A Licenciatura não me chega!

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No tempo dos teus pais, possuir um Mestrado ou um Doutoramento era um feito raro que dava direito a respeito, reconhecimento social e emprego garantido e bem remunerado. 

Hoje em dia, possuir uma Pós-Graduação Pós-Bolonha é já requisito quase obrigatório para todos os jovens que, como tu, anseiam ingressar no mercado de trabalho. Se te encontras a meio duma Licenciatura e queres saber de que forma podes marcar a diferença dos restantes candidatos, descobre qual a melhor aposta formativa de 2º Ciclo para ti.

Depois da implementação do Processo de Bolonha em Portugal, concluir uma Licenciatura leva agora apenas três anos – período de tempo que nem todos os empregadores consideram ‘suficiente’ para aprender o que é necessário para agarrar um primeiro emprego com a pujança das ‘velhinhas’ licenciaturas de quatro e cinco anos. Como para a mesma área de estudos podem existir imensas nomenclaturas (veja-se, por exemplo, um conjunto de jovens jornalistas recém-licenciados à procura de emprego e que podem ter cursado Licenciaturas tão variadas como “Comunicação Social e Cultural”, “Relações Internacionais”, “Jornalismo” ou “Ciências da Comunicação”, entre outras) como fazer para distinguir o candidato que melhor serve os propósitos duma única vaga de emprego numa empresa? Analisar CV por CV e ficar à espera que estejam discriminadas todas as disciplinas e a respetiva avaliação durante o plano de estudos? Não! A resposta está na especialização obtida com uma Pós-Graduação: se os candidatos a jornalista tiverem uma base formativa mais ‘geral’, garantida pelas Licenciaturas que noméamos, mas possuírem ainda uma ramificação de conhecimento (que pode ser uma Pós-Graduação, um Mestrado ou um Doutoramento…) em áreas específicas como Rádio, Televisão, Economia, Música, Literatura, Política… Aí sim, ficará mais claro para o empregador quais os finalistas a chamar para a entrevista presencial.
As Instituições de Ensino Superior estão atentas e não querem, por isso, desiludir os alunos que lá concluem os seus Cursos de 1º Ciclo, tendo, portanto, à disposição dos seus candidatos uma imensa panóplia de cursos de Pós-Graduação onde, por vezes, o mais difícil é mesmo escolher…

Pós-Graduação, MBA, Mestrado, Doutoramento…
O que escolher?
Como já sabes, os atuais cursos de Licenciatura (1º Ciclo) têm a duração de três anos, sendo que no final é conferido ao aluno um diploma com o grau de licenciado. O diploma de 1º Ciclo permite a mobilidade direta para um 2º Ciclo dentro da mesma área de formação (é o caso dos Mestrados Integrados), para um 2º Ciclo duma área diferente da formação inicial ou a empregabilidade direta nalgumas áreas de trabalho.
Mas e depois? O que estudar? A pergunta paira muitas vezes na cabeça dos candidatos, mas a resposta requer uma análise caso a caso, dependendo dos objetivos profissionais e pessoais de cada pessoa. Se, por um lado, traz melhoria dos conhecimentos e dá uma lufada de ar fresco ao CV, atualizando as formações adquiridas, uma Pós-Graduação pode ainda permitir um impulso na carreira profissional, porque o graduado vai estar mais bem preparado para os desafios do mercado de trabalho, cada vez mais competitivo.

Pós-Graduação:
É a especialização com menor duração, ideal para quem quer aprofundar uma área concreta, não deixando por isso de satisfazer novas necessidades do mercado ou de acompanhar as novas tendências empresariais. Estes cursos estão direcionados para quem quer uma formação mais focada no desenvolvimento de competências específicas.

MBA:
O Master in Business Administration (MBA) está mais indicado para jovens executivos e que se encontrem já a trabalhar em empresas. É o curso mais procurado por profissionais que ambicionam melhorar os seus conhecimentos em áreas relacionadas com Negócios, Administração ou Gestão Empresarial. Devido ao investimento em tempo, energia e dinheiro que exige, é das Pós-Graduações mais valorizadas pelo mercado de trabalho, por dar uma preparação mais ligada ao mundo empresarial, com cunho mais internacional e exigente.

Mestrado:
Os cursos de Mestrado podem ter a duração de dois ou de cinco anos. Os cursos de Mestrado com a duração de 5 anos têm a designação de Mestrado Integrado e referem-se a um curso composto por dois Ciclos: 1º Ciclo, ao fim do qual é conferido ao aluno um diploma com o grau de licenciado; e 2º Ciclo, no final do qual é conferido ao aluno um diploma com o grau de Mestre.
Esta Pós-Graduação tem como objetivo estudar e dominar um assunto específico dentro dum tema, juntando à formação teórica recolhida durante a Licenciatura a experiência conseguida junto do mercado de trabalho (para os que já tiveram essa oportunidade). Para tal, o aluno deve produzir uma dissertação/tese final sobre um assunto do seu interesse.
O Mestrado é também procurado por quem quer ser professor ou investigador, mas também pode ser feito por quem deseja apenas ampliar os seus conhecimentos para ter uma melhor formação (e consequente oportunidade) no mercado de trabalho.

Doutoramento:
Os programas de Doutoramento têm a duração de três-quatro anos e incluem a aprovação num plano curricular e a defesa duma tese – estas teses de Doutoramento originam, repetidas vezes, livros que ajudam outros alunos nas suas pesquisas académicas.
Ao exigir a exploração teórica dum determinado assunto e imensa fundamentação baseada em pesquisas, esta Pós-Graduação é mais aconselhada a quem procura uma carreira académica ou está empenhado em contribuir com novas pesquisas para a sociedade e que aumentem ainda mais o prestígio da Universidade onde concluiu o Doutoramento.
Geralmente, o Doutoramento é feito por candidatos que possuem já o grau de Mestre, mas não é obrigatório ser assim – alunos com altas médias na Licenciatura, por exemplo, ‘saltam’ diretamente para esta Pós-Graduação.

Mestrados em força depois de ‘Bolonha’
Patrícia Pita, Gestora de Clientes da RHmais
Selecionar dezenas de candidatos (quando não são centenas) para uma única vaga de trabalho não é tarefa fácil para Patrícia Pita, que trabalha na RHMais – Organização e Gestão de Recursos Humanos, SA, empresa especialista em serviços de Formação, Recrutamento e Seleção, Consultoria Empresarial e Recursos Humanos, prestação de serviços de business process outsourcing, entre outros, tendo como clientes algumas das maiores empresas nacionais, grandes entidades institucionais e mais de um milhar de PME.
Segundo a experiência de Patrícia, “desde que o Processo de Bolonha entrou em vigor, para todas as funções que requeriam Licenciatura, passou a ser solicitado o Mestrado. Quanto a Doutoramentos, para a grande maioria das entidades empregadoras não é solicitado”.

Patricia Pita RHmais
Patrícia Pita, Gestora de Clientes da RHmais.

Quanto à remuneração que estão dispostas a pagar as empresas por mais formação nos seus colaboradores, Patrícia Pita reitera que “as empresas continuam a procurar a Licenciatura (Pré-Bolonha) ou o Mestrado Integrado (Pós-Bolonha), visto que o primeiro deu origem ao segundo” e que “relativamente à questão da remuneração, embora as empresas tenham reduzido nos últimos anos os valores de remuneração dos seus quadros, o nível de qualificação requerido não foi alterado, mantendo as empresas a necessidade de integrar recursos qualificados”.
A nível das especializações, é difícil dizer que há uma área mais procurada, sublinha Patrícia. “Mas talvez arrisquemos dizer que as áreas mais tecnológicas ainda são as que têm melhor aceitação”, conclui esta profissional da RHMais, acreditando que “para trabalhar na área de Formação, para quem fez o curso já sob a égide de Bolonha, ter o Mestrado é importante. Contudo, é importante ter alguma experiência profissional para que os Mestrados, Pós-Graduações e/ou outras formações possam ser aproveitados na sua plenitude e não sejam apenas teorias”.

“Estar a frequentar o Mestrado é uma valorização importante do meu currículo”
Francisco Neves, mestrando em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação no ISCTE-IUL.
Francisco Neves tem 26 anos, é licenciado em Tecnologias da Informação e Comunicação pela Universidade de Aveiro (UA) e trabalha no e-Learning Lab da Universidade de Lisboa (UL), o gabinete responsável por promover a utilização das TIC nas práticas de ensino e aprendizagem da comunidade da Universidade. Atualmente, encontra-se a tirar o Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação no ISCTE-IUL. “Estar a frequentar o Mestrado é uma valorização importante do meu currículo. Acho que é preciso lutar com a ideia de que ‘estudar já não conta para nada’, coisa que ouvimos tanta gente dizer. Ter uma formação académica continua a ser importante e deixa-nos mais aptos a encontrar soluções no mercado de trabalho, esteja ele numa situação boa ou má. No meu caso, sinto que o que estou a aprender é importante para o meu trabalho na equipa do e-Learning Lab.”, refere este aluno, nada arrependido de ter prosseguido estudos após a Licenciatura.

FranciscoNeves
Francisco Neves não se arrepende de ter continuado a estudar.

“A minha necessidade de partir para uma Pós-Graduação surgiu depois de ter estado algum tempo desempregado e de ter verificado que o mercado de trabalho procura nos recém-licenciados nesse curso um perfil que não era necessariamente o meu. Senti que as empresas valorizavam mais os conhecimentos em programação do que em outras áreas como Comunicação e Gestão, que considero terem sido importantes durante o curso e que vão mais de encontro ao que eu pretendia fazer na área das tecnologias. Concorri então a este Mestrado no ISCTE-IUL de forma a conseguir qualificações na área das tecnologias mas segundo uma vertente mais sociológica. Interessa-me estudar as TIC na forma como afetam a vida das pessoas e o funcionamento das instituições e não propriamente saber programar um site ou algo do género. Este mestrado do iSCTE-IUL tem-me permitido isso.”
Para os que estão a pensar também numa Pós-Graduação, Francisco deixa estas preciosas dicas: “penso que no ensino pós-graduado há um maior incentivo a práticas de estudo autónomas. A grande parte do trabalho que faço para o Mestrado é de investigação, servindo as aulas que tive como uma orientação para esse trabalho de pesquisa. No meu caso, por exemplo, por trabalhar em regime full-time, a gestão do tempo é importante e o Mestrado está organizado de forma a ter isso em conta. Esta maior autonomia não significa, ainda assim, que haja uma menor ligação entre aluno e professores”.

“Os conhecimentos agora são muito mais abrangentes e coesos”
Irina Bartman Ferreira, mestranda em Fiscalidade no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL)
A primeira opção formativa de Irina foi a Licenciatura em Contabilidade e Administração, ramo de Contabilidade, no ISCAL. Após a conclusão deste curso, a jovem de 22 anos decidiu continuar os seus estudos, desta vez com um Mestrado em Fiscalidade, também no ISCAL. “Esta opção surgiu com uma vontade minha de me especializar noutro ramo da minha área, que não a Contabilidade. Um estágio que tinha feito na área de Contabilidade e experiências de outros colegas, fizeram-me ver a mais-valia que poderia ser para a minha vida profissional, uma especialização em Fiscalidade. Por outro lado, este Mestrado tanto me dá hipóteses de subir na carreira, como me abre portas a outras opções profissionais que possa tomar”, garante Irina Bartman Ferreira, que atualmente desempenha funções de assistência contabilística e fiscal de médias e grandes empresas, na PricewaterhouseCoopers.

Irina Bartman Ferreira
Irina Bartman Ferreira fala das vantagens do Mestrado.

Para esta mestranda, prosseguir estudos significa aumentar a fasquia da exigência: “o ensino de Pós-Graduação difere do ensino de Licenciatura, principalmente pelo grau de exigência. Na Pós-Graduação, parte-se do princípio que tudo aquilo que foi lecionado na Licenciatura está assimilado. Já trabalhar na área, como é o meu caso, ajuda em alguns aspetos, nomeadamente o facto de aplicarmos ao nosso dia-a-dia aquilo que de novo estamos a aprender. Por outro lado, envolve muito mais sacrifícios, pois além de um maior nível de exigência, passamos a ter muito menos tempo para nos dedicarmos aos estudos”.
Mas os ‘louros’ por tamanho sacrifício também chegam, explica Irina Bartman Ferreira, mostrando-se muito satisfeita com esta opção de continuar a estudar depois da Licenciatura: “o Mestrado melhorou a minha vida profissional pois noto que ganhei muito mais desenvoltura a resolver questões, para além dos conhecimentos que agora são muito mais abrangentes e coesos. O Mestrado abriu-me novos horizontes no futuro, tanto a nível de progressão na carreira como a nível de novas experiências profissionais. O Mestrado melhorou ainda a minha vida em termos pessoais, pela diversidade de pessoas e suas experiências profissionais, com quem contactei (tanto professores como colegas)”.

[Foto: Cedidas pelos entrevistados]

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4 COMENTÁRIOS

  1. O que eu acho é que essa situação do mestrado, pós-graduações e afins do denominado segundo ciclo é um grande negócio para as universidades. Aliás, os cursos pós-Bolonha vieram favorecer o negócio porque só se consegue uma especialização tirando um mestrado, logo um curso dura cinco anos e não três.
    Uma mentira completa tudo isso do mundo universitário.

    • Tens toda a razão, independentemente do que se possa aprender é um bom negócio para as universidades e para a sua sustentabilidade. Para onde iriam os seus recursos e os investimentos, humanos e outros que foram feitos, se não fossem as actuais circuntâncias académicas e progressão nas carreiras?…Já agora…e a experiência profissional?…não conta?…não vale nada?…esta sociedade está a criar teóricos…vejam o que se passa nos EUA!…

      • eles só criam ansiedade nas pessoas que só atingindo essas qualificações e que a pessoa próspera na vida eles só querem tirar o seu dinheiro existe muitos empregadores que não tem mestrado nem doutoramento e tem muitos mestres e doutores a trabalhar para eles uma licenciatura bem feita é suficiente para a pessoa saber dominar o mercado que hoje é cheia de incerteza.

        • Também, estou de acordo com o Sr, Claudio Santos : que uma licenciatura vem estudada em três anos é, suficiente em questão de teoria e também na prática. Os empresários grandes e médios só, querem tirar o seu dinheiro existe muitos empregadores que não tem mestrado nem doutoramento e tem muitos mestres e doutores a trabalhar para eles uma licenciatura bem feita é suficiente para a pessoa saber dominar o mercado que hoje é cheio de incerteza.

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