Tribos urbanas, retro: Um gosto de outros tempos

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Para a categoria retro, o melhor é deixar falar quem a leva no corpo: “retro é aquilo que se reporta a uma imagem caraterística de determinada época”.

Martha Gens, 28 anos, apressa-se a distinguir: “não necessariamente pin up. As pin ups são um ícone de uma época, como os Beatles são de outra e, no entanto, ambos são retro”.

Feitos os esclarecimentos, partimos para a origem da questão: “surgiu pelo meu gosto cinematográfico, visual e musical, que vai a partir sensivelmente dos anos 20 e se prolonga até aos anos 50”. A influência? “Fui educada a ver bons (e antigos) filmes, a ouvir boa música, desde jazz, a rock n’roll, e o fascínio nasce desses cenários”.

A avó, “lindíssima”, passeava-se pela baixa lisboeta com roupa que Martha não desdenharia e, a esses traços, tenta agora dar uma roupagem moderna. “A título de exemplo, gosto de usar franja ou poupa, que se usava à data, mas adoro tatuagens, e que me lembre, a Marilyn [Monroe, considerada por muitos um dos ícones pin up, ainda que Martha prefira Bettie Page] não usava tatuagens e piercings”.

Para além de alguns gostos em comum, a imagem é o principal fator de ligação deste grupo: “não existem modos de pensar (social, cultural ou economicamente) associados, acho que isso cabe a cada um usar a sua cabeça, e ainda bem que assim o é”.

Do preconceito recorda uma história passada na faculdade, quando um colega lhe disse ser ‘démodé’ usar franja em V: “no ano seguinte estavam na moda e a minha faculdade, repentinamente, inundou-se de franjas”.

Martha prefere manter-se assim, à margem de modas ou soslaios – “estudei numa faculdade ainda conservadora, a Faculdade de Direito de Lisboa, mas isso nunca me afetou”. E conclui: “demonstra determinação e que pensamos pela nossa própria cabeça, e não por aquilo que nos injetam todos os dias”.MarthaGens

[Foto: Deposit photos e Martha Gens]

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1 COMENTÁRIO

  1. É bom saber que ainda há, e quem sabe cada vez mais, um interesse pelas sub-culturas mais à margem do que é comum, do que é “a moda”. Parabéns João Correia! Muito boa escolha pelo trabalho e pela escolha da entrevistada! =]

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