“Intervir, recuperar e reabilitar”

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É este o futuro da Arquitetura, no entender de Horácio Bonifácio, o novo Diretor da Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada de Lisboa (FAAULL).

Considera o Mestrado Integrado em Arquitetura uma espécie de “Banda larga” e acrescenta que, a partir do momento em que o aluno adquire esta formação de base e está apto para se tornar profissional no ramo, as opções podem ser muitas: “o arquiteto pode fazer Arquitetura, mas também pode ser consultor, pode ter um papel importantíssimo nas autarquias, pode participar no levantamento e diagnóstico de problemas… Podem até fazer Design – que é uma coisa aparentemente estranha, porque temos cursos de Design, mas há efetivamente muitos arquitetos a fazerem Design”.

Se Portugal não estivesse mergulhado numa crise, o professor Horácio Bonifácio vai mais longe e diz mesmo que haveria imenso trabalho para os arquitetos – e não era obrigatoriamente arquitetura nova. “Basta olhar à nossa volta para vermos que a crise é enorme e atinge todas as áreas, incluindo a da Construção Civil. Quantos milhares de prédios estão fechados que nem se alugam nem se vendem? Vai-se construir mais? Não”. A solução, aponta Horácio Bonifácio, terá de passar pela renovação e pela recuperação urbana, tendo em conta que “há milhares e milhares de prédios devolutos em Portugal com 30, 40 e 50 anos que estão a cair e que vão mesmo cair se ninguém lhes deitar a mão”. O docente realça ainda que a Arquitetura é a parte mais importante das cidades e que, muitas vezes, se esquece. “Daí que os alunos sejam alertados para o facto de que, quando estiverem a trabalhar, não vão fazer objetos arquitetónicos para colocar no deserto, mas antes para colocar em cidades, sendo que a maioria tem uma história muito complexa e muito antiga e por isso é preciso ter cuidado… Mas quanto ao futuro da Arquitetura, este passa, sem dúvida, por intervir, recuperar e reabilitar – fazer Arquitetura contemporânea em cima, junto e ao lado da Arquitetura do passado… Sem esquecer que haverá sempre a hipótese de fazer Arquitetura nova, claro”.

Arquitetos convidados a construir o seu próprio futuro

A ideia de Horácio Bonifácio é clara: “se há campo em que a capacidade criativa é grande, é na Arquitetura. Portanto, os próprios Arquitetos que descubram como é que podem resolver o problema das saídas profissionais: ninguém pode acabar o curso (e aqui não falo só dos arquitetos) e ficar sentado em casa à espera que lhe caia um emprego do céu, porque não vai cair e ninguém vai dizer “olhe, temos ali um quarteirão inteiro para reconstruir”. A solução promete passar pelo empreendedorismo com alguma inteligência e ousadia, continua o Diretor da FAAULL, recordando que o panorama atual apenas áreas como Medicina e Engenharia Informática não apresentam tantas dificuldades de integração no mercado laboral. Mesmo assim, e com a crise à perna, Horácio Bonifácio está convencido de que a Arquitetura continua a ter futuro, mesmo que não muito facilitado, admitindo, inclusivamente, que se tivesse um filho decidido a escolher a área não o desaconselharia, pelo contrário: “estimulava-o, porque acho que há possibilidades e depois há sempre outra coisa – quem é bom é bom seja lá onde for”.

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Estudar Arquitetura e Design na Lusíada porquê?

“As comparações não me interessam… Cada um faz o que quer. O que é facto é que há boas escolas de Arquitetura e de Design em Portugal e a Lusíada é uma delas”. É assim que Horácio Bonifácio faz a apresentação da instituição onde trabalha. Se pensas em em vir estudar (seja ao nível de Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento) para a Universidade Lusíada de Lisboa, as mais-valias são variadas, a começar pela qualificação do corpo docente, que apresenta grande número de professores com Doutoramento.

“Relativamente aos programas de estudos, considero que eles estão muito atualizados e cumprem as normativas que vêm da Ordem dos Arquitetos e de Bolonha… Fomos, aliás, das primeiras escolas de Arquitetura e Design a entraram em Bolonha”, continua Horácio Bonifácio. Embora a relação dos docentes com os alunos seja “muito saudável”, o Diretor da FAAULL não esconde que “as regras são para cumprir” e que o ensino é muito exigente – “o que poderá afastar algumas pessoas que procuram a facilidade”.

No que toca a mobilidade, existe na Lusíada uma grande internacionalização. “Temos hoje protocolos com variadíssimas universidades, mais de 20, em que alunos e professores podem circular pela Europa. Por outro lado, também temos muitos alunos estrangeiros aqui e já estamos também a fazer essa passagem para fora da Europa, tendo já alunos nossos no Brasil e brasileiros cá, numa espécie de extensão do programa ERASMUS”. Há ainda uma boa Biblioteca, uma Mediateca bem equipada, quatro amplos auditórios e até um Centro de Investigação em Arquitetura, do qual já fazem parte alunos, principalmente os que já acabaram o curso e estão a fazer o estágio – “em vez de estagiarem num escritório de arquitetos, fazem-no aqui no Centro de Investigação”.

Já agora, sabias que na Universidade Lusíada os apoios sociais permitem que os alunos com média de excelência (a partir de 16 valores) não paguem as propinas dos seus cursos?

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O curioso charme do Ar Líquido

É onde a maioria dos alunos de Arquitetura e Design tem aulas. O espaço, situado ao fundo da rua junto à Universidade Lusíada, foi em tempos uma fábrica. Agora, e embora haja lá algumas aulas doutros cursos, “está mais vocacionado para os alunos de Arquitetura, Design e também de Jazz”, tudo áreas artísticas deslumbradas pelas amplas janelas e pelo ambiente de camaradagem e boa disposição que reina no Ar Líquido, mesmo após o período de aulas, como partilha Horácio Bonifácio: “Houve uma altura em que estava aberto 24h por dia, agora também continua aberto fora das horas de aulas, sendo que os alunos podem lá deixar os trabalhos, porque há lá sempre gente a trabalhar”.

Novo diretor mas professor de há muito

O desempenho neste cargo como Diretor da FAAULL é recente, desde setembro último, mas as funções são há muito familiares, ou não desempenhasse Horácio Bonifácio funções de Secretário da mesma Faculdade desde 2001 e de docente “há mais de 30 anos… Quase 40”, na Lusíada e noutras universidades, facto que o faz sorrir, com orgulho, ao contar que a maioria dos atuais professores da FAAULL já lhe passou pela sala de aula e que os outros milhares, a quem também deu aulas, estão espalhados por todo o lado. “Descubro todos os dias arquitetos que foram meus alunos, o que é agradável e simpático, porque também tenho a sorte de ter alunos que gostam de mim (e que gostaram de mim) e que mo dizem”, termina Horácio Bonifácio, explicando que ao lecionar História, consegue ‘apanhar’ todos os alunos, ao contrário do que acontece com unidades curriculares mais práticas e com turmas de alunos segmentadas.

[Foto: Bruna Pereira]

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