Música a fazer sentir

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Os sentimentos que a música pode despertar em cada um de nós não é tema novo, mas a subjetividade da questão torna-a complexa. Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) anda há dois anos a dar passos no sentido de a tornar mais classificável e acaba de ser distinguida por esse trabalho, com o primeiro lugar num concurso internacional da especialidade.

O prémio foi para Renato Panda (na foto) e Rui Pedro Paiva (líder da equipa de investigação), ambos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), na edição deste ano do MIREX (Music Information Retrieval Evaluation eXchange), um concurso internacional organizado anualmente pela comunidade científica de Music Information Retrieval (MIR – recuperação de informação musical), na tarefa de classificação de emoções em música áudio.

Os investigadores explicam a necessidade de se fazerem progressos nesta área dados “os avanços tecnológicos na última década” que vieram aumentar a quantidade de música disponível na internet, o que faz com que “os repositórios de música digital necessitem de mecanismos de pesquisa mais avançados, flexíveis e amigáveis, adaptados aos requisitos de utilizadores individuais”.

Por isso, a equipa da UC, que conta com nove elementos, está a desenvolver um sistema de reconhecimento emocional em música, que poderá ser aplicado em diversos campos e útil aos consumidores de música mas também às empresas.

“Selecionar música e gerar listas de reprodução com base em emoção, permitindo ao utilizador a escolha de músicas para fins específicos – por exemplo para a realização de exercício físico com músicas rápidas ou, no ponto oposto, músicas calmas e relaxantes que poderiam ser usadas para relaxar ou sessões de meditação”, explicam os investigadores, acrescentando alguns exemplos como o do cinema – onde “seria mais fácil procurar músicas de acordo com uma cena que se pretenda criar, instigando medo, revolta, alegria e outro tipo de emoções no espetador” -, o dos videojogos – “com a possibilidade de procurar músicas para aplicar em momentos específicos de forma a aumentar a tensão, marcar um momento de felicidade, revolta, etc.” -, ou até o dos fins comerciais – onde a indústria publicitária poderia “procurar músicas específicas para captar os clientes desejados”.

A vitória no concurso foi importante, por se tratar do grande evento por excelência da área, onde são avaliados os avanços conseguidos, mas há segundo os investigadores muito trabalho pela frente. Renato Panda e Rui Pedro Paiva concluem lembrando que a música “desempenha um papel de relevo na economia mundial, em virtude da sua importância em todas as sociedades humanas ao longo da história, e na sociedade digital em particular”.

[Foto: UC]

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