O Miguel ensina-te a ‘bater punho’!

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Tornou-se rapidamente uma vedeta das redes sociais, um sucesso na televisão e um exemplo em forma de pessoa para qualquer empresa, por altura de reuniões motivacionais. A garra vem-lhe como o sotaque, do Norte, mas os elogios e as apreciações, essas, ficam reservados para os outros – porque ele próprio não gosta muito de falar de si, por se achar muito ‘sem interesse’. Mesmo assim, conseguimos roubar uns minutos de entrevista a Miguel Gonçalves, mentor do So Pitch, que faz questão de nos brindar com algumas dicas de combate à crise nos empregos.

“À maior parte das pessoas falta é trabalhar, não é uma grande Ciência”, começa por dizer Miguel sobre os candidatos que chegam mais mal preparados aos castings do So Pitch – ou porque acabaram a licenciatura muito recentemente ou porque ainda estão a tirar o curso e nutrem uma ideia preconcebida do mercado de trabalho. “Depois também há muita gente que quer tudo perfeito, que quer acertar em tudo à primeira, que não está disposta a fazer investimento e que não está disposta a trabalhar, a trabalhar e a trabalhar até ser bom nalguma coisa”.

Quanto às ideias de negócio, Miguel sublinha a existência dalguma ingenuidade no que respeita a números: “um negócio tem de ser sobre mudar o mundo, verdade, mas tem também de assentar em métrica e sustentabilidade…. E o pessoal que quer acertar à primeira depois fica extremamente desiludido, quando percebe que tem de experimentar uma, duas, três, quatro, cinco e seis vezes até encontrar aquele produto forte que cresça – mas isso é um ponto de chegada e não um ponto de partida”.

Antes que termines o teu curso superior, o Miguel tem isto para te dizer:

– “Não esperes para acabar o curso: um universitário tem o melhor logótipo do mundo e faz sentido capitalizar e fazer uma aproximação antecipada para conseguir sentir já o pulso do mercado – se conseguires trabalhar nas férias de verão, perfeito”;

– “Se conseguires pagar as propinas, também perfeito, porque não há almoços grátis e na vida tu tens sempre de comprar as coisas, vais ter de te esforçar e vais ter de ser tu a ‘dar ao caniço’ – se não fores tu a fazer, ninguém vai fazer por ti”;

– “Não tenhas receio de não saberes efetivamente qual é a tua paixão, porque isso só se sabe a fazer, descobre-se a fazer. Tens muito tempo de trabalho pela frente, portanto explora, experimenta e faz-te à luta. O mais importante é trabalhar e não é estar à procura da coisa certa e perfeita, porque essa não aparece e se aparece é no decorrer da tua atividade de trabalho”;

– “Tens de ser realmente bom: bom como pessoa e bom como profissional. Se tu fores, por exemplo, o melhor tipo a fazer este caderno (pega num caderno que traz consigo), nunca vais ter problemas de dinheiro e é só fazer um caderno…. Ou seja, mais do que ir atrás de dinheiro, tens de ir atrás das competências, porque no fim de seres mesmo bom nalguma coisa, a primeira consequência é o dinheiro”;

– “Não há empresas grandes nem pequenas, há empresas boas e más. Por exemplo, uma empresa de 5 mil pessoas pode ser péssima para mim e uma empresa de 10 pessoas pode ser incrível – portanto, há empresas boas para aquilo que eu quero, para os meus sonhos, para as minhas ambições e para aquilo que eu penso que sou capaz de fazer para amansar o mundo e o mudar. Há, por outro lado, empresas onde eu não vou crescer e onde eu vou estar ali permanentemente sentado a bater teclas, sem nunca dar o salto”.

[Foto: Bruna Pereira]

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