“Precisamos muito mais de engenheiros”

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A afirmação pertence a Nuno Crato, que acredita serem mais prementes para o país profissionais da Engenharia do que advogados ou ‘estrelas de TV’. O Ministro da Educação e Ciência (MEC) participou na assinatura dum protocolo de entendimento entre o ministério que tutela, o Ministério da Economia e do Emprego, a Siemens Portugal, a Cadflow e a Siemens Industry Software Limited (PLM), hoje, no Pavilhão do Conhecimento. O objetivo? Aumentar a qualidade do ensino da Engenharia portuguesa e levá-la além-fronteiras com o rótulo “Made in Portugal”.

Este inovador projeto denominado “Engenharia made in Portugal” vai assegurar a disponibilização gratuita de licenças de software a universidades, institutos politécnicos e escolas profissionais, assim como hardware de automação e formação a professores para utilização de programas e equipamentos, num investimento que promete rondar os 400 milhões de euros. A grande mais-valia do projeto assenta na continuidade educativa, sendo que as iniciativas nele contempladas se destinam a estudantes dos ensinos básico, secundário, dual, superior e técnico-profissional, incluindo na fase final a possibilidade de estágios na Alemanha.

De pequenino se torce o Engenheiro

Tendo em conta a redução de alunos que optam por prosseguir as vertentes científicas e tecnológicas no Ensino Secundário – o que origina depois falta de profissionais qualificados nestas áreas, sendo a Engenharia uma das áreas mais afetadas, o projeto “Engenharia made in Portugal” pretende promover o gosto pelas áreas da Matemática e da Ciência entre os mais pequenos, de forma a que quando estes cheguem ao Básico e Secundário possam apresentar um gosto genuíno por estas matérias, usufruindo duma formação teórica e, sobretudo, prática que, no caso da Engenharia, possa significar uma melhor integração no mercado profissional de jovens altamente qualificados.

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É no Ensino Primário que podem começar o gosto pelas matérias que mais diretamente estão relacionadas com a Engenharia, admite a professora Carla Martins.

Para a professora Carla Martins, que leciona na Escola Adriano Correia de Oliveira (Agrupamento de Escolas Fernando Pessoa), é desde cedo que a Engenharia deve estar presente no dia-a-dia dos mais pequenos. “No 3º ano, por exemplo, falo muito com os meus alunos das energias: se são limpas ou não, de onde vem afinal a eletricidade… Para eles começarem a ter consciência do seu uso comedido. Mas claro que são os jogos e as atividades mais lúdicas, como estes que a Siemens preparou para o Pavilhão do Conhecimento, a melhor forma de lhes mostrar estes assuntos bastante complicados para a idade deles”. Carla Martins continua o raciocínio e acrescenta que de há três anos para cá, os alunos do agrupamento de escolas onde trabalha têm direito a uma semana de atividades no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, o que permite aos alunos familiarizarem-se com os laboratórios e as áreas mais científicas.

É já no Ensino Superior que este gosto pela Engenharia ganha especificidade e toma forma de emprego, como referem Luís Martins e Luís Duarte, alunos de Mestrado em Engenharia Mecânica, Ramo de Manutenção e Produção, no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), já habituados às ‘ajudas’ da Siemens no que toca a kits didáticos. “Em vez de nos basearmos em esquemas e desenhos no papel, temos estes autómatos que simulam na perfeição o que vamos poder encontrar na nossa vida profissional”.  Também o docente do ISEL Mário Mendes admite a qualidade acrescida que o ensino verificou com a parceria da Siemens, à qual vem assistindo desde o ano 2000 na instituição de ensino em que trabalha. Mário espera que agora as coisas continuem a evoluir, para bem dos “alunos de hoje e profissionais de amanhã”.

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Presente nas aulas do ISEL desde 2000, a Siemens aposta em Engenheiros de alta qualidade que possam fazer crescer Portugal e o resto da Europa.

“Não precisamos de mais banqueiros, advogados e apresentadores de TV”

Para o Diretor para as Relações Académicas da Siemens PLM, Mark Brown, “este protocolo pretende criar uma nova geração de estudantes portugueses que se licenciarão com as competências, a experiência e a confiança necessárias para utilizar o Solid Edge©, o mais avançado software industrial para a Engenharia e o desenho tecnológico”. Ao mesmo tempo, Brown sublinhou que não é de banqueiros, advogados e apresentadores de TV que Portugal precisa, mas sim de Engenheiros e Designers, as “verdadeiras profissões de futuro” capazes de levantar a economia portuguesa e europeia.

Seguindo a linha de pensamento, o Ministro Nuno Crato reafirmou a necessidade de profissionais da Engenharia (em detrimento a ‘estrelas de TV’) e alertou para a importância de memorandos como este, sublinhando que a aposta deve ser no sentido de “melhorar aquilo que se aprende”, ” já que o ensino é uma área fundamental para o progresso do país”, mas não nos podemos dar ao luxo de permitir que os nossos jovens fiquem barrados à entrada do mercado laboral por desconhecimento de áreas tão fulcrais como o Inglês, a Matemática, o Português ou a Física. “Queremos o sucesso académico para os nossos jovens” e queremos “igualdade de oportunidades” para eles, continuou Nuno Crato, apelando a uma cultura da Educação que pode ser alavancada por iniciativas como esta “Engenharia made in Portugal”.

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Nuno Crato alertou para a importância de memorandos como este, sublinhando que a aposta deve ser no sentido de “melhorar aquilo que se aprende”.

A assinatura do protocolo do projeto “Engenharia made in Portugal” contou com a presença do Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato; do Ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira; do CEO da Siemens Portugal, Carlos Melo Ribeiro; do Administrador da Cadflow, Victor Oliveira; e do Diretor para as relações Académicas da Siemens PLM, Mike Brown.

[Fotos: Bruna Pereira]

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