Estágios a perder de vista

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‘We Mean Business’ foi o nome escolhido para a campanha da Comissão Europeia que quer convencer as empresas de que vale a pena investir em jovens estagiários. Apresentada em abril, a campanha chegou a Portugal a 28 de junho de 2012, pela mão da Agência Nacional PROALV (Programa Aprendizagem ao Longo da Vida).

A Mais Superior foi conversar com Maria do Céu Crespo, diretora da AN PROALV, e perceber o que pode mudar na vida dos estudantes, das universidades e da própria Europa com a campanha ‘We Mean Business’.

1. O que é que as empresas realmente ganham ao dar lugar a um jovem estagiário oriundo de outro país europeu?

Os benefícios para uma empresa no acolhimento de jovens europeus para estagiar exploram e potenciam a capacidade da empresa para a internacionalização e para uma atividade no mundo global.

Ao criarem estágios para os jovens europeus e ao definirem o perfil e conteúdo do estágio, a empresa está a contribuir para a empregabilidade do jovem, reforçando as suas competências, ao mesmo tempo que aprofunda os seus contatos com mercados de trabalho e setores económicos em países estratégicos.

Ao acolherem os jovens estagiários, as empresas não incorrem em despesas financeiras, sendo-lhe somente exigido acompanhamento qualitativo do estágio, visando um impacto e retorno positivo para o jovem e para a empresa.

2. Que tipo de incentivos são dados às empresas para que invistam nesses jovens?

Os incentivos surgem com o acolhimento dos estagiários, uma vez que podem estabelecer contato com mercados externos, internacionalizar os recursos humanos, dar visibilidade às empresas junto de milhares de estudantes que, anualmente, fazem Erasmus e Leonardo da Vinci.

3. Quais têm mais a ganhar: as PME ou as grandes empresas? Porquê?

Todas as empresas e organizações ganham com o acolhimento de jovens estagiários. O maior ou menor ganho depende da estratégia de internacionalização da empresa.

4. E para os jovens será mais desafiante estagiar numa PME, onde talvez tenham maior responsabilidade, ou numa grande empresa, onde os meios de acompanhamento serão, à partida, mais eficazes?

É relativo. O sucesso do estágio, o impacto e retorno positivo para o jovem, para a empresa e para a universidade depende de todos os intervenientes.

Tendo em vista o sucesso e o impacto do estágio nos jovens, a Agência Nacional em cooperação com os Consórcios Erasmus e um conjunto alargado de empresas promoverá, a partir de Novembro de 2011,um ciclo de 5 seminários regionais sobre os Estágios Erasmus. Cada seminário abordará cinco temáticas que pretendem identificar os elementos que potenciam um impacto e um retorno positivo do estágio para os jovens, para as empresas e para as universidades: cultura empresarial; criatividade: conhecimentos e competências; inovação: eficácia e competitividade; empregabilidade; cidadania europeia. Todos os seminários são abertos ao público em geral.

5. Várias sociedades ocidentais têm sido massacradas pelo desemprego. Que zonas ou países em específico, na Europa, têm capacidade para acolher estes jovens?

O que os estágios Leonardo da Vinci e Erasmus oferecem aos jovens são condições de empregabilidade. O que é que isto significa? Significa que os estágios Erasmus e o Leonardo da Vinci têm caraterísticas únicas e diferenciadoras de todos os outros: são realizados em mobilidade; e mobilidade é sinónimo de capacidade de adaptação, de exploração de competências linguísticas, de oferta de conhecimentos de cultura empresarial, de participação em estratégias de eficiência e de competitividade, etc. O retorno mais significativo de um estágio Erasmus e/ou Leonardo da Vinci é, de facto, a empregabilidade.

Os países que participam no Erasmus e Leonardo da Vinci têm todas as condições para acolherem os jovens. Contudo, se pretendermos passar das condições de empregabilidade para o primeiro emprego de qualidade, certamente falamos dos países europeus onde o nível de desemprego seja mais baixo que o português.

6. Neste sentido, a posição de Portugal seria interessante como país exportador. Mas será que temos condições para receber estagiários de outros países, partindo do princípio que a ideia é que estes se mantenham e cá encontrem o primeiro emprego?

A situação económica e financeira portuguesa pode reverter em nosso favor. A possibilidade de uma empresa em Portugal acolher jovens estagiários europeus é uma oportunidade de abertura a novos e potenciais mercados e setores económicos.

Portugal pode e dever ser um país atrativo para jovens estagiários europeus.

Os Consórcios Erasmus têm tido um papel fundamental para fazer de Portugal não só um país de envio de jovens estagiários, mas também um país atrativo para jovens europeus. O papel dos Consórcios Erasmus junto das estruturas de poder local, das pequenas e médias empresas, de grandes empresas, das câmaras de comércio, das organizações não-governamentais, etc. Este enraizamento regional e local dos Consórcios Erasmus permite-lhes um conhecimento único da realidade dessas empresas e organizações. Deste conhecimento nasce uma abordagem, em termos de oferta/criação de estágios, que responde às necessidades de competitividade e de internacionalização. Tendo como pano de fundo o envolvimento e desenvolvimento regional, os Consórcios Erasmus têm conseguido sensibilizar os stakeholders para o papel e importância dos estágios Erasmus e o Leonardo da Vinci.

7. Em que é que uma aventura no estrangeiro pode mudar a vida de um jovem recém licenciado?

O maior benefício de um estágio é o seu impacto e o retorno positivo para os jovens, para as empresas e para as universidades. O impacto e retorno positivo manifestam-se em condições de empregabilidade e, eventualmente, no primeiro emprego de qualidade, seja em Portugal ou noutro país.

[Foto: João Diogo Correia]

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