Os dilemas do festivaleiro

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Nem sempre querer é poder. A oferta de festivais e de boa música é tanta que eram precisos três verões para ir a tudo, não só porque alguns eventos coincidem nas datas, como porque estas coisas pagam-se e não é pouco. Espreita o roteiro e toma as tuas decisões.

É o preço a pagar por termos um verão tão ativo no que à música diz respeito. Basta falar em festivais para se perceber que há mais concertos do que tempo para os aproveitar. Senão repara: o Festival de Músicas do Mundo de Sines começa no dia 19 de julho e termina a 28 do mesmo mês (pelo meio, há direito a pausa entre 22 e 25) e é perfeitamente aceitável que queiras ir a Sines mas também não te importes nada de ir a Barcelos, para assistir ao Milhões de Festa. Pois é, não pode ser, já que este último decorre de 20 a 22 de julho. Entalado entre os dois está o Cascais Music Festival, que para a primeira edição não vai de modas e anuncia logo nomes como Manu Chao, Erykah Badu, Keane ou Morrissey – arranca a 16 de julho e fecha a 29, com três dias de interrupção nos entretantos. E quando pensas que a escolha já não se pode tornar mais difícil, eis que te apercebes que os Franz Ferdinand vão abrilhantar o primeiro dia do Festival Marés Vivas a 18 de julho! Ou seja, de 18 a 21, há muito para ver em Vila Nova de Gaia (Gogol Bordello, Garbage, The Hives, Kaiser Chiefs, The Sounds, continuamos?).

Gogol Bordello
Gogol Bordello leva, normalmente, o público à loucura. Foto: facebook.com/gogolbordello

Resumindo, o que te parece esta segunda quinzena do sétimo mês? Vai ser difícil escolher? Entre músicas do mundo no Alentejo (Dead Combo e Couple Coffee, por exemplo, vão lá estar), uma mistura de estilos e tendências no Minho, grandes nomes nacionais e internacionais na linha de Cascais ou um ar de rock no Porto, o que é para ti mais aliciante? Vais deixar que os preços decidam por ti? Ou vais abdicar de alguns dias num festival para saltar logo para outro?

Não há descanso

Ainda julho está a tentar acabar, já o Boom Festival anda a ‘pôr em trance’ os seus visitantes. Começa a 28 de julho para acabar a 4 de agosto, em Idanha-a-Nova. Mas se quiseres ir a tempo de ver Ben Harper, Marcelo D2, Fat Freddy’s Drop, James Morrison ou Eddie Vedder vais ter de te fazer à estrada mais cedo, já que o Festival Sudoeste TMN abre portas com a sua “Receção ao Campista” no dia 1 de agosto e prolonga-se por outros quatro dias.

Sudoeste TMN
O Festival Sudoeste TMN já se habituou a dar as boas-vindas ao mês de agosto. Foto: facebook.com/SudoesteTMN

A pausa não é muito demorada e poucos dias depois surge outra proposta fortíssima: Paredes de Coura é mais do que um festival de bandas, é um escape para um saudável convívio com a natureza. A iniciativa Jazz na Relva, que é exatamente o que o nome indica, bem junto ao rio Tabuão, é uma prova da experiência que podes ter no distrito de Viana do Castelo, entre 13 e 17 de agosto. Mas, apaixonados pelo ambiente e pela celebração da vida, o Bons Sons precisa de entrar na lista – é em Cem Soldos, uma pequena aldeia perto de Tomar, é pródigo em música de todo os cantos e os concertos tanto podem ser no largo principal, como dentro da igreja. É barato e dá milhões de alegria. Decorre entre 16 e 19 de agosto, ou seja, choca com o anterior. É o eterno dilema do festivaleiro.

Jazz na Relva Paredes de Coura
A iniciativa Jazz na Relva é um símbolo do Festival Paredes de Coura. Foto: facebook.com/festivalparedesdecoura

Agora apressa-te

Antes de tudo isto, no início de julho, também há ofertas a não perder: o Super Bock Super Rock volta à Herdade do Cabeço da Flauta, junto à Praia do Meco, entre 4 e 6 de julho (e grita nomes como The Rapture, Hot Chip, M.I.A., Peter Gabriel ou Lana del Rey) e o Optimus Alive ao Passeio Marítimo de Algés entre 13 e 15.

Também neste último, a dúvida não é entre ir ou não ir – é mais, que concertos escolher? Imagina que chega a hora de Santigold atuar quando estão os Stone Roses noutro palco (imagina bem, porque é o que vai acontecer). Tal como os The Macabees vão coincidir com Caribou e B Fachada. Tal como The Kooks e Warpaint. Por alguma razão o Alive foi recentemente considerado por algumas publicações internacionais (como “The Guardian” ou “New Musical Express”) um dos melhores da Europa e isso não é dizer pouco. No entanto, o grande nome do festival, Radiohead, está salvaguardado deste tipo de problemas de agenda: os britânicos tocam a uma hora em que todos os outros palcos ficam vazios.

Radiohead
A banda de Thom Yorke toca com horário em regime de exclusividade. Foto: facebook.com/radiohead

De norte a sul, de este a oeste

Há mesmo festivais em todo o nosso Portugal. Apresentamos-te uma lista de alguns dos menos conhecidos, destacando a ausência do Delta Tejo que, depois do sucesso, terá um ano de ‘descanso’, comprometendo-se a voltar brevemente e em força.

  • Rock na Vila em Vila de Rei, que decorreu nos dias 1 e 2 de junho.
  • Festival Med em Loulé, a 29 e 30 de junho.
  • Vagos Open Air em Aveiro, a 3 e 4 de agosto.
  • Ecos da Terra em Celorico de Basto, de 9 a 11 de agosto.
  • Funchal Music Fest – Live 2012 no Funchal, Madeira, a 17, 18 e 19 de agosto.
  • Festival do Crato em Portalegre, entre 29 de agosto e 1 de setembro.
  • Festival Azure na Ilha Terceira, Açores, entre 30 de agosto e 1 de setembro.
  • Festa do Avante no Seixal, dias 7, 8 e 9 de setembro.

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