Muda de vida com uma Pós-Graduação!

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Quando não estamos bem – e já o refere o ditado popular – , o melhor é mesmo mudarmo-nos. Mas mudar para melhor, sempre! E no que ao Ensino Superior diz respeito, uma escolha de Pós-Graduação acertada no final da Licenciatura ou dum período de trabalho pode fazer a diferença, tanto em termos de valorização pessoal como em termos de ordenado ao final do mês.

Estávamos a 30 de agosto de 2011 e o Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, participava num encontro da Universidade de Verão do PSD em Castelo de Vide. À pergunta do eurodeputado Carlos Coelho, sobre qual deve ser a prioridade na alocação dos recursos e se faz hoje sentido que se aposte na educação, o ministro respondeu que “Sim, vale a pena a apostar na educação nestes tempos de crise”, fundamentando a resposta com vários argumentos, entre eles “porque temos um problema que é fundamental para o país que é a formação dos nossos jovens”, “porque o desenvolvimento do país faz-se com massa humana” e “porque estudar vale a pena para poder ganhar mais dinheiro”. Mesmo parecendo um pouco materialista, esta passagem noticiosa serve para darmos início a este texto a propósito das vantagens do prosseguimento dos estudos superiores para além da Licenciatura.

Estudar mais para quê?

Aquando do término do Ensino Secundário, Pedro Silva teve a oportunidade de prosseguir estudos para um curso superior. “A escolha recaiu sobre uma instituição conceituada e sobre um curso que se adequava ao meu perfil: a Licenciatura bietápica em Contabilidade e Administração do Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP)”, refere Pedro, acrescentando que ainda antes de terminar o curso, começou a trabalhar numa empresa de Auditoria, onde pôde aplicar muitos dos conhecimentos obtidos academicamente e que foram “fulcrais para o desenvolvimento do seu percurso profissional”.

Um ano depois de concluir a Licenciatura e já com praticamente dois anos de experiência profissional, Pedro Silva decidiu renovar e ampliar os seus conhecimentos em Auditoria, uma vez que seriam úteis para melhorar o seu trabalho e para o desenvolvimento pessoal de competências. “A escolha da área de estudos foi óbvia, dado que o gosto pela Auditoria sempre me acompanhou e se enquadrava perfeitamente no contexto profissional. Quanto ao tipo de curso e à instituição de ensino, a decisão foi complexa. Optei por um curso de Mestrado no ISCAP, uma vez que considero que me formou de uma forma bastante plena na Licenciatura”.

Pedro Silva acrescenta ainda que quem procura um curso desta natureza já passou por um percurso académico, conhece a realidade e a exigência do Ensino Superior, tem um espírito crítico desenvolvido, pelo que leva a que tenha expetativas fortes: “Em muitos casos, os cursos pós-graduados (sejam Mestrados, Pós-Graduações, MBA ou outros) são frequentados por pessoas que já têm experiência profissional, seja alargada ou recente, e surgem associados à necessidade de desenvolvimento de competências teóricas e práticas numa área específica. Neste sentido, enfrentam uma nova aprendizagem com um alto nível de maturidade e com exigências e necessidades acrescidas. Daí que um dos fatores muito publicitados pelas instituições que oferecem formação para pós-graduados seja a composição do corpo docente, preferencialmente com alargada experiência académica e/ou profissional”.

Passaporte para o emprego

Entrou para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa para cursar Sociologia e, após a conclusão dessa Licenciatura, voltou a escolher a mesma paixão para se dedicar a um Mestrado. “Desde o 2º ano, comecei a colaborar nalguns projetos de investigação com vários professores, desenvolvendo pequenas atividades, como realização de inquéritos, inserção de dados em programas informáticos ou mesmo supervisão de aplicação de questionários. Como gostei dessa experiência de investigação, começou a surgir a ideia de continuar a estudar, e encarei o Mestrado em Sociologia como um seguimento da Licenciatura (que já fora apenas de três anos). Além disso, no último ano, um professor desafiou-me para integrar a tempo inteiro um projeto que iria começar no verão seguinte à conclusão da minha Licenciatura e que me daria a possibilidade não só de participar na investigação como desenvolver a minha própria tese de Mestrado”, explica Susana, contente pela aposta feita na continuação da formação.

A caminho do Doutoramento

Quando perguntámos a Susana de que forma melhorou a sua vida a posta na continuação dos estudos, a resposta não podia ser melhor: “Ao proporcionar-me o contacto com a investigação, este Mestrado marcou o início da minha experiência profissional. Finalmente, motivou o diálogo e discussão nos vários seminários, entre professores e colegas e também na defesa da dissertação, que me tornaram mais fluente na exposição dos resultados e argumentos”. Nesse sentido, Susana acabou por desenvolver as ferramentas necessárias para poder iniciar com sucesso o seu percurso profissional, bem como definir melhor o que queria seguir – acabando por motivar esta aluna para o ainda prosseguimento de estudos em direção ao Doutoramento.

Susana Batista
"Como gostei dessa experiência de investigação, começou a surgir a ideia de continuar a estudar, e encarei o Mestrado em Sociologia como um seguimento da Licenciatura", refere Susana Batista.

Susana Batista
Mais autonomia de pesquisa e de trabalho

A principal caraterística destacada por Susana sobre o ensino de Pós-Graduação é a autonomia de pesquisa e de trabalho: “Isto não só na parte curricular, onde temos que adaptar os conteúdos dos vários seminários às nossas próprias temáticas, mas sobretudo na parte do trabalho individual, que no meu caso foi a escrita da dissertação. Envolve mais dedicação e tempo de trabalho ‘em casa’, por contraponto à Licenciatura, onde acabamos por ser mais enquadrados pelos professores das várias cadeiras. Simultaneamente, permite-nos aprofundarmos os nossos interesses, na medida em que é mais especializado numa área”, conclui.

Pedro Silva
Pedro Silva integrou o mercado de trabalho. Quase dois anos depois, decidiu voltar ao ISCAP para um Mestrado em Auditoria.

Pedro Silva
Vida pessoal e profissional saíram a ganhar

Após uma Licenciatura bietápica em Contabilidade e Administração no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP), Pedro Silva integrou o mercado de trabalho. Quase dois anos depois, decidiu voltar ao ISCAP para um Mestrado em Auditoria. “Este curso de Mestrado proporcionou-me o desenvolvimento na forma de abordar e pensar as questões que se colocam no dia-a-dia profissional. Na senda dos elevados níveis de exigência a que sempre me autopropus (espelhados nos prémios de melhor aluno do Bacharelato e da Licenciatura), no final deste novo percurso académico tive a oportunidade de constatar que enriqueci em termos de raciocínio, espírito crítico e, naturalmente, aprofundamento dos conhecimentos na área, muito em especial pelas dificuldades enfrentadas na elaboração da dissertação”, refere este profissional, não esquecendo a troca enriquecedora de experiência com outros colegas e com o corpo docente. “Neste nível de estudos nota-se uma grande entreajuda entre colegas, proporcionando a que a aprendizagem seja mais completa, mais dinâmica e que as perspetivas de pensamento individual tragam contributos positivos para o trabalho de todo o grupo. Daí que os frutos colhidos tenham sido úteis tanto para a vida profissional, como para o campo pessoal”, conclui.

Ricardo Santos
A todos os que estão indecisos em prosseguir estudos, Ricardo Santos sugere que “o saber não ocupa lugar".

Ricardo Santos
Aprofundar conhecimentos já adquiridos

A primeira formação superior de Ricardo foi uma Licenciatura em Direito na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) de Lisboa. “Fiz várias escolhas na altura de ingressar no Superior, que passavam por Gestão de Marketing, Turismo e Direito, mas visto que os resultados de colocação resultaram ser em Seia e em Évora, preferi ficar em Lisboa e cursar Direito. Ficava mais barato”, refere Ricardo Santos, que acabou por gostar muito da Licenciatura escolhida. Após alguma experiência de trabalho, a vontade de saber mais traduziu-se no prosseguimento dos estudos, através duma Pós-Graduação em Administração Pública e Direito Público e Económico, na Escola de Administração de Lisboa.

“Senti a necessidade de aprofundar conhecimentos, até por uma questão de valorização pessoal”, refere Ricardo, acrescentando que vê esta Pós-Graduação como uma espécie de complemento aos conhecimentos que tinha adquirido anteriormente na Licenciatura. A todos os que estão indecisos em prosseguir estudos, Ricardo Santos sugere que “o saber não ocupa lugar, sobretudo quando estamos a falar duma área de que se gosta e sobre a qual se quer saber ainda mais”.

Luis Lobo
As mais-valias foram, sobretudo, de valorização pessoal, afirma Luís Lobo.

Luís Lobo
“Esta aprendizagem ajudou-me a exercer ainda melhor a minha profissão”

Licenciado em Medicina Veterinária pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa em 1992, Luís Lobo foi intercalando vários anos de atividade profissional no Hospital Veterinário do Porto com Pós-Graduações variadas. Atualmente, dirige o departamento de Cardiologia, onde é diretor científico e pedagógico, mas foi a 30 de janeiro deste ano que deu mais um importante passo pessoal e profissional da sua vida: concluiu o Doutoramento, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto. “Sempre gostei de investigação clínica, tinha até um projeto que há muito tempo gostava de fazer e o Doutoramento acabou por ser uma maneira de eu poder concretizar isso. Entretanto, tive uma formação em Itália com um cardiologista de veterinária que depois também me animou a seguir para o Doutoramento”. E foi isso que Luís fez, avançou para um Doutoramento que lhe daria a valorização pessoal que tanto ansiava e cuja tese de mestrado versa sobre “Cardiomiopatia Dilatada e perturbações do sistema de condução eléctrico em cães da Serra da Estrela”, passa este veterinário a explicar porquê: “Há uma doença nos cães que se chama Cardiomiopatia dilatada e que afeta, em particular, uma raça portuguesa, que é o cão da Serra da Estrela. Este cão tem uma forma específica de Cardiomiopatia Dilatada e eu, na minha prática clínica, via muitas perguntas às quais não conseguia responder. Portanto, a minha tese foi direcionada para este estudo e o que é certo é que cheguei ao fim com dados muito interessantes e com aplicação prática – porque esta é a vantagem duma tese em Medicina Veterinária com aplicação na prática clínica, neste caso, na Cardiologia Veterinária”.

As mais-valias foram, sobretudo, de valorização pessoal, afirma Luís Lobo. No entanto, o trabalho também ficou a ganhar com o prosseguimento de estudos no Superior: “Além de estar a fazer uma coisa que eu gosto, esta aprendizagem ajudou-me a exercer ainda melhor a minha profissão – é claro que o Doutoramento foi uma coisa que deu muito trabalho, mas que compensa em termos de valorização pessoal e profissional, claro”.

Vantagens de estudar para além da Licenciatura

– Aumentas a possibilidade de progressão na carreira;
– Mais qualificações podem significar aumento de salário;
– Estimulas as tuas capacidades de investigação, escrita e oratória;
– Refrescas os ensinamentos já possuídos;
– Podes experimentar outra área de estudos diferente da Licenciatura;
– Melhoras o teu CV;
– Aumentas a tua valorização pessoal;
– Se optares por uma especialização no estrangeiro, absorves outras culturas, idiomas e estilos de vida.

[Foto:  PhotoDu.de @ flickr | Luís Lobo | Susana Batista | Pedro Silva | Ricardo Santos]

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