Independente em Lisboa – que celebra este ano o seu 10º aniversário. A Mais Superior já andou por lá a ver filmes.

A primeira sessão a que assistimos, “Simon Killer”, pertence à seção “Competição Internacional” e aconteceu no dia 23, às 21:45h. A sala Manoel de Oliveira estava bem composta, o que significa que o repto feito no anúncio surtiu efeito e as pessoas foram à procura de algo novo.

De facto, não podia ter ser uma melhor estreia para a Mais Superior, pois o filme encaixa na perfeição com o objetivo do festival. “Simon Killer” é um filme americano do realizador Antonio Campos, que esteve presente na sessão. Antes do filme começar, pediram-lhe para dizer algumas palavras, e de forma pragmática ele respondeu: “I wish you a very disturbed experience”. No final do filme, foi possível constatar que é realmente um filme perturbador, não só pelo argumento ser bastante dramático, mas também pela forma como o filme foi realizado.

Começando pelo argumento, podemos dizer que este é muito simples e poderia ter tudo para ser redutor. O filme retrata as férias que Simon decidiu tirar em Paris, por forma a conseguir ultrapassar um desgosto amoroso. No entanto, o que vemos é o contrário: o desespero em encontrar quem quer seja que o faça esquecer a sua frustração, leva-o a seguir um caminho de deterioração moral e psíquica trágica.

No que diz respeito às questões técnicas, podemos dizer que este jovem realizador nova-iorquino (29 anos!) tem tudo para ter uma grande carreira pela frente. É o seu trabalho de realização que torna o filme tão bom e tão especial. Existe uma relação quase simbiótica entre a imagem e o som, o que ajuda a construir toda uma experiência sensorial intensa e empática com o protagonista. Os planos são sempre fechados, construindo uma ligação mais próxima com os personagens, e muitas vezes vemos o foco da ação nas costas de Simon, o que nos ajuda a observar o seu drama enquanto voyeurs. Para além disso, vemos planos descentrados e disruptivos, que dão ênfase a pequenos pormenores que ajudam a contar a história de uma forma subtil, inteligente e alternativa. Existem ainda algumas sequências de corte entre planos bastante inquietantes, onde a imagem e o som se deterioram para algo psicadélico, aumentando assim a catarse do espetador.

Os atores são todos muito bons, mas é importante realçar a representação de Brady Corbet – o actor principal que faz de Simon – pois o filme todo gira em torno do seu personagem. O argumento é simples, mas é de facto através do trabalho de Antonio Campos e de Brady Corbet que o filme nos atinge de forma intensa e avassaladora.

De a 0 a 5, achamos que este filme merece um 4!

[Foto: mubi.com]

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