A tragicomicidade de Ciprì

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A Mais Superior já andou a ver alguns dos filmes que integram a 6ª edição da 8 ½ – Festa do Cinema Italiano, em Lisboa. O primeiro foi “É Stato il Figlio” (“A Culpa é do Filho”).

Este filme de 2011, realizado por Daniele Ciprì, é um filme tipicamente europeu, que foge ao estilo hollywoodiano. E por isso é um filme diferente, mais difícil de entender, dado que não tem a estrutura temporal mais comummente reconhecida por nós e tem um encadeamento do argumento que não nos é muito familiar.

Para além disso, é um filme que mistura vários estilos de representação. Podemos identificar a sátira, o humor, a tragédia e uma mistura interessante e dicotómica entre o real e o nonsense.
Teoricamente, pode dizer-se que é um filme que se enquadra na categoria tragicómica, onde o humor e a tragédia andam de mãos dadas ao longo do filme.

Em termos técnicos, o filme é brilhante, com uma fotografia de cortar a respiração e com planos e sequências que são uma obra de arte. O que revela um entrosamento e simbiose perfeita entre Daniele Ciprí (Realizador) e Mimmo Caiuli (Diretor de Fotografia).

O argumento é, sem dúvida, onde é mais visível a complexidade do filme. A narrativa é contada em flash-back, ou seja: o narrador, que também faz parte do filme, relata uma fase trágica da sua vida que acontece durante a sua adolescência. Portanto, o filme está constantemente intercalado com o presente, com os relatos de ‘Busu’, e com o passado, onde vemos a história real a acontecer.

A temática incide num retrato sui generis de uma família pobre, que mora na periferia de Palermo. Existem momentos hilários, onde a realidade é por si só colocada de forma crua, mas familiar aos nossos olhos. Há também sequências onde vemos o non sense a ser trabalhado pelo argumento e pelo realizador, de forma a dar um cunho mais artístico e diferenciador no filme. A sátira está também presente, para que sejam mais percetíveis, ainda que de forma subtil e inteligente, as simbologias e estereótipos que fazem parte da realidade de qualquer área pobre e suburbana da Europa contemporânea.

Considerando uma escala de 0 a 5, achamos que é filme que merece um 4!

Os filmes da 6ª edição da 1⁄2 – Festa do Cinema Italiano continuam, até dia 28 de março, na cidade de Lisboa. Passam depois por Coimbra (de 2 a 5 de abril), Porto (de 4 a 7 de abril), Funchal (de 11 a 14 de abril), Loulé (de 19 a 21 de abril) e Luanda (de 6 a 9 de junho).

[Foto: youtube.com/fandango ]

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