Calibrados para o sucesso

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Mãos ao alto e ouvidos bem abertos, porque eles não deixaram o ‘poliziottesco’ dos anos 70 morrer em paz. Enrico Gabrielli, Luca Cavina, Massimo Martellotta e Fabio Rondanini ressuscitam as calças à boca de sino, os colarinhos compridos e salvam jovens mulheres das mais violentas explosões desde 2007, através do projeto musical Calibro 35

Responsável pelo concerto de encerramento da 8 ½ – Festa de Cinema Italiano, no Teatro do Bairro, em Lisboa. O produtor Tommaso Colliva dispara algumas curiosidades sobre a banda, em entrevista.

Como é que se conheceram?

Conhecemo-nos devido a mim (risos). Já tinha trabalhado com todos eles em projetos que não estavam relacionados com a banda. Como eu era muito amigo do Massimo, já tinha falado com ele sobre fazermos algo juntos musicalmente, pois possuíamos experiência no ramo. Depois, durante um tour de dois meses com outra banda (os Afterhours) pelos EUA, foi quando decidimos fazer alguma coisa da nossa autoria, do género banda sonora e que fosse bem italiana. Elaborei uma lista de pessoas que iriam certamente gostar da experiência de tocar bandas sonoras e propus uma semana de gravações em estúdio, onde nos iríamos divertir e conhecer melhor. Ia ser divertido…. E foi. Também foi muito produtivo e 80% das músicas que integraram o nosso primeiro álbum nasceram durante essa semana. Um amigo nosso, que era uma espécie de manager e vivia no Luxemburgo, ouviu as nossas músicas e disse para irmos lá. Nós fomos, também demos alguns concertos na Bélgica e foi assim que começámos, pois percebemos que podíamos ter audiência.

Porquê Calibro 35 e não Calibro 22 ou 38, por exemplo? Algum motivo especial para o nome da banda?

(Risos) Infelizmente não encontrámos um nome melhor… Essa é a verdade verdadeira. Calibro 35 foi o primeiro nome que nos veio à cabeça por duas razões: “Milano calibro 9” é um filme italiano muito famoso e que imediatamente se enquadra na música que fazemos; e 35 é o tamanho da película de cinema. Portanto… O calibre da nossa arma é do tamanho do filme. Mesmo depois de termos lançado o disco, não arranjámos outro nome melhor – recebemos até e-mail que nos pediam para, por favor, mudarmos de nome. Mas isso não aaconteceu…

Quais são as vossas principais fontes de inspiração na hora de fazer música?

Começámos por prestar atenção aos filmes do género ‘poliziottesco’, que são filmes de ação italianos de Série B – nós temos 12 músicas no primeiro álbum e 10 delas são uma espécie de best off do ‘poliziottesco’: de “Milano Odia” a “La Mala Ordina”, “Summertime Killer”… Depois descobrimos que os filmes ‘poliziottesco’ não nos chegavam, que havia pouca dinâmica, e resolvemos acrescentar o nosso próprio material. O melhor feedback que tivemos veio de pessoas que chegavam ao pé de nós e perguntavam: “qual é esta banda sonora?” ou “de que filme dos anos 70 é esta?” e nós respondíamos: “não, isto são originais nossos”. Ou então ao contrário… “esta vossa música é mesmo boa” e nós dizíamos: “não, isto é do Enio Morricone” (risos). Portanto, achámos que o nosso trabalho era credível.
O nosso primeiro trabalho foi quase todo covers de outras pessoas, o segundo foi 50/50 e o terceiro foi já feito com 80% de material da nossa autoria.

Como é que descrevem a experiência com a Festa do Cinema Italiano, aqui em Portugal, onde além de serem banda sonora do teaser de apresentação, foram a banda responsável pelo concerto de encerramento?

Já tinha vindo a Portugal, mas só em regime de férias, durante uma semana. Esta é a primeira vez que venho a um Festival de Cinema Italiano fora de Itália. Tenho ido a outros festivais de cinema… Mas cinema italiano não. E a 8 ½ – Festa de Cinema Italiano, na secção “Mani in Alto”, contou com uma seleção de filmes muito bons do género ‘poliziottesco’, exibindo também o documentário “Eurocrime”, com banda sonora da nossa autoria.
E tocar a banda sonora ao vivo ao mesmo tempo que o documentário é exibido (que foi o que aconteceu no concerto), foi algo muito porreiro. E é muito porreiro também o facto desta mostra de Cinema Italiano em Portugal percorrer várias cidades portuguesas além de Lisboa – e fora do país. E para verem que não estou a mentir, posso contar que escrevi na página oficial de Facebook dos Calibro 35 (facebook.com/calibro35) que este festival de Cinema Italiano era tão bom que devíamos ter um igual em Milão… Porque não temos (risos).

O vosso trabalho é quase todo instrumental, mas houve já ocasiões em que convidaram algumas vozes para determinadas canções. Como surgem as faixas cantadas?

Fizemos isso no primeiro álbum, porque havia uma canção “L’appuntamento”, que tinha sido escrita pelo Roberto Carlos e o irmão Erasmo Carlos… E essa experiência foi muito boa, porque no mesmo álbum tínhamos estes dois contrastes: música instrumental cheia de ação e adrenalina e música muito ‘melo’. Mas depois disso, vimos que era tão fixe fazer músicas, que achámos que seria melhor deixar esta opção ‘vocal’ para ocasiões especiais, sem cairmos na rotina. Portanto, os Calibro 35, para já, vão continuar a ser um projeto instrumental.

Tiro certeiro nos ouvidos
A volta ao mundo ao Cinema Italiano é possível em menos 80 dias ao som dos Calibro 35. Graças ao roteiro (e bom gosto) do seu produtor, Tommaso Colliva (Muse, Franz Ferdinand, Gutter Twins), a banda resgata grandes clássicos dos anos 60 e 70, junta-lhes uma pitada de modernidade e oferece homenagens sonoras a diretores como Dario Argento, Mario Bava ou Umberto Lenzi.
Com notas musicais inspiradas em subgéneros que vão do Giallo ao Terror, passando pelo Suspense, a Ação, os Policiais e os clássicos de Exploitation, os Calibro 35 dão nova roupagem a grandes clássicos de Franco Micalizzi, Armando Trovaioli ou Ennio Morricone, acrescentando nos álbuns faixas da sua autoria. O resultado é sempre o mesmo: muitas bandas sonoras carregadas de Funk, Rock, Groove Psicadélico… Para conhecer melhor aqui.

[Foto: calibro35.net e Ivan Ferreira]

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