O lado mais rural de Coimbra

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Coimbra da Sé, Coimbra do Mondego, Coimbra das ruas polvilhadas de capas pretas, qual carreiro de formigas unidas por uma tradição académica secular… E Coimbra da Escola Superior Agrária (ESAC), onde impera a pompa e a circunstância para receber todos os ilustres convidados. A Mais Superior beneficiou duma ‘comitiva’ de boas vindas onde estiveram presentes, por exemplo, a Professora Leila Rodrigues, coordenadora do projeto “Praxe que eu quis, Praxe feliz”.

O trabalho averiguou junto dos caloiros do ano letivo 2011/12 que “sujar o corpo com lama”, “estar de quatro” ou “molhar o corpo com água” fazem parte das atividades que menos agradaram a estes alunos durante a praxe. Pelo contrário, o lançamento de tomates durante a tomatina, o “momento Real Praxe”, o “convívio do pijama” e o cantar das músicas pertencem ao grupo de atividades mais apreciadas pelos caloiros.

Também o Presidente da ESAC, José Gaspar, e a Vice-Presidente, Aida Moreira da Silva, sublinharam a importância destas dinâmicas académicas que acolhem os novos caloiros, ao mesmo tempo que Adriano Fatal, estudante do 2º ano de Agricultura Biológica e Presidente da Comissão de Praxe da ESAC, explica que, independentemente das hierarquias, entre Engenheiros e caloiros, “o que se procura é integrar os alunos, maioritariamente provenientes fora de Coimbra – havendo muitos vindos dos Açores, por exemplo”. Quanto a atividades, a variedade é mais do que muita e para todos os gostos – sobressaindo, por exemplo, a conhecida ‘Ordem do dia’, que traz para a escola rapazes vestidos de mulher e raparigas vestidas de homem (“o dia travesti”, alguém ri). Catarina Félix, estudante do 3º ano de Engenharia dos Recursos Florestais, continua a palavra e acrescenta que “a praxe coletiva é a mais utilizada, até para que os caloiros não se sintam melindrados e se divirtam em conjunto”.

Engenheiros
Joel Póvoa, Tânia Amorim, Adriano Fatal, Carina ferreira, Bryan Viche e Catarina Félix, que é como quem diz membros da mesa do Senado e da Comissão de Praxe da ESAC.

Orgulho em ser caloiro AGRÁRIO!

Porcos, burros, vacas, ovelhas… Os caloiros da ESAC podem ser várias espécies animais, como comprova o seu BI Agrário colocado ao pescoço. “Há várias atividades em grupo onde os novos estudantes são reunidos de acordo com a sua espécie, promovendo as novas amizades, independentemente do curso em que se matricularam”, explica Beatriz Bessa, a caloira de Penafiel prestes a estudar Biotecnologia com toda a garra do mundo. O BI apresenta até um campo para observações, onde o caloiro pode escrever que usa lentes de contacto, se for o caso, para haver mais cuidado com o tipo de atividades a ser sujeito.

Nuno Santos ri-se sozinho antes de ser entrevistado, pois acha engraçado isto da praxe. “Estou radiante! Entrei em Agricultura Biológica, era a minha primeira opção e é isto que eu quero fazer pela minha vida fora. Sobre a praxe… Estou a adorar!”, refere o caloiro, algo rouco devido aos treinos intensivos de canto, mas com ‘o freio à mostra’ para a fotografia.
“Já me apresentaram as instalações e gostei bastante. Os Engenheiros pareceram-me muito simpáticos e acho que vão continuar assim”, espera Tiago Lima, o lisboeta recém-chegado ao curso de Biotecnologia da ESAC com muito orgulho.

Caloiros
Nuno, Beatriz e Tiago muito fotogénicos, mesmo com a roupa vestida ao contrário…

Até ao dia do batismo, estes caloiros terão a árdua tarefa de encontrar uma madrinha (os rapazes) e um padrinho (a Beatriz), “alguém que os vai acompanhar sempre e que, por isso, convém ser alguém responsável e com quem haja afinidades”, sustenta Catarina Félix, que dá o seu próprio exemplo, referindo que já foi com pais de caloiros ver quartos e falar com senhorios, pois “os padrinhos servem para isso mesmo: ajudar em tudo o que puderem”.

Um traje de fazer inveja

Com os seus seis anos que leva de implementação, o traje azul-escuro da ESAC ainda cheira a novo. Carlos Gonçalves, Estudante de Agricultura Biológica e Presidente da mesa do Senado, sublinha que é este traje de monta o ‘oficial’ dentro da escola e enumera os motivos por que se tem tornado tão popular entre os os alunos que o envergam: “Os homens usam calças, camisa branca com um laço, colete, jaqueta, chapéu e capote. Para as raparigas, a moda ordena que não usem laço na camisa, que enverguem uma saia de monta e que o capote apresente as golas mais arredondadas, em detrimento das golas bicudas masculinas”. 

trajeHomemeMulher
O azul-escuro foge à regra do preto, mas não deixa de deslumbrar.

[Foto: Duarte Fortunato]

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