Cuidado, há tubarões que voam!

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Flying Sharks

Se já visitaste o Oceanário de Lisboa, sabes o quão fascinante se pode revelar a vida marinha. Agora imagina ter como rotina de trabalho diária apanhar coloridos peixes em alto mar para depois os levar até aos mais variados aquários de todo o mundo. É isso que fazem os trabalhadores da Flying Sharks, como nos explica em entrevista um dos seus fundadores, João Pedro Correia.

 

 

 

Flying Sharks é um nome curioso para uma empresa. A que se dedica?

A Flying Sharks nasceu no dia 1 de setembro de 2006 e dedica-se à captura e transporte de animais marinhos desde a nossa costa até aquários públicos espalhados pelo mundo inteiro. O nome surgiu porque os três fundadores (eu, o José Graça e o Morikawa Hirofumi) têm uma admiração especial por tubarões e aviões (eu tenho a licença de piloto particular e vou voar frequentemente, por exemplo)… Uma vez que a atividade iria envolver levar tubarões a voarem pelo mundo inteiro, o nome fez sentido.

João Pedro Correia é o exemplo de profissional que todos os dias se sente ‘como peixe na água’.

Com tantos peixes no mar… Qual a formação dos trabalhadores necessária para a captura e identificação das espécies certas?

A captura é feita preferencialmente por mergulho e, neste caso, é 100% manual, capturando-se apenas os exemplares encomendados pelos clientes – e nos tamanhos/sexos desejados! É, por isso, uma captura altamente sustentável e MUITO dirigida. Ocasionalmente trabalhamos com pescadores comerciais (nomeadamente uma armação de pesca que captura atum na costa algarvia ou com pescadores de anzol e/ou redes nos Açores), que nos cedem algum do seu ‘bycatch’.

Os trabalhadores da Flying Sharks são biólogos marinhos, com graus académicos que vão da Licenciatura ao Doutoramento. Todos têm bastante experiência académica com as espécies com que trabalham mas alguns são verdadeiros ‘cromos’ na área. Eu tenho várias publicações em pescas de tubarões e captura/transporte de animais marinhos mas, por exemplo, um dos sócios da empresa, Telmo Morato Gomes, tem dezenas de artigos e livros publicados sobre a fauna marinha Açoriana, enquanto que o ‘Science officer’ da empresa (Nuno Vasco Rodrigues, um dos meus antigos alunos) tem um livro publicado e ampla experiência na fauna das Berlengas. Todas estas publicações estão disponíveis na área ‘Literature’ do nosso website, em www.flyingsharks.eu.

Quem são os vosso principais clientes?

Aquários públicos no mundo inteiro. A área ‘Clients’ do website www.flyingsharks.eu tem uma lista exaustiva dos mesmos. Já agora, também podem ser nossos amig@s em www.facebook.com/Flyingsharks.eu.

Flying Sharks
Nuno Vasco Rodrigues (antigo aluno de João Pedro Correia e actual Science Officer) e José Graça (co-fundador da Flying Sharks e responsávle pelas operações na Estação de Olhão).

Como foi dar o salto para esta atividade profissional?

Na realidade o salto foi muito fácil… Entrei para o Oceanário de Lisboa ainda antes da abertura (no dia 1 de agosto de 1997) e rapidamente comecei a trabalhar na área de captura, compra e troca de animais. Ao longo dos anos fui adquirindo bastante experiência nesta área, trocando ‘notas’ com profissionais do mundo inteiro em congressos, por email, etc… E fui lentamente adquirindo uma vastíssima carteira de contactos. Em 2005, fui convidado para dar aulas na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche, e passei a trabalhar no Oceanário como consultor externo, para poder desenvolver ambas as atividades. Em setembro de 2006, falei com a administração do Oceanário e dei continuidade ao processo de venda/captura de animais vivos ao qual o Oceanário já se dedicava mas de uma forma secundária, sempre numa perspetiva de auxiliar colegas de outros aquários e nunca como ‘core business’. O Oceanário respondeu de forma extraordinariamente positiva (facto pelo qual lhes estarei eternamente agradecido) e dotou-me dos meios necessários para dar continuidade a essa atividade por conta própria, nascendo a Flying Sharks que, inicialmente, era apenas um ‘nome’, porque a faturação era feita em meu nome, porque já era empresário em nome individual (operando uma loja de Lingerie Sensual online desde 1998).

Dois anos mais tarde o ‘nome’ Flying Sharks tornou-se formalmente numa ‘sociedade por quotas’, sendo criada, em conjunto com o supra-mencionado Telmo Morato Gomes, investigador no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, a “Flying Sharks – consultoria e inovação, Lda.”, com sede na Horta. Desde então, a Flying Sharks tem gozado de uma excelente reputação de boas práticas ambientais, ótimo ambiente de trabalho e uma relação privilegiada com múltiplas instituições e Organismos Governamentais e particulares.

Que dicas pode dar a quem quer arriscar ser empreendedor?

Quanto a ‘dicas’ e conselhos, tenho um: há que procurar continuamente a excelência e nunca comprometer a qualidade do trabalho desenvolvido. Por outras palavras: tem de se ser bom naquilo que se faz; ou não vale a pena fazer…

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Quem é João Pedro Correia?
Tem 40 anos, um lema de vida que resume à expressão latina ‘Carpe Diem’ e uma formação de fazer inveja: Licenciatura em Biologia Marinha e Pescas (Universidade do Algarve, 1994), Mestrado em Modelação de Recursos Marinhos (Instituto Superior Técnico – IST, 1997) e Doutoramento em Pesca Comercial de Tubarões e Raias em Portugal (Universidade de Aveiro, 2009).
Como citação favorita, um dos fundadores da Flying Sharks escolhe Emily Dickinson: That it will never come again/ Is what makes life so sweet (…)” e Abraham Lincoln: “And in the end it’s not the years in your life that count. It’s the life in your years.”

[Foto: Flying Sharks | Raquel Marques]

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