Jornalismo no feminino

 

Sabias quem, em 1960, a percentagem de mulheres sindicalizadas era de 2%, ou seja 10 jornalistas do sexo feminino? Mas que, em 2005, o Sindicato dos Jornalistas recebeu a inscrição de 156 novos associados, dos quais 90 eram mulheres? Foi para compreender este diferencial, e as alterações sociais que o acompanharam, que Isabel Ventura, do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) da Universidade do Minho (UMinho),  escreveu o livro “As Primeiras Mulheres Repórteres. Portugal nos anos 60 e 70”.

O livro, com edição da Tinta da China e do Gabinete para os Meios de Comunicação Social, nasce com base na tese de mestrado da investigadora, perfaz um total de 208 páginas e inclui um prefácio do jornalista Fernando Alves

Alice Vieira, Edite Soeiro, Diana Andringa, Leonor Pinhão e Maria Teresa Horta são algumas das profissionais referidas no livro e numa altura em que as mulheres que chegavam às redações estavam confinadas à secção de Sociedade, às páginas culturais e aos suplementos juvenis.

“Elas tiveram que lutar contra as arbitrariedades de um regime repressivo e, por outro lado, contra a arrogância e/ou a insensibilidade dos seus próprios camaradas de profissão, mesmo os mais ‘progressistas’ – não bastava, não bastou, derrubar a ditadura para que tudo mudasse”, prefacia Fernando Alves, para continuar: “Ainda não tínhamos ‘visto’ ou ‘entrado’ desta maneira no interior das redações. As mulheres que falam neste livro são as que abriram portas para que as coisas começassem a mudar nas redações”.

Isabel Ventura

“As Primeiras Mulheres Repórteres. Portugal nos anos 60 e 70”.

 

 

 

 

 

 

 

Isabel Ventura nasceu em Lisboa, em 1975. É bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e investigadora do CICS-UMinho, onde prepara o seu doutoramento sobre a reprodução da desigualdade de género na lei e nas suas práticas relativamente aos crimes de violação. É licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra e mestre em Estudos sobre as Mulheres pela Universidade Aberta, cuja tese esteve na base do presente livro. É ainda membro do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI) da Universidade Aberta.

[Foto: Universidade do Minho]

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