Achados na tribo

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Nascidas num mundo globalizado, as tribos urbanas vieram para lhe fazer frente. Apoderam-se do vestir, do comer, do pensar e do desejar de quem as segue por convicção, influência ou escapatória. A Mais Superior foi pedir ajuda para tentar percebê-las.

Vem desde os tempos de escola, quando olhavas para a direita e, em vez do rapaz tímido de jeans e camisa aos quadrados que costumavas encontrar, davas de caras com um gótico. Ou quando deixavas de reconhecer a tua paixão de sempre, que agora te dizia ser retro. E os grupos de rapazes e raparigas se dividiam consoante a música que ouviam, o que fazia das roupas de um indie uma experiência visual bem diferente da proporcionada por um metaleiro.

Paula Guerra, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (U.Porto), diz que os jovens sentem muitas vezes uma “necessidade de identificação na massa”, que pode tornar-se visível através da roupa, da música ou de outras atividades.

Para a socióloga, a questão da indumentária tem perdido força, devido à “multiplicidade de oferta e de modos de vestir” que hoje encontramos, sendo a música o principal ponto de partida – “é a mais intertextual das artes”, que leva a um arrastamento para outras áreas, como o cinema, os livros, a frequência de espaços, “o próprio circuito na cidade”.

A docente, atualmente a desenvolver um estudo sobre o punk em Portugal, aponta ainda a diferença entre um estilo e uma moda: “são dois fenómenos que decorrem em simultâneo – há aquilo que é cool num determinado momento e não é noutro; e há o estilo, há uma objetivação desse estilo, que passa eventualmente por uma questão cívica, de cidadania, de forma de estar”.

As marcas estão a ganhar

Quem está de fora não lhes fica indiferente: “a sociedade tende a criar imagens e tem necessidade de rotular”, garante Paula Guerra. Porquê? “Porque é fácil, elas tornam-se mais controláveis”.

Admitindo a existência de alguns grupos “malditos”, pouco aceites pela generalidade das pessoas e alvo de ideias preconcebidas, a socióloga explica que quem tem muito a ganhar com o fenómeno são as marcas: “o marketing aproveitou-se disso e hoje o capitalismo vive do diferente, já não é do igual”.

Dando o exemplo concreto da Vans, marca que hoje apoia inúmeras bandas hardcore, Paula Guerra conclui: “mesmo nos festivais mais alternativos, os jovens estão cobertos de marcas”.

Voz a quem as vive por dentro

Apresentamos-te algumas das tribos urbanas mais facilmente identificáveis, sabendo que este é apenas um artigo ilustrativo e que não representa a totalidade de opções ou variações com que te cruzas todos os dias.

Retro
Retro
Geek
Geek
Surfista
Surfista
Hippie
Hippie
Punk
Punk
Metaleiro
Metaleiro
Lolita
Lolita
Ambientalista
Ambientalista

[Fotos: thewomensclothes.onsugar.com (topo), Wineblat Eugene – Portraits @ flickr.com (Punk) e Deposit Photos]

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