Piadas facebook adentro

 

Se a Brigitte Bardot pega numa trincha de tinta, passa a ser Brigitte Barbot. O Silvester Stallone com uma fita vermelha na testa e metido numa boia salva-vidas transforma-se em Ramboia. Se o dia estiver a correr mesmo muito mal e rir for mesmo o melhor remédio, alguém coloca o Eddie Murphy a segurar uma batata frita e concluímos que tudo se resume à Lay de Murphy. As risadas estão absolutamente garantidas à distância dum ‘gosto’ na página do Salão Neurótico, que já conta com um número seguidores para além dos 27 mil.

Variam entre as 70 e 160 as pessoas que, todos os dias, partilham conteúdos no mural do Salão Neurótico, em www.facebook.com/salaoneurotico. Ao todo, o baú de trocadilhos ronda as 7 mil contribuições em forma de imagem. “Tudo conteúdo feito por artistas / seguidores da página. A estas acrescem cerca de duas centenas feitas por mim”, diz João Silva, o rapaz que se apresenta como sendo “o autor, gestor e anfitrião do Salão Neurótico”. O copywriter de 30 anos que também tem uma banda “que nunca saiu da garagem de nome ‘Os Rins’”, diz que é a criatividade que o move, razão pela qual anda sempre “a 1000”. “Muitas das coisas que publico no Salão surgem-me durante brainstorms no trabalho”, refere, acrescentando que mesmo não se considerando um humorista, porque “um humorista é outra coisa: é uma pessoa que sabe fazer rir e sorrir numa multiplicidade de temas”, fica sempre muito contente por ter criado “uma página na qual as pessoas se riem e ganham um sorriso para o resto do dia”.

Salao Neurotico

João Silva, “o autor, gestor e anfitrião do Salão Neurótico”.

O rapaz dos trocadilhos

“Sempre gostei de fazer trocadilhos. Não consigo parar. Faço-os constantemente durante conversas, acho que é uma das minhas formas de comunicar. Já me disseram que tenho tourette dos trocadilhos…”, confessa João Silva, remontando-se ao primeiro trocadilho que converteu em imagem: “foi antes de ter conta de facebook, num blog que tinha. Chamava-se George Duche e representava uma cabine de duche a discursar na Casa Branca. A execução é péssima, mas diverti-me tanto a fazê-lo que decidi continuar. Um amigo meu fez também uns quantos e quando criei a conta de facebook, fiz um todos os dias. Os meus amigos pareciam gostar e acabei por ficar viciado”.

João cedeu ao vício e acabou por criar uma página dedicada aos trocadilhos para ver se mais alguém acharia piada – no entanto, quis que a página fosse aberta à participação de todos: “sempre me fez confusão que abordemos as redes sociais num sentido de comunicação único, quando representam uma enorme oportunidade para a partilha, para gerar ideias, para o maior brainstorm de sempre. Acho que o Salão é uma brincadeira, mas tem alguns objetivos sérios, principalmente na sua natureza de comunidade criativa”.

Virgem

Fiat na Virgem, pelo artista Nuno Luz.

Neurónios de todo o mundo, uni-vos!

Antes de mais, ficas a saber que toda a gente pode participar no Salão Neurótico. “O facto de ser uma mecânica de participação muito simples, de não se privilegiar a imagem enquanto resultado final mas sim a ideia, acho que facilita a participação de todos”, diz João, exemplificando que o desafio é lançado de forma a que as pessoas concretizem um trocadilho, um jogo de palavras numa imagem. “Por vezes acontece que o trocadilho esteja na própria imagem. Também acontece haver participações em os autores pegaram numa palavra e a decompuseram em diversas palavras separadas, cada uma com a sua própria imagem. Nesse sentido a abordagem é livre. Se quero que toda a gente participe, tenho de dar espaço à criatividade também na forma de abordagem”.
Estão, por isso, todos convidados a participar. “É só chegar e partilhar no mural. Eu intervenho apenas quando acho que há conteúdo claramente ofensivo ou obsceno. Também gosto de dar feedback às imagens, acho essencial que a coragem de participar seja valorizada”, convida o mentor da página.

Chavez

Chavez do Areeiro, pelo artista Armando Gomes.

Ideias repetidas? Não faz mal, venham elas!

É normal haver trocadilhos repetidos, isto porque, devido à dimensão da página, “torna-se difícil “vasculhar” o arquivo a fundo”, admite João, desviando a ideia de plágio. “Não acredito que haja plágios no Salão Neurótico, apenas pessoas que chegaram à mesma ideia separadamente. Além disso, como há um grande número de artistas e seguidores a chegar diariamente, o público acaba por renovar-se. Uma pessoa que chegue hoje ao Salão Neurótico pode estar a ver o seu primeiro ‘Capuccino Vermelho’ quando na realidade já houve uns 30”. Por isso, já sabes, mesmo que a ideia seja repetida, João Silva deixa ficar todos os trabalhos criativos, “não só porque pode ser uma novidade para quem chega, mas também porque não posso censurar uma pessoa que concretiza a sua vontade de participar. Pelo contrário, acho fantástico”.

Coçar os Tintins

Coçar os Tintins, do artista Sérgio Esperancinha.

Qual é a tua imagem preferida do Salão Neurótico?

“Ahahah! A resposta a essa pergunta muda todos os dias, acho! Daquelas que eu fiz, gosto muito do José e Pilar, da Branca de Neve e o Chat Anões e do Medí na Carreira. Estas como ideias. Como imagens gosto do Ramboia, Stalking Heads e do Crocodilo Gandhi”, partilha João Silva.

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