Toca a mexer!

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O Cristiano Ronaldo ganha a vida a marcar golos, a tua avó vai para a hidroginástica por causa da artrite reumatóide e tu próprio gostas de frequentar o ginásio para manter o ponteiro da balança no sítio do costume. Seja por paixão, dinheiro, saúde, estética ou bem-estar, a prática desportiva acarreta benefícios para corpo e mente – e muitos estudantes universitários sabem disso, fazendo do desporto um aliado contra o stress em época de exames e conseguindo sagrar-se campeões nacionais nas mais variadas modalidades.

O homem primitivo já corria, caçava e pescava, mas só com o passar dos séculos estas atividades rotineiras ganharam título de desporto. Várias peças de museu revelam, por exemplo, que a ginástica foi um desporto popular na China de 2000 a.C. e monumentos aos faraós dão conta de que a natação também estava em voga nas margens do Nilo do Antigo Egito… Isto tudo muito antes dos famosos Jogos Olímpicos Gregos, onde decorriam competições de luta, lançamento de disco e de dardo, salto em comprimento, entre outras modalidades que perduraram até aos dias de hoje. Também outro grande império clássico, desta feita o Romano, se manifestou, pela voz do poeta Juvenal, sobre a importância da prática desportiva, através da máxima intemporal ‘Mens sana in corpore sano’, que significa ‘Mente sã em corpo são’ e ainda hoje é slogan de muitas campanhas que recordam os benefícios tanto físicos como mentais da prática de exercício no dia-a-dia.

Bruno Barracosa
Bruno Barracosa, Presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU).

No entanto, com a saída do Ensino Secundário, para os que sempre odiaram as voltas ao Pavilhão Desportivo da escola à primeira hora da manhã durante as aulas de Educação Física no inverno, chegar à universidade pode tentadoramente significa estar livre de praticar desporto e poder empregar todo o tempo em estudos livrescos, o part-time que ajuda a pagar o curso ou os hobbies e as saídas com os amigos que preenchem a vida social fora das aulas. Contudo, ingressar no Ensino Superior não tem apenas como finalidade terminar uma formação que nos dê entrada para o mercado de trabalho, já que o desporto pode ser uma parte muito importante da vida de qualquer estudante, como sublinha Bruno Barracosa, Presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), lembrando que “O Ensino Superior, mais do que uma escola de conhecimento, é uma escola de vida. É o último estágio de formação antes da entrada na vida ativa”. Nesse sentido, Bruno Barracosa deixa um conselho a todos os alunos universitários: “não percam as oportunidades que todas as atividades extracurriculares, que existem em abundância em todas as academias, trazem para a vossa formação pessoal, social e cívica. O desporto, como tantas outras, traz-vos muitas aprendizagens essenciais para o vosso futuro. Mais importante do que sobre qual delas recai a vossa escolha, é que escolham fazer algo mais do que ir exclusivamente às aulas!”

Silêncio, que se vai falar da FADU

Para te explicarmos melhor quais os principais objetivos deste organismo a nível de dinamização do desporto universitário, ninguém melhor do que o seu atual presidente para esclarecer que “a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), desde a sua criação, afirmou-se como uma estrutura dos estudantes para os estudantes. Acreditando, acima de tudo, no desporto como uma ferramenta para a educação, defendeu sempre a criação de competências nos jovens estudantes através das várias valências da organização e participação desportiva, nos seus diversos níveis”. Conhecida no seio académico pelas provas, torneios e campeonatos nacionais universitários que organiza e de onde nascem, todos os anos, os novos títulos de Campeão Nacional Universitário, a FADU faz muito mais trabalho ‘invisível’, como explica o seu presidente: “esta base é uma pequena amostra do trabalho desenvolvido que vai desde o incentivo, estímulo e apoio ao desenvolvimento da competição informal dentro das instituições de Ensino Superior, em conjunto com estas e com as suas estruturas estudantis, até ao Desporto de Alto Rendimento, envolvendo os atletas-estudantes de topo em provas mundiais, onde esteja em causa a representação de Portugal”.

Em resumo, acrescenta Bruno Barracosa, “Todas estas realidades convergem num princípio: a crença de que um jovem que adquira ou que consiga manter, a qualquer nível, um hábito de prática de atividade física ou desportiva regular, será um jovem melhor preparado para os seus desafios académicos e para o seu futuro profissional. Isto é indiscutível, quer pelos benefícios em termos de saúde, quer pelos valores sociais e hábitos que o desporto transporta para o nosso dia-a-dia”.

Boa onda desportiva
Mariana Machado, 21 anos, Campeã Universitária Nacional de Bodyboard

Frequenta o Curso de Arquitectura Paisagista na Universidade de Évora e acredita que um dia em beleza se resume à frase “Os fundos estão bons, o vento está fraco e offshore… Estão boas ondas!”. A paixão pelo bodyboard nasceu-lhe na praia da Foz do Arelho, por influência de amigos e da escola de verão Bicodpato, onde aprendeu as bases do desporto. Mariana foi participando em campeonatos regionais, nacionais, europeus e mundiais e, este ano, sagrou-se Campeã Universitária Nacional de Bodyboard.

Para esta estudante universitária o bodyboard é um estilo de vida que a ajudou a saber gerir o tempo e a tornar-se mais forte e organizada. Como em Évora não há mar, Mariana pratica bodyboard todos os fins de semana. “O estudo e o bodyboard fazem parte do meu equilíbrio e, por isso, funcionam muito bem em simultâneo, apesar de por vezes ser difícil conciliar a universidade, os treinos e as competições, por isso tento fazê-lo de uma forma descontraída e muito bem organizada, com o objetivo de dar sempre o meu melhor”, refere a campeã universitária, acrescentando que foi para ela muito importante o apoio da minha família, dos amigos e dos patrocinadores que a ajudaram a alcançar os objetivos.

Mariana
Mariana foi participando em campeonatos regionais, nacionais, europeus e mundiais e, este ano, sagrou-se Campeã Universitária Nacional de Bodyboard.

Sempre a subir, cada vez mais alto
Cíntia Martins da Silva, 23 anos, Campeã Nacional Universitária de Escalada

Optou por cursar gestão na Universidade do Minho, mas o desporto também lhe estava na alma… Mais Concretamente a escalada: “o que mais me agrada na escalada é a competição saudável de chegarmos todos mais longe, sem medos e com muita garra”, explica Cíntia, apontando algum acaso nesta paixão desportiva. “A escalada surgiu através dum amigo meu – e atual monitor da atividade – que já era praticante de escalada há alguns anos. Desafiou-me a experimentar e o certo é que o primeiro treino correu bem, o segundo também e fui ficando”, confessa a estudante que antes, e em relação à escalada, só pensava “vou ficar cheia de medo, vou fazer más figuras, por isso nem vale a pena ir”.

Quando perguntámos a Cíntia o que distingue a escalada de todas as outras atividades, a resposta imediata foi: “a preparação psicológica que se desenvolve e que nos faz vencer os nossos limites”. A aluna acrescenta que “podemos mesmo fazer um paralelismo entre o objetivo da escalada: chegar ao topo, ultrapassando as dificuldades, ganhando resistência a cada treino… Todos os dias temos que lutar para conseguir chegar mais e mais alto”.

Para esta aluna, a prática de desporto permitiu não só melhorar a forma física como manter o ‘stress dominado’, “principalmente nos períodos mais complicados de avaliação. Houve momentos em que não consegui ir aos treinos, devido aos exames, e aí percebi o quanto é importante, principalmente em fase de estudo intensivo, abstrair-me daquele ritmo e praticar uma atividade desportiva. Se for escalada, melhor ainda!”.

Cíntia - Escalada 2
“O que mais me agrada na escalada é a competição saudável de chegarmos todos mais longe, sem medos e com muita garra”, explica Cíntia, apontando algum acaso nesta paixão desportiva.

Sem cair na rede da monotonia!
Fabrício de Barros, 36 anos, Campeão Nacional Universitário de Voleibol

É natural de Salvador da Baía, mas é em Portugal que nutre o gosto pelo voleibol, modalidade que pratica há já 20 anos. Aluno do Curso de Ciências do Desporto na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP), Fabrício de Barros admite que a faceta que mais destaca no voleibol é a liberdade que permite. “Uma pessoa pode sair do ginásio, deixar as paredes dos pavilhões desportivos e praticar a modalidade ao ar livre e na praia… O voleibol é aquele desporto em que toda a gente gosta de dar uns toques, mesmo que não saiba jogar”.

Sendo jogador profissional na Associação Académica de Espinho, Fabrício não descora também a prática desportiva em ambiente académico, através da qual se sagrou Campeão Nacional Universitário de Voleibol. “A prática desportiva exige muito esforço físico e mental. O jogo exige a tomada de decisões em momentos precisos e isso é um reflexo do que acontece também noutras vertentes da nossa vida”.

Fabrício de Barros
Aluno do Curso de Ciências do Desporto na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP), Fabrício de Barros admite que a faceta que mais destaca no voleibol é a liberdade que permite.

[Fotos: FADU]

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