É eletrónica. É portuguesa. É Yellow.

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Chama às purpurinas “piolhos cintilantes”, vai apresentar o seu primeiro álbum “Wings” no próximo dia 8 de fevereiro, no Musicbox de Lisboa, e revela até uma curiosa história em torno da faixa “Lost and found”. Yellow (Patrícia Gonçalves) deixa ainda, em forma de entrevista, uma mensagem para o Dia de São Valentim – tenhas namorado ou não.

A pergunta da praxe: porquê o nome artístico Yellow?

A música e a cor têm uma coisa em comum, que é o comprimento de onda, e eu achei que era um bom paralelismo utilizar a cor como analogia à música. O facto de ser amarelo prende-se com eu achar que a minha profundidade musical é bastante histriónica… Daí achar que o amarelo combina.

E agora sobre as “Wings” que dão nome ao teu álbum de estreia…

Este álbum é um álbum de música eletrónica, em primeiro lugar. Chama-se “Wings” porque por alturas da quinta música, enquanto produzia o álbum, comecei a perceber que as músicas eram muito distintas entre si, em termos de géneros dentro da música eletrónica: umas eram mais breakbit, outras eram mais tipo house e outras eram mais techno. Existe ainda o elemento da voz, que dá um caráter mais pop e um formato mais canção às músicas… Mas não deixa de ser um álbum de música eletrónica.

Tendo eu percebido que cada música disparara num voo diferente, comecei a gostar desse registo, cada música ganhou as suas próprias asas e eu resolvi pegar nesse conceito das asas.

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A voz personaliza todo o trabalho de Yellow (Patrícia Gonçalves).

Quais as principais influências contidas neste trabalho?

Este álbum é muito influenciado por todas as coisas que eu ouvia quando eu comecei a ouvir música eletrónica: Boards of Canada, Goldie, Aphex Twin, Orbital… Foram referências que me prenderam ao mundo da música eletrónica e atraíram a minha curiosidade. No entanto, acho que este não é um álbum dos anos 90, como é óbvio, tem um toque bastante atual, mas revisita também estas minhas primeiras influências.

Onde podemos encontrar o teu toque pessoal?

Em primeiro lugar, na voz, que é um instrumento altamente pessoal, e eu utilizei a voz ao expoente máximo que consegui – não só naquilo que é a voz principal da música, mas porque fiz muitos instrumentos musicais com a voz. As pessoas não sabem, nem têm de saber, porque enquanto dançam não estão a pensar “ai isto deve ser um sample de voz”, mas ao vivo, é lógico que tenho linhas de sintetizadores, tenho beats, tenho baixos, sonzinhos e texturas que eu fui buscar à voz e isso faz com que eu não esteja sempre a usar os sons que se encontram à disposição do mundo inteiro. Fui eu própria criar o meu banco de sons para obter uma textura diferente.

No próximo dia 8 de fevereiro vamos poder ver-te ao vivo no Musicbox, em Lisboa… Há surpresas?

Ao vivo, além de mim (o que por si só não é mau), levo um par de asas volumétricas e estilizadas em cima das quais ocorre um projeto de video mapping reativo, o que quer dizer que a projeção encaixa perfeitamente em todas as arestas das asas e reage ao som. Há coisas vão reagindo à medida que eu vou preparando determinado tipo de som. Achei que a componente visual era muito importante, naquilo que é o espetáculo propriamente dito, e decidi que poderia levar um bocadinho mais além a performance ao vivo – e para quem vê também isso torna-se mais interessante.

Tiveste alguma ajuda neste sentido?

Há três anos que colaboro com um atelier multimédia, o Dub Video Connection. Quando comecei a colaborar com eles a nível musical não sonhava com uma interação tão grande de vídeo com áudio, mas deixei-me contaminar por completo… E foi um casamento lógico pensar em ter um projeto visual ligado ao meu concerto. E, no fundo, acho que estou a trabalhar com os melhores…

A tua maneira de te apresentar ao público inclui muitas purpurinas…

Há cerca de dois anos eu comecei a trabalhar com uma artista que gosta muito de purpurinas (eu também gosto) e começámos a fazer uma data de máscaras de purpurinas, sendo que de cada vez que eu ia atuar, levava uma máscara de purpurinas. O efeito final é muito bonito, porque há purpurinas no corpo inteiro, além de que acho que dá um efeito visual muito bonito: os brilhos, os reflexos, o jogo de cores, o próprio facto de não me conseguirem ver bem a cara…

Mas esse meu vídeo onde eu apareço com purpurinas também é um bocado independente, um bocado do it yourself, o que significa que, provavelmente, não me vão ver com purpurinas em todos os concertos, até porque há mais coisas!

Tens alguma faixa que te toque mais do álbum “Wings”?

Há uma música, a mais tecnoide delas todas, a “Lost and found”, que tem uma história engraçada… Fui uma semana para o estúdio, onde gravei com o Beat Laden, no Ground Zero, e levei as minhas duas gatas: a Maria e a Miu, que elas não estão muito habituadas ao resto do planeta. O que aconteceu é que a Maria resolveu fugir e foi o maior sufoco… Eu estava completamente perturbada e prometi que se encontrasse a Maria, a próxima música em que estivesse a trabalhar ia ser sobre ela.

Assim foi, a música chama-se “Lost and Found”, e é uma história na qual qualquer pessoa se pode identificar, porque qualquer pessoa já passou por momentos de perdas e de encontros… Mas penso que dificilmente vão perceber que estou a falar da minha gata (risos).

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Purpurinas e brilhos são obrigatórios na pista de dança.

É bom referirmos que toda a gente pode descarregar o “Wings”, através do teu site oficial (yellow-music.net), verdade?

Sim, e além de achar que toda a gente deve fazer download do meu álbum (risos), que é gratuito e legal, este é mais um exemplo que leva as pessoas a reagir a estes novos comportamentos, porque o que é melhor: eu disponibilizar em free download um trabalho no qual eu acredito ou estar à infinitamente à espera duma oportunidade certa que pode nunca chegar? Hoje em dia passa-se tudo ao nível online, sendo que todas as rádios estão presentes na net, por exemplo, e acho que é importante o público receber essa prenda de vários artistas que, neste momento, disponibilizam os seus álbuns na internet.

Queres deixar uma mensagem de São Valentim para os nossos leitores?

Eu acho que o amor é uma coisa importante e que toda a gente deve ter amor na sua vida. Se não têm um namorado, façam um ótimo programa com os amigos, divirtam-se não comam muitos bombons… Embora eu não seja muito virada para estas datas e convenções: “Ai é dia de são Valentim e tenho de comprar uma prenda ao meu namorado”, acho que a celebração do amor, duma forma geral, é das melhores coisas que o ser humano tem. Portanto, love para todos a todas as horas do dia.

Não te esqueças de fazer o download gratuito de “Wings” aqui e de que “Closest Friend” é o seu primeiro single/vídeo.

[Foto: Carlos Ramos]

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