Em busca dos ossos perdidos

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Apostada em facilitar a vida de todos os profissionais da Medicina Legal que procedem à identificação de cadáveres e à análise de trauma, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) vai criar a mais atual coleção de esqueletos identificados do país. O projeto intitula-se BoneMedLeg Research Project  e vai estar disponível a antropólogos, médicos legistas e investigadores de todo o mundo.

Sabias que os profissionais das delegações do Instituto Nacional de Medicina Legal têm de identificar cadáveres exclusivamente através das ossadas, devido à falta de tecidos moles que permitam o reconhecimento através de fotos ou de impressões digitais? A identificação com base no esqueleto é um processo trabalhoso e cujo sucesso depende da qualidade dos métodos utilizados pelos profissionais de Antropologia Forense.

Em Portugal, existem coleções de esqueletos identificados em Coimbra e em Lisboa. No entanto, esses esqueletos datam do início do século XX, estando desadequados para uso na Medicina Legal, devido às grandes diferenças existentes nas caraterísticas biológicas desses esqueletos, nomeadamente em termos de estatura.

Assim, Hugo Cardoso, antropólogo e investigador do Departamento de Medicina Legal da FMUP, em conjunto com uma equipa de investigadores experientes, vai dar início à recolha das ossadas não reclamadas nos cemitérios do Porto, nas últimas três décadas. Por diversas razões, muitas dessas ossadas não são reclamadas pelos familiares, acabando por ser destruídas e perdendo-se para sempre. Agora, esses ossos serão estudados pela equipa de investigadores do Porto, ganhando um novo relevo e desempenhando um papel essencial ao serviço da Ciência.

Os investigadores esperam angariar cerca de 200 esqueletos nos próximos três anos. A recolha está a ser realizada no cemitério de Agramonte e conta com a participação da Câmara Municipal do Porto.

[Foto: facebook.com/BoneMedLeg]

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