Coimbra continua difícil de resistir

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2006

Não é cisma nem mania, é o coração a palpitar e Coimbra, que continua a ser a cidade-princesa das capas pretas e até as paredes e as pedras da calçada o comprovam, enquanto o passo se faz firme e os ouvidos atentos adivinham por entre ruelas ainda vazias: “Lá vêm eles, os caloiros!”.

“Isto ainda está a aquecer”

“Os Exames Nacionais não foram lá muito acessíveis e o número de caloiros parece ter baixado”, acredita Tiago Pinto, estudante do 2º ano de Engenharia de Ambiente, muito bem-disposto e sorridente, ou não estivesse “Isto ainda a aquecer”, como diz ele, ansioso por que cheguem mais caloiros. “Não estamos aqui para gozar os caloiros, é para os bem receber e mostrar que ontem fomos nós, hoje são eles e amanhã haverá mais caloiros a quem praxar”.

O caloiro Ricardo Luís concorda, autorizado a responder às nossas perguntas sob o olhar atento dos seus doutores, dizendo que a experiência está a ser “espetacular” e que a praxe vai ajudá-lo, certamente, a concluir “ainda com mais sucesso” o Curso de Engenharia de Ambiente que agora ingressa.

Tiago Pinto
O Doutor Tiago Pinto a dar apoio ao seu caloiro, até na fotografia.

Caloiro não morre à fome… Porque há febras e muita bebida

O Núcleo de Estudantes de Direito da Universidade de Coimbra organizou uma festa nas antigas instalações da Faculdade de Farmácia – que agora passam a pertencer a Direito, e não faltaram atuações de Djs, de tunas académicas e de bandas com fartura. No que toca a assuntos de faca e garfo, Felipe Santos, estudante de Direito no 4º ano, garante que ninguém fica de barriga a dar horas: “o convívio é para todos os estudantes e Direito tem muita honra em convidar caloiros e Doutores doutros cursos que se queiram juntar a nós. Temos muita carne, como podem ver!”. 

Homem das febras
Se o aspeto parece bom, o cheiro era ainda melhor!

Amigos para sempre

Julien dos Prazeres estuda Engenharia Eletrotécnica e, juntamente com o seu compincha João Marques, não falham uma festa… E não deixam um coração feminino por partir. “É o convívio entre todos, as novas amizades, a festa da celebração na entrada no Superior… Estamos felizes e gostamos de celebrar isso entre amigos”, diz Julien, sublinhando que o espírito académico de Coimbra não tem igual no país… E, quem sabe, em todo o mundo.

Juliene Marco
O Dom Juan… Mas a dobrar.

Já Rita Bilizário parece não deixar de conversar com as Doutoras em seu redor: “São super fixes e todas as dúvidas que tenho, tiro com elas”. Agora que se prepara para viver numa cidade nova, admite que chegou a altura de “deixar de ser criança” e enfrentar o futuro com esperança e coragem.

Rita Bilizário
A ‘criança’ já lá vai. Agora Rita quer ser adulta e aproveitar ao máximo a vida académica.

Encontro marcado no Bigorna

“O Bar da Associação agora vai fechar à meia-noite e o pessoal dispersa-se por outros bares, o que acho bem, porque há toda uma Coimbra repleta de monumentos que os novos estudantes devem ficar a conhecer enquanto cá vivem”, sustenta Ígor Moreira, estudante de Engenharia Informática “do Polo II”, como faz questão de sublinhar efusivamente. André Gonçalves, Luís Lopes e João Oliveira, os restantes membros do grupo que encontrámos no largo do Bigorda Bar e de cara para a Sé, aparecem cá várias vezes para “ver turistas que gostam de nos tirar fotografias, porque acham que parecemos o Harry Potter” ou, simplesmente, para “conversar”. Mas no que todos estão de acordo é que a Cidade de Coimbra vive dele e eles dela. “Não dá para explicar, convidamos todos os finalistas de 12º a virem para Coimbra estudar e viver este espírito académico. Depois podemos falar sobre isso”, acrescentam, contentes por se terem conhecido durante o curso e para a vida, acreditam.

Trupe Bigorna
A conversar é que os amigos se entendem – e quem diz amigos diz caloiros e Doutotes.

Laura Fonseca e Carolina Sarmento começam a ter fome: “vamos jantar!”, pedem aos doutores, aproveitando para contar à Mais Superior a sua aventura pela praxe coimbrã, enquanto os trajados se decidem a ir finalmente comer. “Já nos conhecemos desde do 5º ano de escolaridade e agora voltamos a estar juntas no Curso de Direito, embora houvesse alguma indecisão em seguir Jornalismo”, acrescentam, emocionadas, enquanto relatam o que fizeram neste que foi o primeiro dia ‘a sério’ como caloiras: “Foi tudo porreiro, estivemos sempre a cantar, viramos a roupa do avesso… O que eu sei é que dormir muito pouco e não ’tou com ‘moca’ de sono!”, diz Lara.

NOTA: Seja responsável. Beba com moderação.

[Foto: Bruna Pereira e Duarte Fortunato]

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