Uma descoberta com profundidade

Está 2140 metros debaixo da terra a comunidade de invertebrados, alguns deles nunca antes vistos, descoberta por Sofia Reboleira, bióloga da Universidade de Aveiro (UA). Ao todo, foram encontradas 12 espécies em zonas de grande escassez de alimentos, o que torna o achado ainda mais importante para a comunidade científica.

A descoberta foi feita numa gruta no Cáucaso Ocidental, localizada perto do mar Negro, na Abkházia, naquela que é a única cavidade natural do planeta que ultrapassa os dois quilómetros de profundidade e que “tem temperaturas muitos baixas que vão desde os 0,5ºC a 5ºC, onde o risco de hipotermia é permanente”, garante Sofia Reboleira. Entre as 12 espécies de (atenção ao palavrão) artrópodes encontradas nas profundezas da cavidade – que dá pelo nome de Gruta Krubera-Vorónia – há um pseudoescorpião, um escaravelho, uma aranha, dois crustáceos e outras três espécies.

O mais impressionante do resultado desta investigação é a prova de que é possível sobreviver a tão grande profundidade, “em zonas onde a escassez de alimentos faria supor que a vida fosse inexistente ou pontual”, o que “pressupõe uma novidade surpreendente para a ciência”, afirma a autora da descoberta. Podes ler o artigo que dá conta da efeméride e que foi publicado em julho passado na revista International Journal of Speleology.

A Investigadora Sofia Reboleira Sofia Reboleira é também bióloga e espeleóloga e já leva no currículo a descoberta de novas espécies em grutas portuguesas (quatro escaravelhos e um pseudoescorpião cavernícola) e o maior inseto subterrâneo terrestre da Europa, o Squamatinia Algharbica, que foi descoberto nas grutas do Algarve.

[Foto: UA]

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