Investigação sem fronteiras

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Os EUA acabam de patentear uma nanopartícula de nova geração para o tratamento do cancro da mama desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC). Registada com o nome de PEGASEMP™, esta nova nanopartícula distingue-se pela capacidade de, não só matar as células cancerígenas, mas também os vasos sanguíneos que alimentam o tumor, impedindo assim que o cancro se alastre no organismo e evitando reincidências.

A descoberta foi levada a cabo por uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC). Para facilmente se perceber o impacto desta nova estratégia terapêutica de combate ao cancro da mama, os investigadores João Nuno Moreira, Vera Moura e Sérgio Simões fazem a seguinte analogia: “um camião TIR (nanopartícula), atestado de mercadoria muito sensível (medicamento), tem de realizar uma viagem muito complexa para um destino muito específico. Esta viagem tem de ser efetuada em segurança máxima, onde não são permitidas falhas até ao seu destino”.

O ‘segredo’ para garantir a segurança e a eficácia da entrega da mercadoria no destinatário indicado, ilustram os investigadores, “está num ‘GPS’ altamente sofisticado formado por quatro componentes essenciais. Assim, a nanopartícula é revestida por um polímero que a torna invisível ao sistema de defesa do organismo e, na extremidade desse polímero, colocámos as ‘chaves’ que permitem abrir apenas as ‘portas’ das células cancerígenas e das células que revestem os vasos sanguíneos tumorais. Ao entrar no seu interior, a nanopartícula liberta o conteúdo como se fosse uma ‘granada’ (disponibilizando uma grande quantidade de fármaco num curto período de tempo) que, além de matar as células cancerígenas, destrói também os vasos sanguíneos do tumor”.

Dos vários testes realizados em animais com cancro da mama humano, a “nanopartícula cumpriu com êxito a sua missão, ou seja, percorreu todo o organismo até atingir o tumor, e matou as células responsáveis sem provocar toxicidade nos restantes órgãos. Revelou ainda a capacidade de suprimir a invasão tumoral”, realçam João Nuno Moreira, Vera Moura e Sérgio Simões.

A nova nanopartícula, cujo desenvolvimento contou com a colaboração do Instituto Português de Oncologia de Coimbra (IPO), da Faculdade de Farmácia de Lisboa e da Faculdade de Medicina do Porto, viu também aprovado um projeto no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional, no valor de meio milhão de euros, tendo sido ainda reconhecida pela Sociedade Portuguesa de Senologia.

[Foto: Universidade de Coimbra]

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