Tribos urbanas, surfistas: O verão é deles, o inverno também

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“O surf não é um desporto fácil, é preciso muita persistência”. Quem o diz é Pedro Oliveira, surfista de todos os dias – “concordo com o Gonçalo Cadilhe [escritor de viagens e devoto do surf] quando diz que o que separa os verdadeiros surfistas dos outros é o inverno”.

É preciso amor às ondas para “vestir um fato húmido do dia anterior” numa manhã fria.

Mas frio, chuva e vento não foi o que apaixonou as novas gerações: “é fácil qualquer pessoa identificar-se com o estilo de vida, o contacto permanente com a natureza e o ar livre, as praias desertas e os destinos exóticos, os fatos de banho e as pranchas coloridas, o andar o ano todo bronzeado”.

A moda não é nova: na década de 70 surgiam os primeiros campeonatos de surf e a modalidade tornava-se célebre à escala mundial. Os EUA são considerados pátria-mãe e as praias do sul da Califórnia o primeiro berço.

Em Portugal, lembra Pedro, não foi bem assim, e o surf era visto como “algo marginal, muito ligado às drogas e à delinquência”. O que mudou? “O quebrar desse estigma, aliado ao facto de termos pela primeira vez um surfista português [Tiago “Saca” Pires] a competir ao mais alto nível, à realização da prova do Campeonato do Mundo em Peniche, às ondas gigantes que têm sido surfadas na Nazaré…”.

Para Pedro, a paixão é coisa antiga, dos tempos de escola e dos amigos que o ‘atiraram’ ao mar. Hoje é mais difícil compatibilizar horários, mas “é sempre melhor surfar e viajar com amigos”. Já para a família pode não ser fácil “viver o dia-a-dia em função de tabelas de marés e previsões meteorológicas”.

O surf é uma ótima “fuga à rotina” e, por isso, Pedro quer fazê-lo até que as forças o permitam: “exemplos como o do Pedro Martins de Lima, primeiro surfista em Portugal, que com 80 e poucos anos ainda surfa, dá-me essa esperança e convicção”.

PedroOliveira

[Fotos: Deposit photos e Pedro Oliveira]

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