Onde estão os perigos da noite?

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1987

Maria de Lurdes Lomba, investigadora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), conduziu um estudo que revela a relação existente entre diversão noturna, consumo de substâncias psicoativas e comportamentos de risco… Situações onde os enfermeiros são chamados a intervir.

De acordo com os resultados do estudo, realizado por Lurdes Lomba no território nacional (continente e ilhas), entre 2007 e 2010, verifica-se uma maior expressão do consumo de bebidas alcoólicas (por 91% dos entrevistados) e da cannabis (consumida por 26% da amostra). Quanto a comportamentos sexuais de risco, são muitos os jovens que referem ter praticado relações sexuais desprotegidas (62%) ou sob influência do álcool (51%).

Sobre comportamentos rodoviários de risco, 36% dos jovens referiram já ter sido conduzidos por alguém embriagado ou debaixo do efeito de drogas e 19% chegaram a conduzir sob influência de álcool. Conclui-se também, no trabalho da professora da ESEnfC, que os acidentes rodoviários decorrentes destes consumos são mais frequentes nos jovens que permanecem mais tempo na noite.

LurdesLomba
A investigadora Maria de Lurdes Lomba é mestre em Saúde Pública e doutorada em Ciências de Enfermagem.

Já em matéria de comportamentos violentos, verifica-se uma relação positiva entre a maioria destes comportamentos e o consumo de álcool e drogas, com uma tendência para comportamentos violentos mais frequentes nos jovens com maior envolvimento na vida recreativa noturna.

Para a professora Maria de Lurdes Lomba, “os resultados deste estudo apontam para a necessidade dos enfermeiros assumirem os estilos recreativos juvenis como uma importante questão de saúde pública em que urge intervir”. A docente da ESEnfC defende intervenções de Enfermagem, que passem, por exemplo, pela sensibilização para a necessidade de transporte público noturno, por ações preventivas nos locais de diversão, ou pela oferta de informação sobre drogas e consumo. Defende também medidas de minimização de danos (distribuição de preservativos, acesso a testes de alcoolemia, uso de copos de plástico…).

No estudo da investigadora da ESEnfC foram entrevistados jovens das cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, Odivelas, Funchal, Viana do Castelo, Aveiro e Viseu.

[Foto: zigazou76 @ Flickr]

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