A PROALV dá-te asas e ainda te ensina a voar

Caro universitário, não há como negar: a crise financeira e o desemprego são temas atuais e (demasiado) presentes no teu dia-a-dia. O que fazer para os combater, é a grande questão. No Museu da Electricidade sugeriu-se que no estrangeiro pode estar a saída. Vais ficar parado?

Ninguém te está a mandar embora em definitivo. Portugal precisa de boas ideias e de pessoas com talento, mas uma experiência fora do país pode significar um aumento de qualidade e, muito importante, pode ajudar-te a perceber o que fazer a essa energia criativa que ferve dentro de ti. Os estágios europeus incluídos nos programas Erasmus e Leonardo da Vinci são uma ótima pista. A Agência Nacional PROALV (Programa Aprendizagem Ao Longo da Vida) mostrou porquê.

Afinal, de que é que se fala?

‘We Mean Business’ foi o nome escolhido para a campanha da Comissão Europeia que quer convencer as empresas de que vale a pena investir em jovens estagiários. E a Comissão Europeia tem razão. Porquê? Os tempos são de forte concorrência e necessidade de inovação: quem melhor do que os jovens para levar criatividade, dinamismo e inovação às empresas? Quem melhor do que eles para mostrar novas ideias e novas competências? O projeto é, claro, a nível europeu e pressupõe que os estagiários saiam dos seus países de origem, o que significa que as empresas vão ter contacto com novas culturas, com novos pontos de vista, com diferentes métodos de trabalho, com a possibilidade de transmitir abertura e modernização.

A campanha foi oficialmente apresentada em Bruxelas, a 17 de abril, e chegou a Portugal no passado dia 28, altura em que se reuniram no Museu da Electricidade diversos agentes e multiplicadores prontos a levar às empresas as ideias ali discutidas.

Museu da Electricidade

O Museu da Electricidade foi o local escolhido para apresentar o “We Mean Business” em Portugal

Oportunidades há muitas, é preciso saber procurá-las

A expressão ‘We Mean Business’ também serviu de mote para o evento organizado pela PROALV, logo a avisar que a conversa não era para brincadeiras. Era preciso falar de trabalho, falar de arriscar, falar, no fundo, de alcançar sucesso profissional. E esse, já o deves saber, não vem embalado com um laçarote especialmente para ti.

Depois de uma primeira intervenção do chefe de gabinete do Secretário de Estado Adjunto da Economia e Desenvolvimento Regional, o debate arrancou sob a moderação do jornalista Nicolau Santos.

“Vivemos uma situação de tragédia coletiva”: António Silva Mendes, diretor da Direção Geral da Educação e Cultura da Comissão Europeia, foi o primeiro a lançar o alerta. Falou dos valores elevadíssimos do desemprego jovem em Portugal (já passa os 36%) e trouxe um facto curioso, que dá que pensar: “por toda a Europa existem 22 milhões de desempregados, mas também existem quatro milhões de empregos vagos”. Como é isto possível? “Ainda não há uma resposta às necessidades, é preciso perceber que tipo de competências e de ensino devemos dar aos nossos jovens para os preparar”.

António Rendas, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), reforçou a ideia e aconselhou as universidades a terem um papel mais ativo junto das empresas, ajudando-as a encontrar jovens com perfis adequados às necessidades de cada uma. Relembrou que a discussão da empregabilidade “é uma coisa nova”, porque a ideia de ir para a faculdade e encontrar de seguida um emprego condizente “está na nossa genética, mas tem de mudar”.

We Mean Business 1º painel

Primeiro painel da conferência “We Mean Business”

Já Maria do Céu Crespo, diretora da PROALV, disse que o principal objetivo passa por melhorar a qualidade e a quantidade de estágios no estrangeiro, não esquecendo que há países onde a possibilidade de permanência dos estagiários é maior: “não se pode estar a enviar alunos para países com 40% de desemprego jovem”. A PROALV apresentou alguns programas que bem conheces e que andam há anos a dar experiência pessoal e profissional aos jovens e adultos portugueses: Comenius, Erasmus, Leonardo da Vinci e Grundtvig.

Para fechar o painel do debate, a COTEC, organização que reúne várias empresas de relevo a nível nacional e que pretende fomentar a inovação no setor empresarial, também esteve presente. Daniel Bessa, diretor-geral da associação, teve uma das intervenções mais impactantes, garantindo que “Erasmus mudou a Europa”.

Mudam-se os convidados, mantêm-se as preocupações

Depois do habitual ‘coffee break’, o painel foi renovado, recebendo agentes de diferentes empresas: Marcos Costa, CEO da Critical Software, António Pinheiro, responsável pelos Recursos Humanos do Grupo Efacec, Maria Manuel Seabra, da PricewaterhouseCoopers, Hans J. Muller, representante da ATEC – Academia de Formação e Vincenzo Di Maria, fundador da “microempresa”, como o próprio definiu, Common Ground, e a quem Erasmus mudou a vida, tomaram a palavra. A conversa seguiu entre as experiências de cada um e vários temas que podem interessar a um estagiário europeu e que ainda não são totalmente consensuais:

  • Qual o papel das empresas no sucesso dos estágios? Que empresas estão mais preparadas para receber estagiários? As pequenas e médias (PME), que precisam deste tipo de mão-de-obra inovadora ou as grandes empresas, que têm mais meios de acompanhamento?
  • As médias de final de curso: será um aluno com notas de 15 necessariamente melhor que um com notas de 12? É preciso definir o perfil do aluno, mais do que olhar-lhe para a média.
  • As bolsas de apoio aos estudantes que saem do país. António Rendas já tinha arrancado gargalhadas quando afirmou que o Erasmus devia chamar-se “Erasmus Rendas ou Erasmus Silva”, já que é das famílias que vem o verdadeiro apoio financeiro – “a bolsa é pouco relevante, o esforço é das famílias”. É preciso lutar para que estes programas não se imponham como “fator de exclusão”.

A sessão encerrou com a apresentação do site “We Mean Business”(o qual não deves perder, para saber mais sobre as oportunidades dos programas Erasmus e Leonardo da Vinci) e com a declaração de João Filipe Queiró, secretário de Estado do Ensino Superior, que se congratulou pelo sucesso da iniciativa.

We Mean Business 2º painel

Saída do segundo painel de convidados

[Fotos: João Diogo Correia]

Artigos Relacionados:

Deixar uma resposta