Há química entre nós

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Cláudia Café

Pede-se a atenção dos mais céticos que vem aí notícia que precisa ser lida duas vezes até dar para acreditar: a química está em quase tudo o que fazes no dia-a-dia. Achas que não está presente no teu sono? Enganas-te. Achas que não te aparece à frente enquanto tomas o pequeno-almoço? Errado outra vez. E no amor, não há química (a ciência, esquece agora aquela outra “química” de que falam)? É claro que há.

E é de todos esses segredos, da química que se esconde por trás da banalidade do quotidiano, que o programa “A Química das Coisas” vai falar, na RTP2, com 26 exemplos que tanto podem fazer rir, como fazer pensar, mas sempre de olhos bem arregalados.

“Era um descafeinado, se faz favor”. Esta frase é capaz de ser repetida centenas de vezes, todos os dias, e uma das últimas coisas que passa pela cabeça de quem a diz é “onde está a química no meu pedido?” Pois bem, para fazer descafeinado é preciso primeiro lavar os grãos de café de forma a retirar-lhe a cafeína. Acontece que, antigamente, essa lavagem era feita com um solvente orgânico que resultava muito bem, mas retirava aroma e sabor ao café, para além de que podia ser altamente prejudicial à saúde caso deixasse alguns resíduos (a gasolina, por exemplo, é um solvente orgânico, dá para imaginar o que isso fazia às pessoas que achavam que, ao beber descafeinado, estavam a ser mais saudáveis). Hoje, graças ao desenvolvimento da química, a lavagem é feita através de dióxido de carbono supercrítico, que se obtém através do aumento da temperatura e da pressão do dióxido. Ou seja, se agora bebes um descafeinado mais saboroso e menos corrosivo, bem que podes agradecer aos químicos.

Este é só um dos exemplos que poderás ver na televisão, ouvir na rádio, ler no jornal, consultar na página da internet, no youtube ou no teu iPad. “A Química das Coisas” está mesmo em todo o lado e Pedro Ribeiro Claro, representante do Departamento de Química da Universidade de Aveiro e autor da ideia, explica como tudo começou: “em 2011 celebrou-se o Ano Internacional da Química e a Ciência Viva abriu um concurso para produção de conteúdos para a comunicação social, eu lancei a ideia e foi muito bem recebida”. Com o apoio financeiro que o concurso lhe trouxe, Pedro Ribeiro Claro contratou duas empresas, uma de comunicação de ciência, a ScienceOffice, e outra de vídeo, a Duvideo, que chegaram a um consenso quanto ao rosto que deveria apresentar o programa na RTP2: Cláudia Semedo foi a escolhida. “Fizeram-me a proposta e eu aceitei, apesar de na altura não a conhecer. Devo dizer que estou bastante impressionado com o trabalho dela, é muito expressiva e, como já tinha experiência de apresentação de programas de ciência, transmite conhecimento, sente-se que sabe do que fala”.

Programa já está no ar

“A Química das Coisas” foi apresentada a 16 de março, na Futurália (feira de formação e emprego que decorreu na FIL), no mesmo dia em que se deu a estreia na RTP2. Os presentes, entre os quais a Mais Superior, tiveram oportunidade de privar com o responsável, bem como de assistir aos primeiros episódios.

Com uma linguagem simples e facilmente entendida (não, não precisas de ser um génio da química para perceber onde ela anda nas nossas ações), “A Química das Coisas” pode ser uma forma de cativar espíritos mais adormecidos, através de meios de comunicação privilegiados, como a televisão ou as plataformas online. Manuel António Assunção, reitor da UA, confirma que “a divulgação da ciência contribui para criar sonhos e despertar vocações, estimulando a vontade de descobrir e de utilizar o conhecimento em benefício de todos: é assim que se renovam as gerações de cientistas”. A química dos impermeáveis, a dos Post-its, a dos cereais ao pequeno-almoço ou a química que há entre dormir e estar acordado vai pôr-te a estudar, mesmo sem dares por isso!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pIzQB-F3sxk]

 

[Foto: “A Química das Coisas”]

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